Dificuldades, choro e alegria: André é a representação do torcedor do Santa Cruz em campo

O volante concedeu entrevista exclusiva ao repórter João Victor Amorim, da Rádio Jornal

FUTEBOL
Dificuldades, choro e alegria: André é a representação do torcedor do Santa Cruz em campo

André, volante do Santa Cruz, realizou o sonho de virar jogador de futebol profissional - Foto: Cristiano Fukuyama/Santa Cruz

Robert Sarmento | Twitter: @robert_sarmento

‘’Não tem essa de glamour’’. A frase do volante André, de apenas 20 anos, resume grande parte da situação real dos jogadores do futebol brasileiro. De origem humildes, muitos buscam no esporte mais popular do mundo a chance para mudar de vida. O jovem promessa (ou já realidade?) do Santa Cruz não é exceção à regra. Com a infância e adolescência vivida na periferia de São Paulo, as dificuldades estiveram no caminho até conseguir transformar em realidade o sonho de ser jogador profissional na temporada deste ano.

‘’Eu morava em uma favela em São Paulo e era um local de risco. Começou a chover bastante e o terreno foi cedendo e as casas caíram. Foi uma cena muito triste. Com 13 anos, eu subi o morro para ajudar crianças e idosos, que não conseguiam descer sozinhas, enquanto chovia e as casas caíam’’, relembrou André, em entrevista exclusiva ao repórter João Victor Amorim, da Rádio Jornal, que ainda batalha para conseguir entregar uma casa própria aos pais.

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De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Esporte Executivo, em parceria com a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), divulgada em maio de 2020, 75% dos jogadores no Brasil recebem salários abaixo de R$ 7 mil por mês e apenas 10% ganham acima de R$ 40 mil. Ao todo, foram mais de 500 atletas de todos os Estados e divisões entrevistados.

‘’Não tem essa de glamour. Existem muitos ‘Andrés’ que desistiram, entrando na vida do crime, que eu conheci na minha comunidade, não chegaram até aqui. o que mais se encontra é bom jogador, mas que desistiu. Foram para o caminho errado. Já perdi alguns amigos assim. Felizmente, eu tive cabeça e meus pais me ajudaram muito para saber o que é vida real e não ilusão e eu pudesse viver o meu sonho (de ser jogador)’’, contou.

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Chegou o Santa! - @rafaelmelofoto / Santa Cruz

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Primeiro contrato 

Ao conseguir o primeiro contrato profissional assinado aos 16 anos, quando acertou com o Garulhos/SP, e tendo passagem pelas categorias de base do Internacional, André utilizou o dinheiro que ganhou para ajudar os pais, que ainda moram em São Paulo.

‘’Tenho que ir atrás dos sustentos (da família). Me deram tudo (os pais), mesmo quando não tinham nada. Às vezes, tínhamos que dividir para quatro pessoas e meus pai trabalhavam com fome para a gente ter o alimento no outro dia. Eu percebi que era o momento de amadurecer. A primeira coisa que eu fiz quando recebi o salário, o primeiro e o segundo mês, eu mandei tudo para eles’’, revelou.

Destaque no Santa Cruz

A vida de André começou a mudar quando ele se destacou pelo Santa Cruz na Copa São de Paulo Futebol Júnior de 2020. As três partidas disputadas, mais os treinamento no time principal, convenceram o então treinador do clube, Itamar Schulle, que o garoto precisava de uma chance.

Os erros, de acordo como o próprio André, como na final contra o Salgueiro, onde o Tricolor perdeu nos pênaltis e o volante desperdiçou a última cobrança, fizeram o jovem atleta ganhar massa gordurosa, após não conseguir dormir e se alimentar direito, e ser cobrado pela comissão técnica para manter o bom rendimento. Situações que já serviram como lição e fazem parte da evolução de um atleta que busca o alto nível. 

‘’É difícil um jogador fazer corpo mole. Existem várias possibilidades e assuntos, que pai não vou entrar, mas sempre existe a imperfeição. Nunca querendo errar. Desde quando ingressei na carreira, nunca fiz corpo mole. Cada bola é um parto de comida. Por se mais novo, erro um pouco e é por querer estar lá (bem na partida). Estou vivendo meu sonho e sempre procuro dar o máximo. É real e não um sonho. Tenho sempre que dar o meu máximo’’, afirmou o volante. 

Amadurecimento e emoção

Desde que chegou ao time profissional, André se consolidou como titular do Santa Cruz. Em 18 partida, até o momento, o jovem ganhou destaque pela imposição na marcação e a calma para sair jogando na função de ‘primeiro homem do meio de campo’, como se diz na linguagem futebolística. O número de jogos pela Cobra Coral vai aumentar. É fato. E a contagem recomeça nesta sábado (19), no duelo diante do Manaus pela 7ªrodada da Série C, na Arena da Amazônia. 

O volante ainda não conseguiu fazer o primeiro gol como profissional. Mas, cá entre nós, para quem passou por tanta dificuldade, poder realizar o sonho de infância já é motivo de alegria. Principalmente, quando André lembra dos pais e do choro da mãe por não ter dinheiro para pagar as contas e, principalmente, comprar algo para o filho. O gol um dia vai acontecer e será mais uma forma de expressar a alegria e o bom momento em campo e na vida.

‘’Já carreguei tijolo, fui gandula, ajudei a cuidar de criança… Eu fazia de tudo um pouco para dar o dinheiro aos meus pais comprarem um lanche, não trabalharem com fome e pagar o ônibus. Minha vida é resumido a isso: batalha, conquista e ajudar eles sempre. Toda vez que eu lembro quando foi difícil, eu pedia para ir ao mercado e ela chora porque não tinha um real. É impossível não me emocionar’’, chorou durante a entrevista o jogador. 

O jogador ainda pertence ao Guarulhos/SP e tem contrato de empréstimo com o Santa Cruz até dezembro de 2021. O clube coral detém 40% dos direitos econômicos do jogador. O volante André da Silva Lima tem 20 anos teve a primeira oportunidade contra o ABC/RN, pela Copa do Nordeste, no dia 13 de fevereiro de 2020.

Transmissão

O confronto tem transmissão do Escrete de Ouro, com a narração de Alexandre Costa, os comentários de Ralph de Carvalho e Maciel Júnior, reportagens de João Victor Amorim e Marcelo Araújo, no plantão esportivo e Resumo Final. O torcedor coral pode acompanhar através do site, aplicativo e agora no You Tube da Rádio Jornal, em qualquer lugar do mundo, além das frequências AM e FM espalhadas por todo e Estado de Pernambuco.

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