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Família quer justiça, nada foi feito, diz irmão de jovem morto por PMs em Itambé


Durante protesto por mais segurança em Itambé, estudante foi baleado por PMs e morreu. Caso aconteceu em março deste ano

Publicado em 28/09/2017, às 10:05

Rádio Jornal

Foto: Reprodução

O irmão do estudante Edvaldo Silva Alves, morto após ter sido atingido por policiais militares em um protesto em Itambé, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, disse que a família ainda luta por justiça e que nada foi feito contra os acusados. Em entrevista à Rádio Jornal, José Roberto da Silva Santos confirmou que acompanha o caso com um advogado e prometeu mais um protesto na cidade caso o processo não tenha resolução.

"A família quer justiça, nada foi feito ainda. Os amigos estão preocupados e querem saber o resultado. Tá muito lenta essa justiça. A população de Itambé está revoltada. Se nada tiver sido feito, vamos para rua fazer um protesto. Estarei em cima com o advogado para que coloque esse cara atrás das grades", afirmou José Roberto. 

Policiais já são réus na esfera criminal

O caso aconteceu no início deste ano e mais de seis meses depois os policiais militares ainda não foram punidos. Entretanto, se na esfera administrativa o processo segue a passos lentos, na criminal os quatro PMs envolvidos na ação em Itambé já se tornaram réus.

O capitão Ramon Tadeu Silva Cazé, que deu a ordem para o disparo, responde por homicídio doloso (com intenção de matar) e por tortura. O soldado Ivaldo Batista de Sousa Júnior, que atirou usando uma espingarda calibre 12 carregada com cartucho de projétil de elastômero (bala de borracha), responde pelo mesmo crime. Alexandre Dutra da Silva e Silvino Lopes de Souza, que estavam no momento do protesto, respondem por omissão de socorro.



A Justiça ainda não marcou a data da primeira audiência de instrução e julgamento do caso, quando serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa. O primeiro passo para o juiz definir se os policiais vão ou não a júri popular – como pede o Ministério Público de Pernambuco.

Denúncia da promotoria contraria a Polícia Civil

A denúncia do promotor João Elias Filho contrariou a posição da Polícia Civil. O delegado Pablo de Carvalho, que investigou o caso, havia indiciado apenas dois PMs: o que deu a ordem do tiro e o que atirou. Ambos foram indiciados por homicídio culposo (sem intenção), sob a justificativa de que eles não tinham treinamento adequado para usar a arma e, por isso, eram imperitos.

Na avaliação do promotor, o soldado era tecnicamente habilitado para utilizar a arma com os projéteis de munição não-letal. “Ele aparece empunhando a arma, utilizando técnicas que só quem entende de armas conhece”, disse João Elias, na época. Segundo o promotor, eles descumpriram normas relacionadas à pacificação da manifestação e também do uso de munições de impacto controlado, como distância segura para o disparo e a região do corpo onde mirar.


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Família quer justiça, nada foi feito, diz irmão de jovem morto por PMs em Itambé



Publicado em 28/09/2017, às 10:05


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O irmão do estudante Edvaldo Silva Alves, morto após ter sido atingido por policiais militares em um protesto em Itambé, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, disse que a família ainda luta por justiça e que nada foi feito contra os acusados. Em entrevista à Rádio Jornal, José Roberto da Silva Santos confirmou que acompanha o caso com um advogado e prometeu mais um protesto na cidade caso o processo não tenha resolução.

"A família quer justiça, nada foi feito ainda. Os amigos estão preocupados e querem saber o resultado. Tá muito lenta essa justiça. A população de Itambé está revoltada. Se nada tiver sido feito, vamos para rua fazer um protesto. Estarei em cima com o advogado para que coloque esse cara atrás das grades", afirmou José Roberto. 

Policiais já são réus na esfera criminal

O caso aconteceu no início deste ano e mais de seis meses depois os policiais militares ainda não foram punidos. Entretanto, se na esfera administrativa o processo segue a passos lentos, na criminal os quatro PMs envolvidos na ação em Itambé já se tornaram réus.

O capitão Ramon Tadeu Silva Cazé, que deu a ordem para o disparo, responde por homicídio doloso (com intenção de matar) e por tortura. O soldado Ivaldo Batista de Sousa Júnior, que atirou usando uma espingarda calibre 12 carregada com cartucho de projétil de elastômero (bala de borracha), responde pelo mesmo crime. Alexandre Dutra da Silva e Silvino Lopes de Souza, que estavam no momento do protesto, respondem por omissão de socorro.

A Justiça ainda não marcou a data da primeira audiência de instrução e julgamento do caso, quando serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa. O primeiro passo para o juiz definir se os policiais vão ou não a júri popular – como pede o Ministério Público de Pernambuco.

Denúncia da promotoria contraria a Polícia Civil

A denúncia do promotor João Elias Filho contrariou a posição da Polícia Civil. O delegado Pablo de Carvalho, que investigou o caso, havia indiciado apenas dois PMs: o que deu a ordem do tiro e o que atirou. Ambos foram indiciados por homicídio culposo (sem intenção), sob a justificativa de que eles não tinham treinamento adequado para usar a arma e, por isso, eram imperitos.

Na avaliação do promotor, o soldado era tecnicamente habilitado para utilizar a arma com os projéteis de munição não-letal. “Ele aparece empunhando a arma, utilizando técnicas que só quem entende de armas conhece”, disse João Elias, na época. Segundo o promotor, eles descumpriram normas relacionadas à pacificação da manifestação e também do uso de munições de impacto controlado, como distância segura para o disparo e a região do corpo onde mirar.