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Operação Carne Fraca: carne de cabeça de porco era usada em linguiça


Operçaão Carne Fraca apontou que empresários pagavam propina aos fiscais do Ministério da Agricultura para liberação de carnes impróprias para consumo

Publicado em 17/03/2017, às 17:01

Rádio Jornal
Com informações da Agência Brasil

Foto: Portal Brasil

A Operação Carne Fraca é resultado de dois anos de investigações e foi divulgada pela Polícia Federal como a maior realizada na história da corporação. Foram cumpridos 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.

Além das empresas que participavam do esquema, a operação tem como alvo os fiscais do Ministério da Agricultura que se beneficiaram do recebimento de propina e de vantagens pessoais para liberar a venda da carne imprópria para consumo, como carnes vencidas e com produtos cancerígenos.

Além do repasse de dinheiro, os agentes públicos recebiam como propina produtos alimentícios das empresas, segundo a PF. Alguns, inclusive, já estariam começando a reclamar da qualidade dos alimentos que ganhavam para fazer vista grossa na fiscalização.

A propina que os funcionários do Ministério da República recebiam era entregue, segundo a denúncia, em veículos abarrotados de dinheiro vivo. A situação era tão complicada que o juiz cita uma das passagens em que os dirigentes dos frigoríficos vinham à Brasília, chegavam no Ministério da Agricultura, sentavam-se à mesa dos fiscais, usavam as senhas dos fiscais para liberar os produtos. Eles próprios, os empresários, eram responsáveis pelas liberações.



O juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, que autorizou a Operação Carne Fraca disse que “o ministério foi tomado de assalto por um grupo de indivíduos que traem a obrigação de servir a coletividade e fazer a fiscalização dos produtos”.

Fraudes

Entre as fraudes encontradas na Operação Carne Fraca, estão carne de cabeça de porco em linguiça, o que é proibido por lei. Um trecho de um áudio de uma conversa de dois integrantes de um frigorífico. O marido Adir conversa com a mulher Nadir sobre a compra da carne de cabeça de porco para ser colocada dentro da linguiça. Só nessa compra, o Adir manda comprar duas toneladas de carne de cabeça de porco para colocar na linguiça.

Confira o áudio na reportagem de Romoaldo de Souza e todos os detalhes sobre a operação:

 A Operação Carne de Vaca identificou envolvimento político. Em uma das gravações que foram interceptadas pela Polícia Federal, o então deputado Osmar Serraglio (PMDB) conversa com o superintendente do Ministério da Agricultura reclamando da ação de um fiscal que queria fechar um frigorífico de um amigo dele.

Osmar Serraglio atualmente é ministro da Justiça. Em uma nota divulgada ele diz o seguinte: “Se havia alguma dúvida de que o ministro Osmar Serraglio, ao assumir o cargo, interferiria de alguma forma na autonomia do trabalho da Polícia Federal esse é um exemplo cabal que fala por si só. O ministro soube hoje, como um cidadão igual a todos, que teve seu nome citado em uma investigação. A conclusão, tanto do Ministério Público quanto do juiz federal, é de que não qualquer indício de ilegalidade nessa conversa”.

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Operação Carne Fraca: carne de cabeça de porco era usada em linguiça



Publicado em 17/03/2017, às 17:01


Rádio Jornal
Com informações da Agência Brasil

[IMAGEM]

A Operação Carne Fraca é resultado de dois anos de investigações e foi divulgada pela Polícia Federal como a maior realizada na história da corporação. Foram cumpridos 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.

Além das empresas que participavam do esquema, a operação tem como alvo os fiscais do Ministério da Agricultura que se beneficiaram do recebimento de propina e de vantagens pessoais para liberar a venda da carne imprópria para consumo, como carnes vencidas e com produtos cancerígenos.

Além do repasse de dinheiro, os agentes públicos recebiam como propina produtos alimentícios das empresas, segundo a PF. Alguns, inclusive, já estariam começando a reclamar da qualidade dos alimentos que ganhavam para fazer vista grossa na fiscalização.

A propina que os funcionários do Ministério da República recebiam era entregue, segundo a denúncia, em veículos abarrotados de dinheiro vivo. A situação era tão complicada que o juiz cita uma das passagens em que os dirigentes dos frigoríficos vinham à Brasília, chegavam no Ministério da Agricultura, sentavam-se à mesa dos fiscais, usavam as senhas dos fiscais para liberar os produtos. Eles próprios, os empresários, eram responsáveis pelas liberações.

O juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, que autorizou a Operação Carne Fraca disse que “o ministério foi tomado de assalto por um grupo de indivíduos que traem a obrigação de servir a coletividade e fazer a fiscalização dos produtos”.

Fraudes

Entre as fraudes encontradas na Operação Carne Fraca, estão carne de cabeça de porco em linguiça, o que é proibido por lei. Um trecho de um áudio de uma conversa de dois integrantes de um frigorífico. O marido Adir conversa com a mulher Nadir sobre a compra da carne de cabeça de porco para ser colocada dentro da linguiça. Só nessa compra, o Adir manda comprar duas toneladas de carne de cabeça de porco para colocar na linguiça.

Confira o áudio na reportagem de Romoaldo de Souza e todos os detalhes sobre a operação:

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 A Operação Carne de Vaca identificou envolvimento político. Em uma das gravações que foram interceptadas pela Polícia Federal, o então deputado Osmar Serraglio (PMDB) conversa com o superintendente do Ministério da Agricultura reclamando da ação de um fiscal que queria fechar um frigorífico de um amigo dele.

Osmar Serraglio atualmente é ministro da Justiça. Em uma nota divulgada ele diz o seguinte: “Se havia alguma dúvida de que o ministro Osmar Serraglio, ao assumir o cargo, interferiria de alguma forma na autonomia do trabalho da Polícia Federal esse é um exemplo cabal que fala por si só. O ministro soube hoje, como um cidadão igual a todos, que teve seu nome citado em uma investigação. A conclusão, tanto do Ministério Público quanto do juiz federal, é de que não qualquer indício de ilegalidade nessa conversa”.