FUTEBOL FEMININO

'O Brasil tem que lutar para sediar a Copa mesmo não estando aonde a gente deseja', disse Aline

A goleira da seleção brasileira falou com exclusividade a Rádio Jornal

Débora Laryne
Débora Laryne
Publicado em 03/08/2019 às 19:36
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FOTO: Reprodução Internet

O Comando Geral deste sábado (03) teve uma entrevistada especial. Aline Villares Reis, goleira da seleção brasileira e do Granadilla Tenerife Egatesa da Espanha. Nascida na cidade de Aguaí, interior de São Paulo, Aline conversou com as repórteres Karoline Albuquerque e Débora Laryne sobre a atual situação do futebol feminino no Brasil e no exterior, a renovação na seleção brasileira com a chegada de Pia Sundhage, educação e Copa do Mundo 2023.

Na visão da goleira, mesmo que o país ainda não esteja preparado para sediar o mundial feminino, a competição pode ser um divisor de águas no incentivo ao futebol e às mulheres.

“Só o fato de sediar um campeonato tão bonito, tão competitivo com as melhores do mundo só tem a beneficiar o Brasil e o futebol feminino e eu espero que isso aconteça. A gente costuma olhar os de fora e pensar que são tudo flores e está tudo certo e são melhores que nós. Tenho amigas, algumas companheiras que jogam no futebol francês e muitas delas dizem que eles ainda se importam muito mais, existe muita desigualdade entre o masculino e o feminino", revelou a jogadora.

É nesse cenário incerto, mas ainda sim positivo que o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino vem buscando sustentação. Para Aline, o primeiro passo para que a modalidade se desenvolva cada vez mais, foi dado durante o mundial da França. Ela acredita que as mudanças vão acontecer dia após dia.

“Eu acho que o primeiro passo em direção desse desenvolvimento, dessa melhora, foi dado durante a Copa do Mundo, que foi a visibilidade, a mídia querendo falar sobre o futebol feminino. A gente pela primeira vez pode receber o carinho do povo brasileiro de um modo muito grande. A mídia pode nos dar um pouco mais de voz. Inclusive, agora essa entrevista que a gente está tendo. Muita gente não tem conhecimento disso. Trazer tudo isso à tona é o mais importante. As mudanças tem que ser passo a passo para que o futebol feminino seja visto com olhos mais profissionais. Sei que tem um longo caminho a percorrer, mas acredito que quanto mais forte nosso campeonato nacional ficar, vai refletir de forma muito positiva na seleção brasileira", afirmou Aline.

Ouça a entrevista na íntegra:

Pia Sundhage

Recém apresentada como técnica da seleção feminina principal, Pia Sundhage chegou com a missão de renovar o ambiente da equipe e trilhar a caminhada em busca do inédito título da Copa do Mundo e do ouro olímpico. Motivada para a próxima convocação, Aline enxerga a vinda da nova treinadora como uma oportunidade de crescimento para a seleção e uma possível volta a titularidade em frente à meta verde e amarela.

"Não tem como negar a motivação e também o entusiasmo em trabalhar com a Pia. Eu, pessoalmente, estou muito ansiosa para trabalhar com ela. É seleção brasileira, a gente nunca está garantida. Por isso cada dia que passa estou aqui dando meu melhor e quero ir super bem para a Pia me notar, me chamar e contar comigo não só nas próximas convocações, mas também nas Olimpíadas, que é o meu objetivo, lutar pela titularidade e lutar pela medalha de ouro", ressaltou a goleira.

Educação

Com mestrado na Universidade Central da Flórida, a educação é uma questão de necessidade para a goleira. "Um atleta completo não é só a questão física ou técnica. O fato de entender a tática, ter um controle emocional, um jogo mental muito forte ajuda o atleta a ser o melhor que ele pode ser. Já tive várias conversas com treinadores, psicólogos do esporte que têm essa opinião de que precisamos expandir nossa capacidade intelectual para extrair nosso melhor dentro de campo. E a capacidade intelectual não quer dizer apenas passar por uma universidade, se formar. Uma pessoa pode ser jogadora de futebol e estudar outras línguas, fazer leituras diariamente, ser curiosa, procurar entender de outros assuntos. Isso pra mim é expandir a capacidade intelectual. Não só conseguir um diploma", finalizou.

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