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“O Getúlio foi vários”, diz historiador Lula Couto


Na próxima quinta-feira (24), completam 63 anos da morte de Getúlio Vargas,um dos maiores políticos do Brasil

Publicado em 22/08/2017, às 22:27


Rádio Jornal
Thales Kírion

Reprodução/Internet

No dia 24 de agosto de 1954, o político Getúlio Vargas dava seus últimos passos na vida. A carta de suicídio de um dos líderes mais populares do Brasil, deixou o país perplexo. Vargas enfrentava uma grande crise em seu governo, onde o Congresso não dava apoio ao presidente que realizou na época a construção da Petrobrás, com ajuda popular, após a campanha “O Petróleo é Nosso”, e ainda o aumento em 100% do salário mínimo. Essas ações "irritavam" os empresários do Brasil dos anos cinquenta.

E na coluna Tudo é História do programa movimento, desta terça-feira (22), o comunicador Marcelo Araújo conversou com o historiador Lula Couto sobre a trajetória e os mistérios da morte do presidente populista.

Ouça na íntegra:

 As diversas faces políticas de Vargas

 Para Lula Couto, Getúlio Vargas, foi diverso na forma de atuar na política nos 19 anos que ficou à frente do Brasil. “O Getúlio foi vários...ele já assume o poder em 30 em uma ação que já era polêmica. Ele perde a eleição, mas apesar de ter perdido ele era uma liderança de um movimento civil militar e ele toma o poder”, comenta.

Ele governou por 15 anos consecutivos, quatro anos sendo chefe de governo. Nas eleições indiretas de 1934, ele é eleito pelos deputados constituintes, o mandato durou apenas três anos e o presidente tomou o poder. “Ai Getúlio dá um golpe, dentro do golpe que ele deu...ele vai rasgar a constituição que tinha sido feita”, explicou o historiador.

 A história do personagem virou filme. No enredo dramático, o ator Tony Ramos da vida ao líder. Confira o trailer:

 Ao cometer o suicídio, o presidente deixou uma carta de despedida que se tornou enigmática. Leia na integra:

"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.



A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano.

Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado.

Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."

Getúlio Vargas


Audioteca

“O Getúlio foi vários”, diz historiador Lula Couto



Publicado em 22/08/2017, às 22:27


Rádio Jornal
Thales Kírion

[IMAGEM]

No dia 24 de agosto de 1954, o político Getúlio Vargas dava seus últimos passos na vida. A carta de suicídio de um dos líderes mais populares do Brasil, deixou o país perplexo. Vargas enfrentava uma grande crise em seu governo, onde o Congresso não dava apoio ao presidente que realizou na época a construção da Petrobrás, com ajuda popular, após a campanha “O Petróleo é Nosso”, e ainda o aumento em 100% do salário mínimo. Essas ações "irritavam" os empresários do Brasil dos anos cinquenta.

E na coluna Tudo é História do programa movimento, desta terça-feira (22), o comunicador Marcelo Araújo conversou com o historiador Lula Couto sobre a trajetória e os mistérios da morte do presidente populista.

Ouça na íntegra:

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 As diversas faces políticas de Vargas

 Para Lula Couto, Getúlio Vargas, foi diverso na forma de atuar na política nos 19 anos que ficou à frente do Brasil. “O Getúlio foi vários...ele já assume o poder em 30 em uma ação que já era polêmica. Ele perde a eleição, mas apesar de ter perdido ele era uma liderança de um movimento civil militar e ele toma o poder”, comenta.

Ele governou por 15 anos consecutivos, quatro anos sendo chefe de governo. Nas eleições indiretas de 1934, ele é eleito pelos deputados constituintes, o mandato durou apenas três anos e o presidente tomou o poder. “Ai Getúlio dá um golpe, dentro do golpe que ele deu...ele vai rasgar a constituição que tinha sido feita”, explicou o historiador.

 A história do personagem virou filme. No enredo dramático, o ator Tony Ramos da vida ao líder. Confira o trailer:

 Ao cometer o suicídio, o presidente deixou uma carta de despedida que se tornou enigmática. Leia na integra:

"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.

A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano.

Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado.

Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."

Getúlio Vargas