Notícia | POLÍTICA

Edson Fachin acata pedido para investigar presidente Michel Temer


Michel Temer é acusado de obstrução de justiça e de usar o cargo de presidente da República para cometer crimes

Publicado em 18/05/2017, às 14:35

Rádio Jornal

Foto: Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) relator da Operação Lava Jato, Edson Fachin, acatou o pedido do Procurador Geral da República e agora passa a investigar o presidente Michel Temer. Ele é acusado de obstrução de justiça e de usar o cargo de presidente da República para cometer crimes.

No entanto, o presidente Michel Temer só pode ser investigado com a autorização da maioria dos ministros do STF, mas o processo já foi aberto e ele vai ter que se defender até desse pedido que foi acatado por Fachin.

No início da noite desta quarta-feira (17), o jornal O Globo publicou reportagem, segundo a qual, em encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista, Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que esses ficassem em silêncio. Batista, conforme a reportagem, firmou delação
premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e entregou gravações sobre as denúncias. 

Foto: Agência Brasil

No Palácio do Planalto, havia uma expectativa de militantes contrários ao presidente, mas até agora não aconteceu.

"Temer agora está diretamente envolvido", diz ministro da Cultura

Armando Monteiro espera que Temer "tenha gesto de grandeza e renuncie"

"As pessoas erram", diz Jarbas Vasconcelos sobre Michel Temer

Confira os detalhes na reportagem de Romoaldo de Souza:

Afastamento do PSDB

Dentro do Congresso Nacional, tem o embate dentro do próprio PSDB. O partido decidiu acatar o afastamento do presidente nacional da legenda, o senador Aécio Neves, e já elegeu o novo presidente da sigla: o deputado Carlos Sampaio.

O deputado Carlos Sampaio é promotor de Justiça licenciado, está no quinto mandato, foi relator de várias CPIs e liderou o partido.

Confira os detalhes no flash de Romoaldo de Souza:

Impeachment

O presidente Michel Temer continua reunido desde às 11h com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, responsável por acatar ou não um pedido de impeachment.

Nesta quarta-feira (17), foi formulado um pedido de impeachment apresentado pelo deputado Alessandro Molon (Rede). Outras legendas estão protocolando outros pedidos, nesta quinta-feira (18).

Há uma informação, não confirmada pela assessoria de comunicação do Palácio do Planalto, de que o presidente Michel Temer faria um pronunciamento às 16h para se defender. Ele já emitiu duas notas negando envolvimento no esquema de corrupção delatado pelos diretores do grupo JBS.



Procurador preso 

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, emitiu uma nota nesta quinta-feira lamentando a prisão do Procurador da Justiça Eleitoral.

Para Janot, a prisão de procurador é um "gesto amargo para nossa instituição", disse se referindo a uma prisão que foi realizada em Brasília na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quando foi preso o procurador Ângelo Goular Villela. 

Confira a nota do procurador:

Prezados colegas,

Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição.

Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição.

Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público.

A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas. No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo STF foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield.

O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista.

A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais.

Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham.

Sigamos confiando nas instituições republicanas.

Rodrigo Janot


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Edson Fachin acata pedido para investigar presidente Michel Temer



Publicado em 18/05/2017, às 14:35


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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) relator da Operação Lava Jato, Edson Fachin, acatou o pedido do Procurador Geral da República e agora passa a investigar o presidente Michel Temer. Ele é acusado de obstrução de justiça e de usar o cargo de presidente da República para cometer crimes.

No entanto, o presidente Michel Temer só pode ser investigado com a autorização da maioria dos ministros do STF, mas o processo já foi aberto e ele vai ter que se defender até desse pedido que foi acatado por Fachin.

No início da noite desta quarta-feira (17), o jornal O Globo publicou reportagem, segundo a qual, em encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista, Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que esses ficassem em silêncio. Batista, conforme a reportagem, firmou delação
premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e entregou gravações sobre as denúncias. 

[IMAGEM2]

No Palácio do Planalto, havia uma expectativa de militantes contrários ao presidente, mas até agora não aconteceu.

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O deputado Carlos Sampaio é promotor de Justiça licenciado, está no quinto mandato, foi relator de várias CPIs e liderou o partido.

Confira os detalhes no flash de Romoaldo de Souza:

[uolmais_audio 16220514]

Impeachment

O presidente Michel Temer continua reunido desde às 11h com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, responsável por acatar ou não um pedido de impeachment.

Nesta quarta-feira (17), foi formulado um pedido de impeachment apresentado pelo deputado Alessandro Molon (Rede). Outras legendas estão protocolando outros pedidos, nesta quinta-feira (18).

Há uma informação, não confirmada pela assessoria de comunicação do Palácio do Planalto, de que o presidente Michel Temer faria um pronunciamento às 16h para se defender. Ele já emitiu duas notas negando envolvimento no esquema de corrupção delatado pelos diretores do grupo JBS.

Procurador preso 

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, emitiu uma nota nesta quinta-feira lamentando a prisão do Procurador da Justiça Eleitoral.

Para Janot, a prisão de procurador é um "gesto amargo para nossa instituição", disse se referindo a uma prisão que foi realizada em Brasília na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quando foi preso o procurador Ângelo Goular Villela. 

Confira a nota do procurador:

Prezados colegas,

Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição.

Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição.

Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público.

A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas. No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo STF foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield.

O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista.

A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais.

Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham.

Sigamos confiando nas instituições republicanas.

Rodrigo Janot