CARNAVAL 2022

BEIJA-FLOR: samba-enredo, cores, desfile, rainha de bateria, carnavalesco e história da Escola de Samba do Rio de Janeiro

No Sambódromo, a Beija-Flor quer valorizar a luta, o trabalho, a fé e as artes dos negros na história da humanidade e na origem da escola

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 20/04/2022 às 11:24 | Atualizado em 22/04/2022 às 12:19
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DHAVID NORMANDO
Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis - FOTO: DHAVID NORMANDO
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Última escola de samba do Rio de Janeiro a entrar na Sapucaí pelo grupo especial na sexta-feira (22), a Beija-Flor de Nilópolis chega ao Sambódromo provocando uma reflexão sobre questões como o racismo.

Um das mais famosas agremiações carnavalescas do Rio e terceira maior vencedora no rol das campeãs do carnaval carioca, a Beija-Flor quer valorizar a luta, o trabalho, a fé e as artes dos negros na história da humanidade e na origem da escola. 

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BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS

A Beija-Flor de Nilópolis nasceu nas comemorações do Natal de 1948. Um grupo formado por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Helles Ferreira da Silva, Mário Silva, Walter da Silva, Hamilton Floriano e José Fernandes da Silva, resolveu formar um bloco que, depois de várias discussões, por sugestão de D. Eulália de Oliveira, mãe de Milton, recebeu o nome de Beija-Flor (inspirado no Rancho Beija-Flor, que existia em Marquês de Valença). Dona Eulália foi admitida como fundadora.

Com 14 conquistas (1976, 1977, 1978, 1980, 1983,1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2015[16] e 2018), e ficando apenas atrás de Portela e Mangueira, a escola assume a posição de terceira maior vencedora no rol das campeãs do carnaval do Rio de Janeiro, sendo a que mais venceu na "era sambódromo".

A escola ainda foi vice-campeã em outras 12 oportunidades (1979, 1981, 1985, 1986, 1989, 1990, 1999, 2000, 2001, 2002, 2009 e 2013).

RAINHA DE BATERIA DA BEIJA-FLOR 

Raíssa de Oliveira ocupa o posto de rainha desde 2003, quando tinha apenas 12 anos. Ela pretende entrar para o livro dos recordes como a mulher que permaneceu mais tempo como rainha de bateria de uma escola.

Raíssa se aventurou no mundo da política: foi candidata a vereadora em Nilópolis, na Baixada Fluminense, pelo Avante.

Mesmo tendo atingido a marca de mulher mais votada na cidade, com pouco mais de mil votos, Raíssa não conseguiu se eleger ao cargo do Legislativo.

SAMBA-ENREDO DA BEIJA-FLOR

O enredo, segundo o carnavalesco Alexandre Louzada, é a proposta de um retorno às origens da civilização para que as pessoas possam ter noção da origem brilhante que o povo preto teve. E que foi apagada pela colonização europeia.

LETRA DO SAMBA-ENREDO DA BEIJA-FLOR

Mocambo de crioulo sou eu, sou eu
Tenho a raça que a mordaça não calou
Ergui o meu castelo dos pilares de cabana
Dinastia Beija-Flor

Mocambo de crioulo sou eu, sou eu
Tenho a raça que a mordaça não calou
Ergui o meu castelo dos pilares de cabana
Dinastia Beija-Flor

A nobreza da corte é de ébano
Tem o mesmo sangue que o seu
Ergue o punho, exige igualdade
Traz de volta o que a História escondeu

Foi-se o açoite e a chibata sucumbiu
Mas você não reconhece o que o negro construiu
Foi-se ao açoite e a chibata sucumbiu
E o meu povo ainda chora pelas balas de fuzil

Quem é sempre revistado é refém da acusação
O racismo mascarado pela falsa abolição
Por um novo nascimento, um levante, um compromisso
Retirando o pensamento da entrada de serviço

Versos para cruz, Conceição no altar
Canindé, Jesus, oh, Clara!
Nossa gente preta tem feitiço na palavra
Do Brasil acorrentado ao Brasil que não se cala

Versos para cruz, Conceição no altar
Canindé, Jesus, oh, Clara!
Nossa gente preta tem feitiço na palavra
Sou o Brasil que não se cala

Meu Pai Ogum, ao lado de Xangô
A Espada e a Lei por onde a fé luziu
Sob a tradição Nagô
O grêmio do gueto resistiu

Nada menos que respeito, não me venha sufocar
Quantas dores, quantas vidas nós teremos que pagar?
Cada corpo um orixá, cada pele um atabaque
Arte negra em contra-ataque

Canta, Beija-Flor, meu lugar de fala
Chega de aceitar o argumento
Sem senhor e nem senzala vive um povo soberano
De sangue azul, nilopolitano

Mocambo de crioulo sou eu, sou eu
Tenho a raça que a mordaça não calou
Ergui o meu castelo dos pilares de cabana
Dinastia Beija-Flor

Mocambo de crioulo sou eu, sou eu
Tenho a raça que a mordaça não calou
Ergui o meu castelo dos pilares de cabana
Dinastia Beija-Flor

A nobreza da corte é de ébano
Tem o mesmo sangue que o seu
Ergue o punho, exige igualdade
Traz de volta o que a História escondeu

Foi-se o açoite e a chibata sucumbiu
Mas você não reconhece o que o negro construiu
Foi-se ao açoite e a chibata sucumbiu
E o meu povo ainda chora pelas balas de fuzil

Quem é sempre revistado é refém da acusação
O racismo mascarado pela falsa abolição
Por um novo nascimento, um levante, um compromisso
Retirando o pensamento da entrada de serviço

Versos para cruz, Conceição no altar
Canindé, Jesus, oh, Clara!
Nossa gente preta tem feitiço na palavra
Do Brasil acorrentado ao Brasil que não se cala

Versos para cruz, Conceição no altar
Canindé, Jesus, oh, Clara!
Nossa gente preta tem feitiço na palavra
Sou o Brasil que não se cala

Meu Pai Ogum, ao lado de Xangô
A Espada e a Lei por onde a fé luziu
Sob a tradição Nagô
O grêmio do gueto resistiu

Nada menos que respeito, não me venha sufocar
Quantas dores, quantas vidas nós teremos que pagar?
Cada corpo um orixá, cada pele um atabaque
Arte negra em contra-ataque

Canta, Beija-Flor, meu lugar de fala
Chega de aceitar o argumento
Sem senhor e nem senzala vive um povo soberano
De sangue azul, nilopolitano

Mocambo de crioulo sou eu, sou eu
Tenho a raça que a mordaça não calou
Ergui o meu castelo dos pilares de cabana
Dinastia Beija-Flor

Mocambo de crioulo sou eu, sou eu
Tenho a raça que a mordaça não calou
Ergui o meu castelo dos pilares de cabana
Dinastia Beija-Flor

Oh, oh, oh, oh
(Alô, Brasil! Alô, mundo!)
(O carnaval voltou!)

Autores: J. Velloso, Léo do Piso, Beto Nega, Júlio Assis, Manolo e Diego Rosa
Intérprete: Neguinho da Beija-Flor

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