A reta final do Brasileirão tem sido amarga para o Sport. Nos últimos três jogos, o Leão, que luta contra o rebaixamento, conquistou apenas um ponto, saldo que recolocou a equipe na zona de rebaixamento faltando duas rodadas para o fim do certame nacional. Os matemáticos apontam uma chance de queda de 80%, mas internamente o clima ainda é de muita confiança. Na concentração do elenco rubro-negro em São Paulo, o diretor de futebol Aluísio Maluf usou lemas da torcida para crer na permanência na Série A.
"A conta é todo mundo perder e a gente ganhar tudo. Tem duas máximas que aprendi como torcedor do Sport: uma é pelo Sport tudo e essa mais recente que é nunca duvide do Sport. De qualquer forma eu acho que a gente tem que se fechar nessa crença. Temos dois jogos, condições de ficar e vamos lutar até o último minuto. Nós temos condições de ficar na Série A e grande parte da torcida pensa assim", afirmou Maluf em entrevista ao repórter João Victor Amorim, da Rádio Jornal.
O penúltimo compromisso do Sport no ano acontece na próxima segunda-feira (26), às 19h, diante do São Paulo no Morumbi, cenário que não registra nenhuma vitória pernambucana no histórico dos confrontos. Para essa partida, a estratégia adotada pelo clube leonino foi de 'blindar' o elenco e a comissão técnica.
"Foi um jogo de resultado dolorido [diante da Chape], todos nós tínhamos uma expectativa muito grande e positiva. Abalou muito, não adianta o jogador falar, o técnico falar, vai justificar o que? É melhor todo mundo colocar a cabeça no travesseiro e pensar, ter uma folga para se preparar para as duas batalhas. Foi uma ideia em conjunto. A gente pensa, coloca as coisas. Depois do jantar nos reunimos e tomamos a decisão. Os próprios jogadores sentiram a necessidade disso", afirmou Maluf.
O resultado contra a Chapecoense, por sinal, atingiu o elenco, mas não acabou com a confiança e a crença nos resultados positivos. "Nós assumimos essa empreitada faltando 12 jogos para acabar. Estávamos em penúltimo lugar com 97% de chance de rebaixamento. Sentimos na ocasião um desanimo do grupo que aos poucos conseguimos reanimar. Esse jogo eu senti que pegou, a expectativa era muito positiva. Naquele jogo contra o Atlético-MG, que foi o primeiro jogo, que a gente tinha uma expectativa, nós perdemos mas saímos confiantes e retomamos. A gente agora, nessa altura do campeonato, já tá no finalzinho e tomar uma derrota como aquela abalou. Temos que tentar reverter isso aí", comentou o dirigente leonino.
Salários atrasados, premiação e disparidade financeira
O discurso positivo também não muda quando os salários atrasados viram pauta. No momento, o Sport deve três meses de vencimentos aos atletas. A situação alarmante arrefece ao menos no tocante as premiações, já que o clube está em dia com os bichos do elenco e tem uma premiação para o plantel em caso de fuga do rebaixamento. "Existe premiação contra o rebaixamento. Conseguimos criar um clima positivo, de confiança. O presidente tá administrando bem essa situação de credores. O Sport tem dinheiro para receber o dobro do que tem que pagar. Mas ninguém paga o Sport, infelizmente", comentou Maluf.
O dirigente pernambucano ainda revelou que, quando a atual diretoria de futebol assumiu o cargo, um 'esforço pessoal' dos diretores foi feito para que uma folha salarial fosse paga, e isso fez com que, segundo ele, os atrasos salariais se tornassem um assunto tratado as claras com o grupo de jogadores.
"Foi quando a gente assumiu, pagamos uma num esforço pessoal dos diretores. Depois disso as coisas sempre foram colocadas as claras, ninguém fez promessa. Eles sabem que a gente vai pagar, o dinheiro vai entrar. Tem um limite, que é o final do ano. Os contratos finalizam no final do ano, então tem que ser pago. Os jogadores sabem disso. Ninguém chega para mim para me falar sobre salário. O presidente esteve no Rio de Janeiro essa semana e as tratativas estão finalizadas, essa semana teremos novidades", disse Maluf.
A disparidade financeira do Brasileirão foi ressaltada pelo dirigente, que colocou a folha do Sport como uma das menores do certame e destacou jogos que, segundo ele, 'nem parecem de Série A'. Ainda assim, o horizonte com a nova divisão de cotas televisivas foi comemorado.
"O Sport, pelo que sei, é a segunda ou terceira menor folha do Brasileirão. A maior folha é 30x maior que o Sport. É uma luta de Davi contra Golias. Como você pode ter um campeonato disputado se você tem essa discrepância. Tem clubes com três elencos de jogadores que seriam titulares em qualquer time do Brasil. Vários clubes estão nessa situação da gente. Tem jogos que a gente pensa que nem é de Série A. A tendência, com essa mudança na divisão de cotas, o nível vai melhorar", comentou.
Milton Mendes
"Milton é o grande responsável por essa reviravolta que teve, é um estudioso do futebol. Vem daquela escola europeia, tem um nível de exigência e a visão de jogo dele. Ele é um cara muito bem preparado. É uma pessoa que tem toda a confiança da diretoria. Existem os percalços dos jogos, não dá para jogar bem todas as partidas. Sabemos das limitações no nosso elenco", afirmou Maluf.
Eleições no Sport
"Não. Os jogadores daqui de Pernambuco são muito novos. Eu mesmo não estou preocupado com eleição. Meu foco, dos jogadores e comissão técnica, são os jogos. Temos que pensar na permanência do Sport. Até os próprios envolvidos na eleição estão pensando só nisso. Espero que ninguém fale do futebol como um assunto político", diz Maluf.
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