Notícia | Entrevista

Rio de Janeiro é o câncer da criminalidade, diz ministro da Defesa


Raul Jungmann classificou a insegurança do Rio de Janeiro como o caso mais avançado do Brasil, e explicou que o Estado carioca é "criminoso"

Publicado em 27/07/2017, às 10:58

Rádio Jornal

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), classificou o Rio de Janeiro como o caso de insegurança "mais avançado" do Brasil, e se referiu ao Estado carioca como o "câncer da criminalidade". Durante entrevista concedida à Rádio Jornal na manhã desta quinta-feira (27), Jungmann disse que "aliados do crime estão dentro da Câmara e da Assembleia". 

Confira a entrevista completa com Raul Jungmann

"No Rio de Janeiro, temos 800 mil pessoas que vivem em estado de exceção. Isso quer dizer que os direitos e garantias constitucionais não valem pois as comunidades estão nas mãos das facções criminosas e milícias, e elas são a lei e a ordem. Quem tem o controle do território da comunidade tem voto e elege o aliado ou representante. Como no Brasil, para montar maioria parlamentar, você distribui cargos, podemos imaginar uma situação onde representantes do crime organizado estão indicando postos, inclusive para a área de segurança. Existe em todo o Brasil, mas no Rio é o caso mais avançado, é o câncer da criminalidade. Você tem um estado criminoso", disse o ministro. 

Jungmann também afirmou que a população vive em uma espécie de "toque de recolher" por conta da insegurança, e prometeu uma operação para garantir a segurança até o fim do Governo Temer. "Não tem como renunciar a essa obrigação. O estado do Rio de Janeiro é tão crítico hoje, que as pessoas vivem apavoradas. Há um sentimento de insegurança que não há como não ajudar e apoiar o Rio de Janeiro. Estou indo para lá onde vou tratar exatamente desse assunto. A ideia é fazer um operação que não seja pontual, e que ela vá até o último dia do Governo Temer, ou seja, até 2018, e o Rio é só uma fase do plano nacional de segurança". 

Crise fiscal do Rio de Janeiro afeta a segurança

"O Governador Francisco Dornelles, quando estava em exercício interino, falou que o maior contribuinte de impostos do Estado a Petrobrás, quebrou; o segundo maior contribuinte eram as empreiteiras que trabalhavam para a Petrobrás, quebraram; o terceiro maior contribuinte eram os fornecedores de serviços de obras e as empreiteiras, também quebrou. Então, o Rio entrou num abismo fiscal. O Governo Federal disponibiliza alguns recursos para suprir a necessidade das forças de segurança, mas você tropeça na lei de responsabilidade fiscal. É uma crise enorme de segurança e fiscal. O Rio de Janeiro faliu", afirmou Raul Jungmann. 



Indústrias de defesa no Nordeste

A presença do ministro em Pernambuco tem em pauta uma reunião na Sudene, onde as indústrias de defesa serão discutidas. A ideia é usar do Fundo Constitucional do Nordeste para atrair investimentos para a região. "A indústria de defesa no Brasil representa 4% do PIB, e emprega 60 mil empregos diretos e 240 mil indiretos. Só que ela é profundamente centralizada no Rio Grande do Sul e em São Paulo, então, ao colocar o financiamento aqui do Fundo Constitucional do Nordeste, vamos atrair empresas, e Pernambuco é muito bem vocacionado para essa atração, com universidades de renome e o Porto Digital. Isso favorece a descentralização das indústrias de defesa". 

Uma fábrica de munições do exterior já está no horizonte de Jungmann. "Nós já temos em negociação uma fábrica suíça de munições, um investimento que vai custar entorno de US$ 90 milhões, e esse é só um exemplo. O que funciona é o estímulo econômico, para fazer com que elas venham para cá, e acho que Pernambuco tem condições de atrair essas empresas". 

Defesa de fronteiras

"Em relação as fronteiras, temos que lembrar a extensão das nossas fronteiras. Iniciamos uma operação, utilizando veículos para criar corredores eletrônicos. O tráfico de drogas, principalmente, se dá em duas fronteiras: Paraguai e Bolívia. Os aviões que cruzam a fronteira, em qualquer direção, são forçados a se identificar e ficar neste corredor. Se ele não ficar, um Super Tucano (caça da Embraer) sobe e entra em contato. Caso não obedeça, temos o tiro de advertência e outro de detenção, que se equivale a destruição da aeronave. Tivemos uma redução de 80% dos voos desconhecidos nessa fronteira", finalizou Raul Jungmann. 


