CRIME

CASO DANIELLA PEREZ: Repórter infiltrada na cadeia de Paula Thomaz detalha experiência: ‘Não era um monstro’

Convivência com assassina de Daniella Perez, Paula Tomaz, é descrita por repórter infiltrada na prisão

Meliah Batista
Meliah Batista
Publicado em 04/08/2022 às 8:27 | Atualizado em 04/08/2022 às 8:28
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Repórter convive com Paula Thomaz na prisão e após caso de Daniella Perez - FOTO: Reprodução
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O caso do assassinato da atriz Daniella Perez, que ganhou uma repercussão gigante na época, hoje voltou à tona com o lançamento do documentário sobre a tragédia.

A repórter Paula Márian usou seu jornalismo investigativo para, sob uma identidade falsa, conviver com a assassina Paula Thomaz na prisão e trazer detalhes da experiência.

ENTENDA O CASO DANIELLA PEREZ

O crime foi cometido e confessado pelo par romântico de Daniella Perez na novela "Corpo e Alma" (TV Globo), Guilherme de Pádua, e pela mulher do ator, Paula Thomaz.

O assassinado aconteceu às vésperas do Réveillon de 1992 e Daniella foi brutalmente atacada com golpes de tesoura pelo casal, até não resistir aos ferimentos.

PAULA THOMAZ

Paula Thomaz estava grávida de Guilherme de Pádua na época em que ambos cometeram o crime e foram condenados a 19 anos de prisão.

O olhar da população sobre o caso Daniella Perez era enorme, assim como a curiosidade para saber o que levou os assassinos a cometerem aquela atrocidade.

Esse foi o fato que levou a repórter Paula Máiran a se infiltrar na cadeia em que Paula Thomaz estava pagando sua pena como Maria do Socorro e observar o comportamento da mulher.

"Maria do Socorro é o nome da minha mãe. Foi o que me ocorreu na hora em que me pediram para criar uma identidade falsa", contou Máiran em entrevista à TAB UOL.

JORNALISTA SE INFILTRA NA CELA DA ASSASSINA DE DANIELLA PEREZ:

Assim que chegou no local, Márian passou a conviver com Paula Thomaz e relatar o dia a dia da presa.

A repórter revelou que a primeira pessoa da cela a lhe oferecer um gesto acolhedor, foi a assassina de Daniella Perez.

"Ela me ofereceu um sanduichinho de patê", disse Máiran.

Com a convivência e pequenos gestos, os relatos da jornalista passaram a se distanciar do esperado.

Márian disse que passou a "descontruir o monstro" que a imagem de Thomaz aparentava anteriormente, o que gerou uma reprovação na mídia.

“A energia na redação estava tão pesada que quase dava para tocar. Em coberturas na rua, colegas de outros jornais diziam: 'Cara, que horror, você virou defensora de assassina?", relatou.

PAULA THOMAZ PAGAVA POR PRIVILÉGIOS NA CADEIA

Paula Máiran contou que Paula Thomaz contratava as presas para fazerem seus afazeres e gostos na cela e pagava bem.

Além disso, revelou que a mãe da assassina abastecia a cadeia com os melhores produtos de higiene.

"A Paula tinha o cabelo comprido, na cintura, e tomava muitos banhos” comentou.

De acordo com a repórter, Paula Thomaz era mais frágil do que parecia, pois tinha constantes crises de choro e ‘sofria sozinha’.

A repórter disse que havia boatos de que Thomaz era envolvida com magia negra e fazia bruxaria, mas que ao chegar na cela, viu a presa guardando uma imagem de Nossa Senhora.

“Lembro de ouvi-la dizer: 'As pessoas falam que seria bom para a minha imagem virar evangélica, mas eu não posso trair Nossa Senhora", contou.

"Eu estava ali para relatar o que vi e senti, e a pessoa que encontrei não era o demônio retratado até então pela imprensa", disse.

"Eu não me considerava uma repórter de polícia, e sim de direitos humanos”, acrescentou.

Mesmo com a desaprovação de vários colegas de trabalho, Márian ganhou a confiança de Paula Thomaz com a matéria.

Dessa forma, sempre que a assassina precisava falar com a imprensa, Paula Máiran era convocada em primeira mão, colhendo os frutos da reportagem.

Veja última cena de Daniella Perez na novela 'De Corpo e Alma'

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