Bom momento vivido pela sétima arte no estado se deve à independência narrativa dos realizadores

Da Rádio Jornal
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Publicado em 26/11/2013 às 0:00
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Houldine Nascimento e Túlio Vasconcelos Da JC News Nesta segunda-feira (25), teve início na Rádio JC News uma série de reportagens intitulada Cinema pernambucano: uma história de ousadia, que trata sobre o bom momento vivido pelo cinema local. som ao redor Filme O som ao redor é o representante do Brasil no Oscar 2014. Foto: Divulgação / Cinemascópio Pernambuco sempre foi um forte polo de produção cultural. Música, artes plásticas e festas populares são famosas em todo Brasil pela originalidade. O nosso estado também se mostra produtivo quando o assunto é fazer cinema. O cinema feito em Pernambuco tem revelado novos talentos e emplacado vários filmes. Dirigido por Kléber Mendonça Filho, O som ao redor é o longa brasileiro de maior repercussão internacional dos últimos anos. [Ouça a matéria especial dos repórteres Houldine Nascimento e Túlio Vasconcelos] No quesito qualidade, basta contabilizar prêmios acumulados pelas obras de forte traço autoral. A longa lista tem os kikitos de filme, trilha, ator e prêmio do júri para "Tatuagem", de Hilton Lacerda, no Festival de Gramado deste ano. Além disso, o filme arrebatou cinco troféus no Festival do Rio, que premiou Marcelo Gomes na direção com "O homem das Multidões". tatuagem Tatuagem, de Hilton Lacerda, é ambientado na ditadura e traz romance entre soldado e artista. Foto: Divulgação / Rec Produções O multipremiado "O som ao redor" passou por 14 festivais internacionais, incluindo o de Roterdã, na Holanda, onde faturou o prêmio da crítica. Em 2012, o filme acumulou prêmios nos Festivais do Rio, Gramado, também de som e de crítica, Polônia, Copenhague e Sérvia. Em setembro, a produção foi escolhida pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar 2014, na categoria filme estrangeiro. Kléber Mendonça aproveitou para ressaltar a importância do simbolismo regional do longa-metragem. Que ninguém pense que esse boom vivido pelo cinema pernambucano ficará na história como mais um ciclo. Desta vez, eles vieram para ficar e proliferar. Por aqui, já houve o Ciclo do Recife, dos anos 2O aos 30, e o Ciclo do Super 8, nos anos 70. O crítico e professor do curso de Cinema, Paulo Cunha, comenta o pioneirismo da produção local. jomard-muniz-de-britto Cineasta Jomard Muniz de Britto é um dos nomes importantes do Ciclo do Super 8. Foto: Revista O Grito Representante do Super 8, o diretor Jomard Muniz de Britto destaca que o movimento procurava desafiar a ditadura. O Recife é considerado o maior canteiro de transgressão narrativa do Brasil desde a retomada. Essa safra de novos cineastas recém-chegados aos longas está empenhada em explorar linguagens mais sérias que a dos responsáveis pela consagração audiovisual do estado nos anos 2000. Na visão de Paulo Caldas, cineasta de "Baile Perfumado" e "Deserto Feliz", a boa repercussão dos filmes produzidos por aqui é reflexo da vocação cultural do estado. baileperfumado.jpeg Baile Perfumado é um marco da retomada do Cinema Pernambucano. Foto: Reprodução / Internet Nos últimos anos, eles surpreenderam plateias ao tratar com sofisticação formal e diálogos críticos a violência, o sexo e convenções mediadas pelo ranço coronelista do Nordeste, olhando para o submundo do Recife, para a zona da mata e o maracatu ou para o passado. Mas essa nova geração quer ir além, retratando Pernambuco com mais radicalismo visual. O diretor de "Pacific", Marcelo Pedroso, observa a produção do estado de forma heterogênea. A próxima reportagem da série, que conta com os trabalhos técnicos de Tony Vasconcelos, vai ao ar na terça-feira (26) e aborda o financiamento para a produção de filmes.

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