Confira a 1ª reportagem da série "Sim, sou negro!" - maior aceitação da raça no Brasil

Da Rádio Jornal
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Publicado em 18/08/2012 às 17:02
Elton Ponce e Érick França Especial para a Rádio Jornal O negro está se aceitando mais no Brasil. Pela primeira vez a população negra é oficialmente declarada majoritária. Segundo dados do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, ficou constatado que 97 milhões de pessoas se dizem negras (pretas e pardas) contra 91 milhões de pessoas brancas, ou seja, 50,7% e 47,7% respectivamente. O que será que motivou a maior identificação de pretos e pardos com sua cor? Essa auto-aceitação é chamada de desejabilidade social. Há alguns anos, a população negra era desvalorizada socialmente, o que fazia com que ela desejasse ser branca. Mas, a partir do último censo ela quis se identificar e gritou para o mundo: - sim, sou negra. Mesmo assim, alguns afrodescendentes ainda não se identificam com eles mesmos. Seria uma autodiscrminação, ou seja, a não aceitação de sua cor de pele, tipo de cabelo, ou membros do corpo.  A advogada e coordenadora do Observatório Negro do Recife, Ana Paula Maravalho, conta no vídeo o que seria a auto-afirmação negada. O orgulho de ser negro vem de algo que sempre existiu, mas que o negro foi apartado daquilo que era o sentido de um do valor de si próprio, a cor de sua pele e o formato do seu nariz tinham um sentido de inferioridade. A partir da criação do Movimento Negro Unificado (MNU), fundamentalmente, houve uma releitura dos preconceitos e aquilo que o negro havia sido apartado de si mesmo, ele passou a incorporar a sua vida não na dimensão do desvalor, mas de um valor de orgulho e de ordem máxima, conta o Mestre em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), professor Silvio Ferreira. Ele ainda explica que os negros que não se orgulham de si próprios e nem vêem valor em si mesmos, ao invés de estabelecerem o valor deles através deles próprios, eles estão se vendo pelo retrato que deles foi radiografado pelo colonizador. Eles se enxergam a partir do olhar de quem o colonizou, de quem o desprezou, relata Silvio Ferreira.

Na próxima matéria da série Sim, sou negro você vai conferir como a auto-valorização do negro atinge o seu visual e estilo. Ouça, abaixo, a primeira matéria da série Sim, sou negro divulgada nesta manhã nas Rádio Jornal e JC/CBN.