Saúde

Renata Capucci revela que tem Parkinson. Saiba os sintomas, causas e tratamentos

Conheça mais sobre Parkinson e o que Renata Capucci tem vivenciado

Gabriella Zilma
Gabriella Zilma
Publicado em 27/06/2022 às 14:02
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Renata Capucci é jornalista da TV Globo - FOTO: Reprodução: Internet
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Renata Capucci, jornalista e apresentadora, revelou neste domingo (26) no podcast 'Isso é Fantástico', que recebeu o diagnóstico de Parkinson há quatro anos, no auge dos seus 45 anos de idade.

“Eu fui diagnosticada com doença de Parkinson em outubro de 2018, quando tinha 45 anos. Hoje, eu tenho 49. Eu estava no meio do programa Popstar, que eu participei. Comecei com os sintomas um pouquinho antes. Comecei a mancar e as pessoas falavam para mim: ‘por que você está mancando, Renata?’. E eu falava: ‘eu não estou mancando’. Eu não percebia que estava mancando”, falou a jornalista.

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“Aí fui fazer fisioterapia, osteopatia e a coisa não mudou. E aí em um dado momento, no meio do Popstar, depois do sexto programa, eu estava em casa e o meu braço subiu sozinho, enrijecido. E o meu marido que é médico, logo depois do programa, me levou para um hospital que tinha emergência neurológica e eu fui diagnosticada com Parkinson. Aquilo caiu como uma bigorna em cima da minha cabeça", continou.

"Só que eu estou aqui para dizer isso para vocês, para quem está ouvindo o podcast, porque eu estou viva. Quatro anos depois, eu estou bem, eu sou feliz. Eu não quero virar mártir. Eu não quero que tenham pena de mim. Ao contrário, eu tenho orgulho da minha trajetória. Eu tenho orgulho da maneira como eu encaro essa doença, porque eu encaro ela de frente hoje. Já passei por todas as fases, de depressão, da negação. Hoje, eu estou na fase cinco que eu olho essa doença de frente e eu falo assim: 'Senhor Parkinson, eu tenho você, você não me tem'. Eu faço tudo o que eu posso de exercício, de remédio e eu tenho uma vida positiva. Eu me sinto feliz, apesar de tudo. Eu não sou café com leite por ter uma doença de Parkinson, eu faço todas as matérias. Não me sinto diminuída", concluiu.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é a de que 200 mil pessoas tenham Parkinson no Brasil.

O QUE É O PARKINSON? TEM CURA?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença de Parkinson atinge 1 a 2% da população mundial acima dos 65 anos e aumenta com a idade. A estimativa para o Brasil, é que 200 mil pessoas tenham Parkinson.

O Parkinson é uma doença neurológica, que afeta os movimentos da pessoa. Ocorre por causa da degeneração das células que produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição da dopamina afeta os movimentos, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular, desequilíbrio.

A doença não tem cura, mas os tratamentos disponíveis garantem o mínimo de qualidade de vida para os pacientes.

Com quantos anos o Parkinson aparece?

O mais comum são pessoas acima de 60 anos, porem, uma pequena porcentagem dos pacientes pode desenvolver a doença em idade mais jovem.

"Esses pacientes normalmente apresentam uma etiologia genética (causa genética com gene conhecido) e apresentam diferenças clínicas, quando comparados com os pacientes mais idosos", explica Mariana Moscovich ao G1, neurologista especialista em distúrbios do movimento.

Ela também explica que o Parkinson precoce ocorre entre 21 e 40/50 anos. Já o Parkinson juvenil, o diagnóstico ocorre abaixo dos 21 anos.

Quais as causas?

Acredita-se que a causa da doença seja multifatorial.

"Os genes 'carregam a arma' e o meio ambiente 'puxa o gatilho'. Isso quer dizer que o paciente pode ter uma alteração genética e os fatores ambientais irão ativar ou desativar esse gene", fala a neurologista.

Segundo a especialista, alguns fatores podem aumentar a chance de uma pessoa vir a desenvolver a doença, como fatores de risco ambientais e genética.

"Estudos mostram que de 3 a 5% dos casos de pacientes diagnosticados com a doença de Parkinson podem estar relacionados a uma causa genética. Existem diversos genes que já foram reconhecidos como causadores da doença, alguns com herança autossômica recessiva, outros com herança autossômica dominante", diz.

Quais os sintomas e diagnóstico?

Apesar dos sintomas motores serem a principal característica da doença e determinarem seu diagnóstico, os sintomas não motores são muito importantes por causarem grande impacto na qualidade de vida do paciente, explica a neurologista.

Sintomas motores: Tremor (que pode estar ausente em 20% dos casos), Rigidez, Escrita diminuída, Lentidão, Distúrbio de marcha e equilíbrio.


Sintomas não motores: Depressão, ansiedade, transtornos do humor, apatia, Psicose, Distúrbios cognitivos, Disfunções autonômicas (hipotensão postural, sintomas gastrointestinais, constipação, problemas urinários, disfunção sexual), Distúrbios do sono.

Ainda não há nenhum teste específico para o seu diagnóstico ou para a sua prevenção. Portanto, o diagnóstico da doença é feito com base na história clínica do paciente e no exame neurológico.

Quais os tratamentos?

De acordo com a especialista, entre as terapias disponíveis estão: remédios, cirurgia e atendimento multidisciplinar, que podem fornecer alívio e melhorar a qualidade de vida do paciente.
"As principais medicações disponíveis hoje para serem utilizadas no tratamento dos sintomas motores são a levedopa, agonistas dopaminérgicos e inibidores da MAO-B", afirma.

Moscovich diz que existem novas terapias, em especial para tratar sintomas não motores da doença de Parkinson. Algumas já estão disponíveis nos Estados Unidos e Europa e, em algum momento devem chegar ao Brasil.

Sobre estudos, ela conta que existem estudos em ensaios clínicos para o tratamento de sintomas motores e não motores, assim como tratamentos que visam prevenir, abrandar ou reduzir a progressão geral do Parkinson.

"As investigações sobre neuroproteção estão na vanguarda das pesquisas em doença de Parkinson. Várias moléculas foram propostas como tratamentos potenciais, no entanto, nenhuma delas demonstrou de forma conclusiva a redução da degeneração. A redução da patologia da alfa-sinucleína é o principal foco da pesquisa pré-clínica. Uma vacina que prepara o sistema imunológico humano para destruir a alfa-sinucleína entrou em ensaios clínicos e um relatório de fase 1, em 2020, sugeriu segurança e tolerabilidade", finaliza.

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