Audioteca | ENTREVISTA EXCLUSIVA

"Me sinto mais traído pelo PT do que traidor", diz Cristovam Buarque


Na bancada da Rádio Jornal o senador lamenta que foi de um partido que prometeu acabar com a corrupção e hoje está sendo símbolo dessa mesma corrupção

Publicado em 10/03/2017, às 10:04


Rádio Jornal
Ismaela Silva

Foto: Bob Fabisack/ JC Imagem

No Recife para o lançamento de seu mais novo livro “Os mediterrâneos invisíveis”, resultado de uma viagem que fez na fronteira entre a Turquia e a Síria em outubro de 2015, o senador pernambucano, recifense, Cristovam Buarque (PPS-DF) participou do quadro Passando a Limpo desta sexta-feira (10), dia em que o presidente Michel Temer visita cidades em Pernambuco e na Paraíba. Com apresentação de Wagner Gomes, a bancada contou ainda com a participação das jornalistas Maria Luiza Borges, do Jornal do Commercio, e Inês Calado, do NE10.  

Questionado sobre o momento que Brasília vive de expectativa para a divulgação que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, fará da sua famosa “lista”, que deve abrir mais uma etapa de investigação da Operação Lava Jato (o procurador divulgou uma lista parecida em março de 2015) e como é atuar no Congresso Nacional em meio a essa tensão, Cristovam resumiu que há dois tipos de tensão neste momento. “Uma delas é a individual de cada político, até porque uma campanha é tão complicada que não é impossível que um candidato tenha caído numa denúncia de caixa dois até mesmo sem saber. E a segunda é a tensão brasileira. Quem vai liderar esse pais? Que forças? Eu temo mais essa segunda. O Brasil está caminhando para ficar sem lideranças, por conta de suas lideranças”.

Cristovam acredita ainda que o país vai ser melhor depois de toda essa fase, mas defende a tese de que ele irá passar por um período de sofrimento necessário. Ouça a entrevista completa abaixo:

Golpe e traição

Através da participação dos internautas no debate, foi levantada a crítica contra Cristovam Buarque de que ele seria “golpista” e “traidor do PT”. De forma contundente ele resume: “Me sinto muito mais traído pelo PT que traidor. Eu fui de um partido que prometeu acabar com a corrupção e hoje está sendo símbolo da corrupção. Eu e o Brasil nos sentimos traídos pelo partido”. Ele diz ainda que não poderia se manter numa sigla e perder meus princípios, “Romperei com qualquer sigla partidária para não romper com os meus princípios. Tem gente que trata sigla como religião. Eu não me sinto traidor porque continuo firme aos princípios que me filiaram ao PT”, criticou.

Em sua defesa diante da tese de golpista, Cristovam resume: “Eu não votei no Temer para vice, quem votou nele foi quem votou na Dilma. Eu votei na Marina e Depois no Aécio, mas não no Temer, qualquer presidente sabe que o vice pode assumir. A gente fez isso com Collor e ninguém disse que foi golpe. Quem votou no Temer foi quem votou na Dilma”.

Sobre os motivos do impeachment, o senador se posiciona: “Gastar mais do que era possível e usar pedaladas depois é crime de responsabilidade. Eu não sei onde estaríamos hoje se o governo da Dilma tivesse continuado”

Improbidade

Questionado sobre ter sido investigado por suspeita de improbidade o senador contou o que ocorreu. “Sabe porque foi? Nos cem primeiros dias de governo nós fizemos uma sessão para apresentar o que o governo tinha feito. Eu não paguei artista para fazer a apresentação e eu mesmo fiz uma apresentação, só que filmaram e fizeram um CD Rom em que eu apresentava o que o governo tinha feito em cem dias, depois distribuíram aos funcionários para dizer o que o governo tinha feito. Então disseram que aquilo era promoção. Só que o problema foi terem usado um simples CD Rom para um ambiente fechado de funcionários. Eu achei aquilo uma tamanha injustiça, e levou 17 anos para arquivarem isso. Eu não me sinto nem um pouquinho culpado, aquilo foi um erro de comunicação apenas, eu não cometi improbidade”



Sobre seu livro

Ao contar a história do livro que está lançando em Pernambuco, “Os mediterrâneos invisíveis”, o senador conta que durante a viagem que fez em visita à fronteira entre Turquia e Síria ele entrevistou refugiados para um artigo e isso acabou virando um livro que fala de todos os refugiados que sonham em sair de onde estão e tornarem-se ricos. “O mediterrâneo que separa a Europa da África é visível, o muro que Trump está criando entre EUA e México é visível, mas os mediterrâneos que não deixam por exemplo os pobres entrarem nas boas escolas, que são pagas, esses mediterrâneos são invisíveis. O mundo está dividido por mediterrâneos invisíveis que não deixam os pobres entrarem no mundo da abundância”, definiu ao explicar o ideal de seu livro.

