Notícia | MATA SUL

Crianças fazem 'força-tarefa' para ajudar na limpeza em Rio Formoso


"Não fui pra escola porque deu cheia lá", diz uma das crianças que ajuda na limpeza em Rio Formoso

Publicado em 30/05/2017, às 11:31

Rádio Jornal
Luiza Falcão

Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal

O sol começa a reaparecer dois dias após as fortes chuvas que caíram na Zona da Mata Sul e no Agreste de Pernambuco. Em Rio Formoso, município a 88 quilômetros do Recife e que teve o maior acúmulo de água registrado do Estado, com 250 milímetros, o trabalho agora é de limpeza. 

"Força-tarefa" da limpeza

Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal

Além dos três tratores que estão sendo utilizados para remover lama e entulho das ruas, um grupo crianças se mobilizou para ajudar na limpeza das ruas, que ficaram cobertas de lama durante a enchente que atingiu a cidade de Rio Formoso. Yuri, um dos meninos que ficou sem aulas por causa da cheia, participou da ação. "Limpei essa casa de baixo. Tinha muita lama, agora tá limpa", diz. Perguntado por que ele não foi à escola, o menino responde "têm famílias ficando lá dentro por que entrou água na casa delas". Elienai, de nove anos, é ainda mais contundente. "Não fui pra escola porque deu cheia lá", diz com um ar de naturalidade de quem encara as dificuldades como uma chance de "brincar" de gente grande.

 Lamento de quem perdeu tudo

Na comunidade da Rua da Lama, que fica às margens da PE-60, os vizinhos se ajudam no que podem. Na casa de Manoel Filho, tudo foi perdido. A água passou de 1 metro e o que sobrou foi lama. "Eu moro aqui há mais de 35 anos. Todo ano dá uma cheia, mas igual a essa eu nunca tinha visto não", diz. Ele estava em casa quando foi acordado pelos moradores das casas vizinhas. "Às 2h da madrugada eu acordei com a correria do pessoal gritando 'olha a cheia'. Quando a gente desceu da cama, não deu pra salvar nada", lamenta. 



 Veja a situação da casa do Sr. Manoel Filho na reportagem de Juliana Oliveira:

Dona Amara Luiza, de 61 anos, também perdeu tudo que tinha. Logo cedo ela carregava uma sacola de lixo cheia de objetos tirados de dentro de casa. "O que eu pude atrepar, eu atrapei. O que eu não pude, se perdeu", diz. Perguntada como vai ser a vida daqui pra frente, ela desconversa. "E eu sei. Quem sabe aí é Deus", lamenta.

Prejuízos

Em Rio Formoso, crianças sem aula ajudaram na limpeza da cidade. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Em Rio Formoso, crianças sem aula ajudaram na limpeza da cidade. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal | Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Famílias perderam tudo em Rio Formoso. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Famílias perderam tudo em Rio Formoso. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal | Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Depois que a água baixou, ruas estão cheias de lama. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Depois que a água baixou, ruas estão cheias de lama. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal | Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Famílias aproveitam o sol fraco para lavar as roupas. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
Famílias aproveitam o sol fraco para lavar as roupas. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal | Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
A mãe desse bebê precisou deixar ele com o vizinho para limpar a casa. Ela tem mais três filhos.
A mãe desse bebê precisou deixar ele com o vizinho para limpar a casa. Ela tem mais três filhos. | Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
  • Em Rio Formoso, crianças sem aula ajudaram na limpeza da cidade. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
  • Famílias perderam tudo em Rio Formoso. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
  • Depois que a água baixou, ruas estão cheias de lama. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
  • Famílias aproveitam o sol fraco para lavar as roupas. Foto: Juliana Oliveira/Rádio Jornal
  • A mãe desse bebê precisou deixar ele com o vizinho para limpar a casa. Ela tem mais três filhos.

