Pacto Brutal

GLÓRIA PEREZ se tornou uma verdadeira detetive após morte de Daniella Perez

Ela estava decidida a descobrir tudo sobre o crime

Clara Fernandes
Clara Fernandes
Publicado em 03/08/2022 às 15:42
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REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
Gloria Perez com a filha Daniella Perez - FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
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Apesar do autor do assassinato de Daniella Perez ter sido descoberto poucas horas após o crime, Glória Perez não se deu como satisfeita e decidiu investigar por si só os detalhes da tragédia.

Ela explica todos os seus atos na série documental "Pacto Brutal", da HBO Max. A escritora conta quais foram as suas táticas para descobrir que Guilherme de Pádua não havia agido sozinho.

Na noite do enterro de Daniella, Glória recebeu uma ligação anônima que dizia "Se você quiser saber o que aconteceu com sua filha, vá até o posto", se referindo ao posto de gasolina que a atriz havia abastecido seu carro momentos antes de sua morte.

A partir desse momento, a novelista não descansou até ter todas as informações. Ela foi ao posto todos os dias, até descobrir quem estava trabalhando no noite do crime.

"[Quando eu chegava] Frentistas corriam cada um pra um lado. Um até ameaçou, disse: 'Se eu perder o emprego por causa da senhora, a senhora vai ver'", disse.

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O processo não foi fácil, ela chegou a descobrir que o registro que provava que Daniella tinha abastecido o seu carro ali, havia sido mandado para outro posto do outro lado do Rio de Janeiro e, mais tarde, que todos os frentistas que estavam presentes naquela noite foram demitidos.

Depois de descobrir não o nome, mas uma característica de um dos frentistas, Glória começou a andar pela comunidade em que ele morava até descobrir seu nome e endereço. Quando o achou, surgiu mais um empecilho: fazer ele falar. A autora apelou para a mãe do garoto de 18 anos, Dona Dagmar Bastos. A mãe e o filho tinham medo do envolvimento da polícia.

"Medo, a gente que não conhece muito de Justiça tem medo. O lado mais fraco era eu. [...] Tive pena dela. Pena porque também sou mãe", relatou Dagmar. A mulher só "cedeu" quando viu as fotos de Daniella morta.

>  Leia também: Psiquiatra afirma que Guilherme de Pádua é psicopata; entenda.

Então, o frentista, Flávio Bastos, contou tudo sobre aquela noite e Glória descobriu que Guilherme havia dado um soco na atriz e a deixado desacordada ainda no posto. Em seguida ele a colocou no banco de carona do seu próprio carro e o os dois veículos foram embora.

Além dessa descoberta, a autora também descobriu através de Antônio Clarete, que havia lavado o carro dos assassinos após o crime. Segundo ele, o carro estava cheio de sangue. 

O processo para ele falar também não foi fácil. Glória, mais uma vez, precisou ir diariamente na casa do rapaz para que ele entregasse a informação.

Ambos os homens não quiseram ir depor por medo da instituição que deveria protegê-los, mas apenas ameaçava e feria pessoas  pretas e pobres. Quando Glória soube que Antônio era evangélico, ela suplicou para que a deputada federal Benedita da Silva (PT) falasse com o pastor da igreja do rapaz.

Ao fim, os dois foram testemunhas essenciais para que os culpados fossem sentenciados.

DANIELLA PEREZ é homenageada no último capítulo da novela 'De Corpo e Alma'

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