Antiga redatora da Rádio Jornal conta experiências vividas durante mestrado na Espanha

Da Rádio Jornal
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Publicado em 16/10/2012 às 10:40
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Por Ismaela Silva
Especial para a Rádio Jornal

E não é que o comunicador da maioria, Geraldo Freire, resolveu dar uma volta na Espanha?! Pois é, não estranhe se você tiver sentido a falta dele no Super Manhã destas segunda e terca-feira (16), esta foi mais uma das espontaneidades típicas e encantadoras do aventureiro Geraldo. Há quem diga que ele veio me visitar, mas infelizmente não nos encontramos, porém essa peraltice dele abre espaço para eu falar um pouquinho dessa linda terra para vocês, internautas-ouvintes da Rádio Jornal.

Aos que não sabem, me chamo Ismaela Silva e fui estagiária da Rádio Jornal por um bom tempo, passando em seguida a ser redatora do site desta amada rádio. Há pouco tempo me despedi desta equipe radiofônica, para (assim como fez Geraldo) me aventurar na Espanha. Na verdade não é bem uma aventura, pois venho fazer um mestrado em Comunicação com Fins Sociais, na Universidade de Valladolid, mas essa oportunidade permite conhecer muito desse país com tantos pontos comuns e ao mesmo tempo tão diferente do Brasil, mas que tem tantas coisas para ensinar e também para aprender do Brasil: a Espanha.

A partir da própria língua, o idioma espanhol, já começamos a nos sentir à vontade com a cultura hispânica. Claro que não se pode acreditar que o espanhol seja demasiado fácil pela proximidade com o português, mas temos que admitir que a existência de palavras parecidas ou até mesmo iguais as vezes ajuda muito. Ou também pode atrapalhar, claro. Mas sem dúvida é algo que nos une.

Já nos primeiros passos dados por aqui é impossível evitar o choque da comparação natural de alguém que nunca havia saído do Brasil, como é o meu caso. Cheguei aquí na velha terra no dia 30 de agosto, ainda em meio ao clima seco do verão europeu, e confesso que a primeira coisa que senti foi a falta das cores, ao me deparar com a paisagem mediterrânea de pouco verde e muito marrom. Mas foi só uma questão de adaptação, hoje após um mês e meio de Espanha, já pude ver muito mais que o marrom inicial da chegada, como o verde e o dourado dos lindos bosques, alamedas e florestas de pinheiros que cobrem os picos da cidade de Segovia, na província de Castilla y León, onde eu vivo.

Naturalmente também é de chamar atenção desta marinheira de primeira viagem internacional a limpeza e organização de um país de primeiro mundo. Pegar um mapa e uns guias de ônibus e trem e poder visitar qualquer coisa sozinha numa cidade estranha é algo realmente muito bom, pois a sinalização perfeita e a pontualidade dos transportes públicos serve de exemplo para qualquer lugar do mundo.

Por outro lado há costumes que chocam um pouco, especialmente a uma brasileira acostumada a pasar o dia inteiro no pique de trabalhar e estudar das 7h às 23h e resolver burocracias o dia inteiro. A “siesta” e os horários espanhóis são coisas que sem dúvida mexem com o nosso relógio biológico. Chega a ser incrível a coragem de parar tudo por pelo menos duas horas no meio da tarde e dedicar esse tempo não somente ao descanso, mas também à família e ao almoço familiar. É realmente um costume que eu não me atrevo a questionar, a pesar de já ter sofrido um pouco com o fato de que a vida por aqui começa por volta das 9h e depois das 14h já não se pode contar mais com bancos e despachos oficiais da polícia ou “extranjería”, por exemplo.

Em contrapartida, a vida nas ruas espanholas vai até altas horas e eles sabem aproveitar bem o dia através dos prazeres mais simples. Se nota isso desde os pais que passeam pelas ruas com bebês em carrinhos no fim de tarde, até os casais mais idosos que vão petiscar juntos nos bares de tapas ou mesmo sentar num banco da praça pra jogar baralho. Além é claro dos jovens, especialmente universitários, que garantem o movimento diario dos bares com o hábito de “sair de festa” ou “sair de tapas” (que pode ser tanto ir num barzinho comer um petisco e tomar algo ou fazer um tour por várias boates em uma noite só) quase todos os dias. É muita disposição!

Mas uma coisa em particular que não só me encantou, mas que também me fez sentir em casa por aquí, foi o fato de que eu não demorei muito para encontrar na mina turma de mestrado pessoas que também são apaixonadas pelo rádio e ver que a universidade investe na área radiofônica. Seguramente terei a possibilidade acompanhar um pouco da prática desse trabalho aqui no velho mundo e de compartilhar essa experiência com o Brasil.

Sem dúvida, cada dia vivido aqui é uma experiencia única e uma oportunidade de aprender algo novo, quebrar paradigmas e se encantar com a beleza de viver novas culturas. Infelizmente as pessoas têm o mal habito de cultivar pré-conceitos, o que é quase natural do homem, e é impossível sair do seu país para visitar outro sem ouvir coisas do tipo: “cuidado com isso”, “cuidado com aquilo”, “em tal lugar as pessoas são assim”, “você vai sofrer com tal coisa”, etc. Porém, na prática, o que eu posso dizer é que nada é tão estranho, tão frio, tão assustador, tão difícil ou tão diferente como tentaram me advertir antes de viajar. O homem tem a mesma essência em qualquer lugar do mundo e apenas quer ser compreendido e respeitado. Seja qual for a nacionalidade, todos têm muito a ensinar e também a aprender uns com os outros. O que mais vale a pena em viajar é permitir que esse intercâmbio aconteça, inclusive de fora para dentro.

Até a próxima!

Todo dia é dia de “Sair de Tapas” ou “Sair de festas”:

Na hora da Siesta tudo é recolhido e os estabelecimentos fecham:

Plaza mayor de Valladolid, capital de Castilla y León:

Salamanca:

Segovia:

Na verdade o cenário nem é tão marrom. Também tem muito verde:

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