Cerca de 450 pessoas estão desalojadas e outras 2 mil devem voltar para as casas nos próximos dias. As escolas suspenderam as atividades para servir de abrigo para os moradores que não tinham para onde ir. A maternidade e o hospital de Rio Formoso também foram inundados os pacientes foram transferidos para outros municípios, como Palmares e Sirinhaém, que também foram afetados pela chuva.

O Ministério da Defesa se comprometeu a instalar um hospital de campanha em um prazo de 10 dias para atender a cidade. A secretária de Saúde de Rio Formoso, Negla Cardoso, afirma que o hospital está completamente desativado. "A gente não tem condições nenhuma de retomar esse atendimento de jeito nenhum. A gente suspendeu todo o funcionamento no hospital e no anexo", explica. O atendimento emergencial à população está sendo feito na praça da cidade.


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Crianças fazem 'força-tarefa' para ajudar na limpeza em Rio Formoso



Publicado em 30/05/2017, às 11:31


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Luiza Falcão

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O sol começa a reaparecer dois dias após as fortes chuvas que caíram na Zona da Mata Sul e no Agreste de Pernambuco. Em Rio Formoso, município a 88 quilômetros do Recife e que teve o maior acúmulo de água registrado do Estado, com 250 milímetros, o trabalho agora é de limpeza. 

"Força-tarefa" da limpeza

[IMAGEM]

Além dos três tratores que estão sendo utilizados para remover lama e entulho das ruas, um grupo crianças se mobilizou para ajudar na limpeza das ruas, que ficaram cobertas de lama durante a enchente que atingiu a cidade de Rio Formoso. Yuri, um dos meninos que ficou sem aulas por causa da cheia, participou da ação. "Limpei essa casa de baixo. Tinha muita lama, agora tá limpa", diz. Perguntado por que ele não foi à escola, o menino responde "têm famílias ficando lá dentro por que entrou água na casa delas". Elienai, de nove anos, é ainda mais contundente. "Não fui pra escola porque deu cheia lá", diz com um ar de naturalidade de quem encara as dificuldades como uma chance de "brincar" de gente grande.

[uolmais_audio 16230508]

 Lamento de quem perdeu tudo

Na comunidade da Rua da Lama, que fica às margens da PE-60, os vizinhos se ajudam no que podem. Na casa de Manoel Filho, tudo foi perdido. A água passou de 1 metro e o que sobrou foi lama. "Eu moro aqui há mais de 35 anos. Todo ano dá uma cheia, mas igual a essa eu nunca tinha visto não", diz. Ele estava em casa quando foi acordado pelos moradores das casas vizinhas. "Às 2h da madrugada eu acordei com a correria do pessoal gritando 'olha a cheia'. Quando a gente desceu da cama, não deu pra salvar nada", lamenta. 

 Veja a situação da casa do Sr. Manoel Filho na reportagem de Juliana Oliveira:

Dona Amara Luiza, de 61 anos, também perdeu tudo que tinha. Logo cedo ela carregava uma sacola de lixo cheia de objetos tirados de dentro de casa. "O que eu pude atrepar, eu atrapei. O que eu não pude, se perdeu", diz. Perguntada como vai ser a vida daqui pra frente, ela desconversa. "E eu sei. Quem sabe aí é Deus", lamenta.

Prejuízos

[GALERIA]

Cerca de 450 pessoas estão desalojadas e outras 2 mil devem voltar para as casas nos próximos dias. As escolas suspenderam as atividades para servir de abrigo para os moradores que não tinham para onde ir. A maternidade e o hospital de Rio Formoso também foram inundados os pacientes foram transferidos para outros municípios, como Palmares e Sirinhaém, que também foram afetados pela chuva.

[uolmais_audio 16230506]

O Ministério da Defesa se comprometeu a instalar um hospital de campanha em um prazo de 10 dias para atender a cidade. A secretária de Saúde de Rio Formoso, Negla Cardoso, afirma que o hospital está completamente desativado. "A gente não tem condições nenhuma de retomar esse atendimento de jeito nenhum. A gente suspendeu todo o funcionamento no hospital e no anexo", explica. O atendimento emergencial à população está sendo feito na praça da cidade.