Grafite sobre decisão de pendurar chuteiras: “Ninguém sabia o sacrifício”

O ex-atacante do Santa Cruz esclareceu sobre a reta final de carreira

SANTA CRUZ
Grafite sobre decisão de pendurar chuteiras: “Ninguém sabia o sacrifício”

Última temporada de Grafite foi em 2017 pelo Santa Cruz. - Foto: Acervo JC Imagem

Davi Saboya | Pedro Alves

Em entrevista na Live do Torcedor, no Instagram do Blog do Torcedor, o ex-atacante Grafite não escondeu o carinho pelo Santa Cruz. O último clube antes da aposentadoria, em 2017, que por sinal, ele não se arrepende e avalia como o momento certo. O ídolo coral também falou sobre o momento atual do futebol paralisado por causa da pandemia do novo coronavírus, o futuro retorno ao Arruda e a nova rotina como comentarista dos canais Sportv.

CONFIRA

ROTINA

Estou passando grande parte da quarentena no Recife. Eu e minha família. Há um mês e meio. Temos nos cuidado bastante e as minhas filhas tendo aula virtual. Algumas vezes vou no Rio de janeiro gravar alguns programas. Mas, é isso, esperando tudo isso passar pra nossa vida voltar ao normal.

COMENTARISTA

É uma vida diferente. Mesmo viajando e cobrindo muitos jogos. Só que é uma rotina mais livre. A vida de jogador é bem melhor, porém, estou gostando bastante de comentar.

JOGADORES

Eu sempre falo com os atletas que conheço quando comento o jogo deles. Outro dia em goiana, Derley saiu para comer com o pessoal depois de um jogo em Goiânia. Encontrei ele e bati um papo bacana. Procuro sempre avaliar a situação do jogador em campo, mas não vou afundo porque ainda penso muito nas variáveis dos atletas. Não quero causar nenhum constrangimento.

SANTA CRUZ

O Santa Cruz e a minha imagem estão sempre juntos. Não vejo problema algum. Tive quatro passagens pelo clube. Alguns boas, algumas ruins. O torcedor sabe que o carinho é recíproco. Eu gosto muito dessa relação.

 

PRESIDÊNCIA

Ouço a pergunta sobre ser presidente desde que parei de jogar. Ser presidente do Santa Cruz, um clube desse porte, não é fácil. É preciso se capacitar. Sei que sozinho não vou mudar nada lá dentro. Sei que é difícil o dia a dia. Muitos tentaram e não conseguiram. Sei que um dia vou voltar e quero procurar ajudar o santa cruz. isso da mesma forma que fiz dentro do campo.

APOSENTADORIA

Não foi fácil tomar a decisão de parar. A minha passagem pelo Atlético-PR não foi boa. Me lesionei muito lá. contundi o tendão de aquiles e isso me atrapalhou. Eu era um jogador que dependia da condição física para jogar bem, de treinar sempre. E fiz três cirurgias no joelho. Quem acompanhava o Santa Cruz sabia que a rotina era desgastante. E é para todo time do Nordeste. Isso pesa para um jogador de 37 anos. Quando se está no eixo fica mais fácil essa parte. Voltei para o Santa, as lesões atrapalharam, outras situações fora do campo também, e resolvi parar. Quando chega nesse estágio é melhor ter a noção do momento de parar do que as pessoas fazerem isso por você. Já vinha recebendo críticas. No entanto, ninguém sabia o sacrifício que era. Mas estou contente e feliz seguindo a minha vida.

LEMBRANÇA

Guardo os momentos feliz e marcantes no Santa Cruz. Lembro do meu primeiro jogo pelo Santa Cruz contra o Internacional na Série A com o Arruda lotado. Não acreditei quando entrei campo e vi o arruda lotado. Na terceira passagem, a apresentação. Liguei para o presidente Alírio (Moraes) e não acreditei quando ele falou que eu iria chegar de helicóptero. E não acreditei quando vi tanta gente lá no Arruda numa quarta-feira à tarde me esperando. Teve a reestreia contra o Botafogo. Os títulos do Estadual e Copa do Nordeste, onde paguei uma dívida com o clube de conquistar títulos. Enfim, são muitos momentos marcantes. Tenho certeza que ainda virão outros. Um dia eu voltarei. Tenho convicção disso. E teremos fatos felizes.

2016

Eu acho que a equipe de 2016 pode figurar como uma das melhores na história do clube pelo nível da equipe e dos jogadores. Mas uma série de fatores pesaram nesta temporada. A logística, por exemplo. É muito desgastante e difícil. Acho que um clube da região nunca vai conseguir conquistar uma Série A. Aí teve também uma troca excessiva no comando, atrasos de salários, excesso com hotel, essas coisas, gasto que não era necessário. A falta de pagamento pesou porque aquele time não tinha jogadores com condições estáveis. Os jogadores caíram de produção pelo desgaste também. Foi uma série de fatores. Não adianta dizer que foi culpa da diretoria. Vejo até hoje torcedor lamentando e sem entender.

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