Cristovam reconhece que não cabem todos os pobres do mundo na Europa ou nos Estados Unidos, mas ele propõe três alternativas: barrar todos; abrir a porta para todos; ou, em vez de barrar a imigração, fazer com que não seja necessária a emigração, acabar a necessidade local. “Proponho que se criem programas mundiais, para diminuir tanto êxodo. Um programa mundial de renda, um de educação das crianças, um de saúde e outro de microcrédito para essas famílias sobreviverem localmente”, defende.

Pobreza

Sugerindo a divisão entre pobres e ricos e a palavra Europa como sinônimo de pequenas áreas com privilégios para poucos, Cristovam define: “Criamos uma porção de pequenas europas dentro do Brasil, até mesmo na África há uma série delas”. Na sua avaliação o problema da pobreza no Brasil se deve a duas coisas: concentração de renda e baixa produtividade do brasileiro por falta de educação. “Se houvesse educação aumentaria a produtividade e mudaria a forma de consumo. Permitiríamos que cada um tivesse uma escada para subir, essa escada seria a escola. A gente não tem que lutar para que todo mundo seja igual, mas lutar para que todo mundo possa ascender”, justifica e acrescenta: “O pais é dividido em duas castas: os ‘de cima’ e os ‘de baixo’. A gente resolve água casa, esgoto e educação dos de cima e esquece dos de baixo”.

Educação

Ele, que já foi ministro da educação e é o criador do Bolsa Escola fez duras críticas ao estado em que o país se encontra no quesito educação. “Quase todos estão matriculados, mas em coisas que não dá para a gente dizer que é escola. Teria que ter professores bons e prédios bonitos e confortáveis para poderem ser chamados de escola”, definiu. Cristovam alega que é preciso fazer com que as escolas avancem e se modernizem. “A gente tem que transformar as escolas carroças de hoje, em naves espaciais. Nossos professores são condutores de carroças, a gente tem que fazer deles astronautas para o futuro”, define.

Com visão otimista, Cristovam defendeu que o Brasil tem chances de melhorar. “Somos condenados a isso ou temos potencial para virar uma Coreia do Sul, que era pior que nós e hoje está na nossa frente? Será que o Brasil tem desejo de ter todo mundo em escola? Infelizmente a educação ainda não é o objeto de desejo dos brasileiros”, avaliou.

Violência

“O problema do brasileiro hoje é cada um resolver o seu problema e se lixar para o conjunto da sociedade, mas não tem como. O crime vai continuar crescendo, cercar as casas não basta. Uma coisa é mais segurança, o outro é mais paz. Temos que construir uma sociedade de paz e a educação vai ser fundamental para isso”.

Reforma do Ensino Médio

“A proposta do ministro da educação hoje é boa, é positiva. Ter mais ensino profissionalizante e mais horário integral, que o aluno escolha suas disciplinas, isso é positivo. Eu não entendo como tem gente contra isso”, resumiu.

Audioteca

"Me sinto mais traído pelo PT do que traidor", diz Cristovam Buarque



Publicado em 10/03/2017, às 10:04


Rádio Jornal
Ismaela Silva

[IMAGEM]

No Recife para o lançamento de seu mais novo livro “Os mediterrâneos invisíveis”, resultado de uma viagem que fez na fronteira entre a Turquia e a Síria em outubro de 2015, o senador pernambucano, recifense, Cristovam Buarque (PPS-DF) participou do quadro Passando a Limpo desta sexta-feira (10), dia em que o presidente Michel Temer visita cidades em Pernambuco e na Paraíba. Com apresentação de Wagner Gomes, a bancada contou ainda com a participação das jornalistas Maria Luiza Borges, do Jornal do Commercio, e Inês Calado, do NE10.  

Questionado sobre o momento que Brasília vive de expectativa para a divulgação que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, fará da sua famosa “lista”, que deve abrir mais uma etapa de investigação da Operação Lava Jato (o procurador divulgou uma lista parecida em março de 2015) e como é atuar no Congresso Nacional em meio a essa tensão, Cristovam resumiu que há dois tipos de tensão neste momento. “Uma delas é a individual de cada político, até porque uma campanha é tão complicada que não é impossível que um candidato tenha caído numa denúncia de caixa dois até mesmo sem saber. E a segunda é a tensão brasileira. Quem vai liderar esse pais? Que forças? Eu temo mais essa segunda. O Brasil está caminhando para ficar sem lideranças, por conta de suas lideranças”.

Cristovam acredita ainda que o país vai ser melhor depois de toda essa fase, mas defende a tese de que ele irá passar por um período de sofrimento necessário. Ouça a entrevista completa abaixo:

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Golpe e traição

Através da participação dos internautas no debate, foi levantada a crítica contra Cristovam Buarque de que ele seria “golpista” e “traidor do PT”. De forma contundente ele resume: “Me sinto muito mais traído pelo PT que traidor. Eu fui de um partido que prometeu acabar com a corrupção e hoje está sendo símbolo da corrupção. Eu e o Brasil nos sentimos traídos pelo partido”. Ele diz ainda que não poderia se manter numa sigla e perder meus princípios, “Romperei com qualquer sigla partidária para não romper com os meus princípios. Tem gente que trata sigla como religião. Eu não me sinto traidor porque continuo firme aos princípios que me filiaram ao PT”, criticou.