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Publicado em 27/07/2017, às 10:58


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O ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), classificou o Rio de Janeiro como o caso de insegurança "mais avançado" do Brasil, e se referiu ao Estado carioca como o "câncer da criminalidade". Durante entrevista concedida à Rádio Jornal na manhã desta quinta-feira (27), Jungmann disse que "aliados do crime estão dentro da Câmara e da Assembleia". 

Confira a entrevista completa com Raul Jungmann

"No Rio de Janeiro, temos 800 mil pessoas que vivem em estado de exceção. Isso quer dizer que os direitos e garantias constitucionais não valem pois as comunidades estão nas mãos das facções criminosas e milícias, e elas são a lei e a ordem. Quem tem o controle do território da comunidade tem voto e elege o aliado ou representante. Como no Brasil, para montar maioria parlamentar, você distribui cargos, podemos imaginar uma situação onde representantes do crime organizado estão indicando postos, inclusive para a área de segurança. Existe em todo o Brasil, mas no Rio é o caso mais avançado, é o câncer da criminalidade. Você tem um estado criminoso", disse o ministro. 

Jungmann também afirmou que a população vive em uma espécie de "toque de recolher" por conta da insegurança, e prometeu uma operação para garantir a segurança até o fim do Governo Temer. "Não tem como renunciar a essa obrigação. O estado do Rio de Janeiro é tão crítico hoje, que as pessoas vivem apavoradas. Há um sentimento de insegurança que não há como não ajudar e apoiar o Rio de Janeiro. Estou indo para lá onde vou tratar exatamente desse assunto. A ideia é fazer um operação que não seja pontual, e que ela vá até o último dia do Governo Temer, ou seja, até 2018, e o Rio é só uma fase do plano nacional de segurança". 

Crise fiscal do Rio de Janeiro afeta a segurança

"O Governador Francisco Dornelles, quando estava em exercício interino, falou que o maior contribuinte de impostos do Estado a Petrobrás, quebrou; o segundo maior contribuinte eram as empreiteiras que trabalhavam para a Petrobrás, quebraram; o terceiro maior contribuinte eram os fornecedores de serviços de obras e as empreiteiras, também quebrou. Então, o Rio entrou num abismo fiscal. O Governo Federal disponibiliza alguns recursos para suprir a necessidade das forças de segurança, mas você tropeça na lei de responsabilidade fiscal. É uma crise enorme de segurança e fiscal. O Rio de Janeiro faliu", afirmou Raul Jungmann. 

Indústrias de defesa no Nordeste

A presença do ministro em Pernambuco tem em pauta uma reunião na Sudene, onde as indústrias de defesa serão discutidas. A ideia é usar do Fundo Constitucional do Nordeste para atrair investimentos para a região. "A indústria de defesa no Brasil representa 4% do PIB, e emprega 60 mil empregos diretos e 240 mil indiretos. Só que ela é profundamente centralizada no Rio Grande do Sul e em São Paulo, então, ao colocar o financiamento aqui do Fundo Constitucional do Nordeste, vamos atrair empresas, e Pernambuco é muito bem vocacionado para essa atração, com universidades de renome e o Porto Digital. Isso favorece a descentralização das indústrias de defesa". 

Uma fábrica de munições do exterior já está no horizonte de Jungmann. "Nós já temos em negociação uma fábrica suíça de munições, um investimento que vai custar entorno de US$ 90 milhões, e esse é só um exemplo. O que funciona é o estímulo econômico, para fazer com que elas venham para cá, e acho que Pernambuco tem condições de atrair essas empresas". 

Defesa de fronteiras

"Em relação as fronteiras, temos que lembrar a extensão das nossas fronteiras. Iniciamos uma operação, utilizando veículos para criar corredores eletrônicos. O tráfico de drogas, principalmente, se dá em duas fronteiras: Paraguai e Bolívia. Os aviões que cruzam a fronteira, em qualquer direção, são forçados a se identificar e ficar neste corredor. Se ele não ficar, um Super Tucano (caça da Embraer) sobe e entra em contato. Caso não obedeça, temos o tiro de advertência e outro de detenção, que se equivale a destruição da aeronave. Tivemos uma redução de 80% dos voos desconhecidos nessa fronteira", finalizou Raul Jungmann.