Estudo indica a diminuição na diferença salarial entre brancos e negros

Da Rádio Jornal
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Publicado em 21/08/2012 às 17:10
Elton Ponce e Érick França Da Rádio Jornal Inserir o negro no mercado de trabalho vai muito além de reservar vagas para eles. A inserção parte da valorização da educação, passando pela afirmação da autoestima do afrodescendente. Essa soma resulta na ocupação de postos de trabalho com salários mais altos por parte dos negros. A partir de políticas afirmativas do governo, já se pode perceber ao aumento da quantidade de negros ocupando postos de trabalho mais importantes. Se comparado com os brancos, principalmente na ala jovem, o resultado é animador. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, vinculado ao Ministério do Planejamento, realizou estudo que indica diminuição na diferença salarial entre negros e brancos mais jovens. O estudo (baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), aponta que trabalhadores brancos com 35 anos de idade ganham 60% a mais que os negros. Aos 50 anos, a distância sobe para 90%. Já os trabalhadores brancos com mais de 60 anos ganham mais que o dobro dos negros. Esse pode ser um indicador da diminuição da discriminação no Brasil. O doutor Joaquim Varela Moreira, Angiologista e Cirurgião Geral do Hospital da Restauração, no Recife, acredita que o Brasil é o país das oportunidades para os negros. É importante ressaltar que, apesar da melhora, a participação do negro nos cargos de maior importância ainda é muito discreta, se comparada aos brancos. Contrariando as estatísticas, a procuradora do Ministério Público de Pernambuco, Maria Bernadete Figueiroa, afirma que o afrodescendente ainda continua em segundo plano no mercado. O esforço que vem sendo feito pelo sistema de cotas, por exemplo, vai ser um caminho que vai desconstruindo essa desigualdade que, ao longo desses anos, imperou e ainda impera no Brasil, concluiu a Procuradora. Para que o negro continue ganhando seu espaço, é necessário, como falamos na primeira matéria da série, se aceitar como tal. Ana Paula Maravalho, advogada e coordenadora do Observatório Negro de Pernambuco, explica que o primeiro passo para ganhar espaço no mercado de trabalho e se aceitar como negro, é compreender o que é o racismo. Ouça a terceira matéria do especial "Sim, sou negro", de Érick França e Elton Ponce