CRÍTICA

Narrador do Escrete de Ouro critica momento do futebol pernambucano: 'a origem do fracasso são os clubes devendo demais'


Roberto Queiroz ressaltou as administrações irresponsáveis nos três clubes, que acumulam elevados passivos

Rádio Jornal
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Publicado em 19/01/2021 às 18:13
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A atual situação do futebol pernambucano está desagradando não só aos torcedores, mas também àqueles que acompanham de perto a situação dos clubes e atuam na crônica esportiva. Diante de uma temporada 2020 bastante abaixo dos nossos representantes (Central, Afogados e Salgueiro não tiveram sucesso na Série D; o Santa Cruz fracassou e não conquistou o acesso; e Náutico e Sport brigam para escapar da zona do rebaixamento das Séries B e A, respectivamente), o narrador do Escrete de Ouro, Roberto Queiroz, fez duras críticas a situação atual dos clubes do Estado, que acumulam além de fracassos dentro de campo, dívidas milionárias.

"Apontar pessoa não, mas apontar administrações irresponsáveis. Precisamos dizer. Eu mesmo digo e quem quiser ficar com raiva de mim que fique. Tivemos administrações irresponsáveis em todos os três clubes. Pra chegar a esse endividamento desse e não ter um título nacional ou um título de grande importância. Ultimamente só teve o Sport, campeão da Copa do Brasil em 2008", declarou Roberto Queiroz.

O narrador da Rádio Jornal ainda frisou sobre os gastos excessivos nos últimos anos e pouco retorno. "O que vamos esperar de uma empresa cujos administradores, até porque foram vários e foram amontoando... Você dirige uma empresa que o faturamento é de R$ 10 milhões por ano e gasta R$ 20 milhões, o que vai acontecer? Fica um passivo de R$ 10 milhões ao final do ano. Isso vai juntando. Chega um e faz (a dívida) e bota pro outro pagar. Outro deixa e entram na Justiça do Trabalho... Que demora, mas quando vem (a sentença) é uma cacetada pra pagar. Acho que a origem do fracasso do futebol da gente é esse aí: clubes devendo demais", disparou.

O radialista, que tem mais de 45 anos de profissão, ressaltou que atualmente os adversários do times pernambucanos são outros. "Hoje não perdemos mais para São Paulo, Palmeiras, Corinthians e para outros não... No caso do Náutico mesmo, ocupa a 16ª colocação. Está na frente apenas de Vitória, Paraná, Botafogo-SP e Oeste. Está atrás de Chapecoense, América-MG, Cuiabá, Juventude, CSA, Ponte Preta, Operário de Ponta Grosa, que tem 50 e poucos pontos, Sampaio Corrêa, Guarani... Esses clubes estão na frente do Náutico, classificados e com tranquilidade. Já o Náutico está lutando desesperadamente e a gente nem sabe se o Náutico escapa do rebaixamento", comentou Roberto Queiroz, demonstrando preocupação com o time alvirrubro.

O fracasso do Santa Cruz também não escapou das críticas do narrador do Escrete de Ouro. "O Santa Cruz perdeu a classificação para o Brusque, com todo respeito ao Brusque. O Vila Nova é do nosso nível (dos times pernambucanos), mas perder a classificação para o Brusque, pelo amor de Deus", contestou Roberto Queiroz.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA

Um outro ponto que foi cobrado pelo integrante do Escrete de Ouro foi a falta de transparência que existe no Trio de Ferro da capital. "Acho que os clubes precisam mudar os seus estatutos para que as contas sejam claras para todos: conselheiros, torcedores, diretores. Que as coisas sejam feitas claramente para todo mundo tomar conhecimento do que entrou e do que saiu. Do que fatura e do que se gasta: transparência. Acho que esse é um ponto fundamental para que os clubes possam começar a entrar nos eixos. Gastar o que tem e o que ponde. Não se pode gastar além do que se fatura", concluiu o narrador.


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