Em sua defesa diante da tese de golpista, Cristovam resume: “Eu não votei no Temer para vice, quem votou nele foi quem votou na Dilma. Eu votei na Marina e Depois no Aécio, mas não no Temer, qualquer presidente sabe que o vice pode assumir. A gente fez isso com Collor e ninguém disse que foi golpe. Quem votou no Temer foi quem votou na Dilma”.

Sobre os motivos do impeachment, o senador se posiciona: “Gastar mais do que era possível e usar pedaladas depois é crime de responsabilidade. Eu não sei onde estaríamos hoje se o governo da Dilma tivesse continuado”

Improbidade

Questionado sobre ter sido investigado por suspeita de improbidade o senador contou o que ocorreu. “Sabe porque foi? Nos cem primeiros dias de governo nós fizemos uma sessão para apresentar o que o governo tinha feito. Eu não paguei artista para fazer a apresentação e eu mesmo fiz uma apresentação, só que filmaram e fizeram um CD Rom em que eu apresentava o que o governo tinha feito em cem dias, depois distribuíram aos funcionários para dizer o que o governo tinha feito. Então disseram que aquilo era promoção. Só que o problema foi terem usado um simples CD Rom para um ambiente fechado de funcionários. Eu achei aquilo uma tamanha injustiça, e levou 17 anos para arquivarem isso. Eu não me sinto nem um pouquinho culpado, aquilo foi um erro de comunicação apenas, eu não cometi improbidade”

Sobre seu livro

Ao contar a história do livro que está lançando em Pernambuco, “Os mediterrâneos invisíveis”, o senador conta que durante a viagem que fez em visita à fronteira entre Turquia e Síria ele entrevistou refugiados para um artigo e isso acabou virando um livro que fala de todos os refugiados que sonham em sair de onde estão e tornarem-se ricos. “O mediterrâneo que separa a Europa da África é visível, o muro que Trump está criando entre EUA e México é visível, mas os mediterrâneos que não deixam por exemplo os pobres entrarem nas boas escolas, que são pagas, esses mediterrâneos são invisíveis. O mundo está dividido por mediterrâneos invisíveis que não deixam os pobres entrarem no mundo da abundância”, definiu ao explicar o ideal de seu livro.

Cristovam reconhece que não cabem todos os pobres do mundo na Europa ou nos Estados Unidos, mas ele propõe três alternativas: barrar todos; abrir a porta para todos; ou, em vez de barrar a imigração, fazer com que não seja necessária a emigração, acabar a necessidade local. “Proponho que se criem programas mundiais, para diminuir tanto êxodo. Um programa mundial de renda, um de educação das crianças, um de saúde e outro de microcrédito para essas famílias sobreviverem localmente”, defende.

Pobreza

Sugerindo a divisão entre pobres e ricos e a palavra Europa como sinônimo de pequenas áreas com privilégios para poucos, Cristovam define: “Criamos uma porção de pequenas europas dentro do Brasil, até mesmo na África há uma série delas”. Na sua avaliação o problema da pobreza no Brasil se deve a duas coisas: concentração de renda e baixa produtividade do brasileiro por falta de educação. “Se houvesse educação aumentaria a produtividade e mudaria a forma de consumo. Permitiríamos que cada um tivesse uma escada para subir, essa escada seria a escola. A gente não tem que lutar para que todo mundo seja igual, mas lutar para que todo mundo possa ascender”, justifica e acrescenta: “O pais é dividido em duas castas: os ‘de cima’ e os ‘de baixo’. A gente resolve água casa, esgoto e educação dos de cima e esquece dos de baixo”.

Educação

Ele, que já foi ministro da educação e é o criador do Bolsa Escola fez duras críticas ao estado em que o país se encontra no quesito educação. “Quase todos estão matriculados, mas em coisas que não dá para a gente dizer que é escola. Teria que ter professores bons e prédios bonitos e confortáveis para poderem ser chamados de escola”, definiu. Cristovam alega que é preciso fazer com que as escolas avancem e se modernizem. “A gente tem que transformar as escolas carroças de hoje, em naves espaciais. Nossos professores são condutores de carroças, a gente tem que fazer deles astronautas para o futuro”, define.

Com visão otimista, Cristovam defendeu que o Brasil tem chances de melhorar. “Somos condenados a isso ou temos potencial para virar uma Coreia do Sul, que era pior que nós e hoje está na nossa frente? Será que o Brasil tem desejo de ter todo mundo em escola? Infelizmente a educação ainda não é o objeto de desejo dos brasileiros”, avaliou.

Violência

“O problema do brasileiro hoje é cada um resolver o seu problema e se lixar para o conjunto da sociedade, mas não tem como. O crime vai continuar crescendo, cercar as casas não basta. Uma coisa é mais segurança, o outro é mais paz. Temos que construir uma sociedade de paz e a educação vai ser fundamental para isso”.

Reforma do Ensino Médio

“A proposta do ministro da educação hoje é boa, é positiva. Ter mais ensino profissionalizante e mais horário integral, que o aluno escolha suas disciplinas, isso é positivo. Eu não entendo como tem gente contra isso”, resumiu.