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Diretor de hospital do Agreste denuncia 'má formação' de médicos e enfermeiros em PE


Dr. João Veiga, diretor do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, afirmou que a formação médica é 'precária' e criticou a falta de recursos para a saúde

Publicado em 12/09/2017, às 10:16


Rádio Jornal

João Veiga também admitiu que, neste momento, o Hospital Mestre Vitalino está superlotado
Foto: Bobby Fabisack / JC Imagem

Dr. João Veiga, diretor do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste, criticou a formação de médicos e enfermeiros em Pernambuco e outros estados da região Nordeste. O cirurgião disse, em entrevista à Rádio Jornal na manhã desta terça-feira (12), não adianta abrir hospitais qualificados se a demanda de profissionais de medicina é precária. 

"Estamos formando muitos médicos em faculdades precárias. Esses médicos não passam na prova da residência. No meu entendimento, médico que não tem residência não é médico é formado em medicina", disse o diretor do Mestre Vitalino.

Ouça a entrevista do Dr. João Veiga na íntegra

Ainda segundo o diretor, muitos profissionais que fazem o teste de residência não conseguem reproduzir procedimentos considerados básicos. "Médico formado em faculdades privadas do PB, CE e PE, tem demais, mas desqualificados. Fizemos um teste para entubar o paciente e 90% não sabiam, não sabiam cateterizar uma veia. É uma prova que eles não conseguem passar na prova de residência", comentou João Veiga. 

A formação em enfermagem também foi criticada pelo diretor. "Vem o problema da qualificação médica e o mais grave é a qualificação da enfermagem. As pessoas se formam em enfermagem em escolas precárias. As provas de enfermagem que fazemos deixam a preocupação muito grande pelo baixo nível. Não adianta ter hospital com tecnologia. A maioria das faculdades privadas não tem hospital, como você vai ser médico se não tem um hospital para treinar", concluiu. 

O médico foi entrevistado durante o programa Passando a Limpo; ouça o programa na íntegra:

Falta de investimento na saúde pública

Dr. João Veiga admitiu que, neste momento, o Hospital Mestre Vitalino está superlotado e atribuiu a precariedade no atendimento a falta de investimento na estrutura de outras unidades de saúde da região. 



"Ampliamos os leitos e hoje o Mestre Vitalino atende neurologia, clínica médica, pediatria e cardiologia. Mas estamos superlotados. A central de leitos encaminha pacientes para cá e isso prova uma falência total da atenção básica de saúde que é responsabilidade do ministério da Saúde e dos municípios. É o ministério da Saúde tem um orçamento de mais de R$ 100 bi e só gastou 30% do orçamento e isso repercute nisso", comentou. 

O diretor garantiu que nenhum paciente foi colocado nos corredores, mas esta pode ser uma realidade próxima. "O Mestre Vitalino ainda é privilegiado, capacitado, os outros não. O hospital de Arcoverde não. Recebemos pacientes de toda a região e a emergência continua cheia. Não adianta o estado individualmente tentar resolver um problema que só se resolve pelo três entes. Quando dois não estão atuando, não dá. Não sabemos o ponto que vamos aguentar esse tipo de demanda sem botar paciente no corredor".

Coren critica formação de enfermeiros

A fiscal do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), Ana Célia, concordou com as críticas do Dr. João Veiga ao ensino e preparação do profissional de enfermagem. Para ela, a falha na graduação é a que mais chama a atenção. "O Conselho Regional de Enfermagem (COREN) concorda, em parte, com o que foi colocado pelo Dr. João Veiga. Existe uma falha na formação, principalmente na graduação. Não são todas as instituições que tem organização em relação a formação".

A reportagem da Rádio Jornal entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) mas não obteve resposta. 

Ouça o Passando a Limpo na íntegra


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Diretor de hospital do Agreste denuncia 'má formação' de médicos e enfermeiros em PE



Publicado em 12/09/2017, às 10:16


Rádio Jornal

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Dr. João Veiga, diretor do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste, criticou a formação de médicos e enfermeiros em Pernambuco e outros estados da região Nordeste. O cirurgião disse, em entrevista à Rádio Jornal na manhã desta terça-feira (12), não adianta abrir hospitais qualificados se a demanda de profissionais de medicina é precária. 

"Estamos formando muitos médicos em faculdades precárias. Esses médicos não passam na prova da residência. No meu entendimento, médico que não tem residência não é médico é formado em medicina", disse o diretor do Mestre Vitalino.

Ouça a entrevista do Dr. João Veiga na íntegra

Ainda segundo o diretor, muitos profissionais que fazem o teste de residência não conseguem reproduzir procedimentos considerados básicos. "Médico formado em faculdades privadas do PB, CE e PE, tem demais, mas desqualificados. Fizemos um teste para entubar o paciente e 90% não sabiam, não sabiam cateterizar uma veia. É uma prova que eles não conseguem passar na prova de residência", comentou João Veiga. 

A formação em enfermagem também foi criticada pelo diretor. "Vem o problema da qualificação médica e o mais grave é a qualificação da enfermagem. As pessoas se formam em enfermagem em escolas precárias. As provas de enfermagem que fazemos deixam a preocupação muito grande pelo baixo nível. Não adianta ter hospital com tecnologia. A maioria das faculdades privadas não tem hospital, como você vai ser médico se não tem um hospital para treinar", concluiu. 

O médico foi entrevistado durante o programa Passando a Limpo; ouça o programa na íntegra:

Falta de investimento na saúde pública

Dr. João Veiga admitiu que, neste momento, o Hospital Mestre Vitalino está superlotado e atribuiu a precariedade no atendimento a falta de investimento na estrutura de outras unidades de saúde da região. 

"Ampliamos os leitos e hoje o Mestre Vitalino atende neurologia, clínica médica, pediatria e cardiologia. Mas estamos superlotados. A central de leitos encaminha pacientes para cá e isso prova uma falência total da atenção básica de saúde que é responsabilidade do ministério da Saúde e dos municípios. É o ministério da Saúde tem um orçamento de mais de R$ 100 bi e só gastou 30% do orçamento e isso repercute nisso", comentou. 

O diretor garantiu que nenhum paciente foi colocado nos corredores, mas esta pode ser uma realidade próxima. "O Mestre Vitalino ainda é privilegiado, capacitado, os outros não. O hospital de Arcoverde não. Recebemos pacientes de toda a região e a emergência continua cheia. Não adianta o estado individualmente tentar resolver um problema que só se resolve pelo três entes. Quando dois não estão atuando, não dá. Não sabemos o ponto que vamos aguentar esse tipo de demanda sem botar paciente no corredor".

Coren critica formação de enfermeiros

A fiscal do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), Ana Célia, concordou com as críticas do Dr. João Veiga ao ensino e preparação do profissional de enfermagem. Para ela, a falha na graduação é a que mais chama a atenção. "O Conselho Regional de Enfermagem (COREN) concorda, em parte, com o que foi colocado pelo Dr. João Veiga. Existe uma falha na formação, principalmente na graduação. Não são todas as instituições que tem organização em relação a formação".

A reportagem da Rádio Jornal entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) mas não obteve resposta. 

Ouça o Passando a Limpo na íntegra