Pernambuco se despede do paraibano Ariano Suassuna

Da Rádio Jornal
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Publicado em 24/07/2014 às 19:00
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Atualizada às 18H55 ariano3 Foto: Reprodução / Internet Nesta quinta-feira (24), familiares, amigos e fãs de Ariano Suassuna homenagearam o dramaturgo, no cemitério Morada da Paz, município de Paulista. O artista foi enterrado às 16h desta quinta-feira, acompanhado de uma marcha fúnebre. Alguns famosos, como a cantora Lia de Itamaracá estiveram presentes no último adeus ao escritor.. Ariano Suassuna faleceu às 17h15, da quarta-feira (23), com parada cardíaca provocada pelo agravamento de um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico. A presidenta Dilma Rousseff veio a Pernambuco para o velório do escritor. Ela chegou ao Recife por volta das 13h10 e seguiu para o Palácio do Campo das Princesas. O ex-governador e candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, também esteve na cerimônia. velorio 2 Foto: Houldine Nascimento / JC News A repórter Clarissa Siqueira esteve no Palácio do Campo das Princesas, onde o escritor foi velado. O cortejo seguiu para o cemitério Morada da Paz, no município de Paulista,  e o artista deve ser sepultado às 16h.  Fãs, amigos e familiares prestaramm últimas homenagens a Ariano: Ariano Vilar Suassuna nasceu na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, passando parte da infância no município de Taperoá. A mudança para o Recife ocorreu na década de 1940, quando escreveu a primeira peça de teatro. Formado em Direito, se dedicou às artes, sendo professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O escritor foi fundador do Conselho Federal de Cultura e secretário de Cultura nos governos Miguel Arraes. Ariano Suassuna fala das primeiras experiências, das lembranças do passado e da época em que morou em Taperoá (PB): Na década de 1970, Ariano Suassuna ajudou a fundar o Movimento Armorial, uma junção da arte erudita nordestina com raízes populares. O intelectual fala dos primeiros passos do Quinteto Armorial, uma forma de superar o fracasso de não ser músico: Confira abaixo o soneto O amor e a morte, de autoria própria, declamado pelo intelectual defensor da cultura nordestina. A morte do escritor Ariano Suassuna repercutiu na imprensa nacional e nas redes sociais. Ele deixa a esposa viúva, Zélia Suassuna, os filhos Joaquim, Maria, Manoel, Isabel, Mariana e Ana Suassuna, além de 15 netos. O governador de Pernambuco, João Lyra Neto, decretou luto oficial de três dias. O socialista comenta a partida do poeta: Amigo de longas datas, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não escondeu a emoção ao falar de Ariano Suassuna. O socialista afirma que o escritor, poeta e dramaturgo deixa um importante legado para o País: A presidenta Dilma Rousseff afirmou que guarda ótimas recordações dos encontros e histórias vividas com Suassuna. O Brasil perdeu hoje uma grande referência cultural. Escritor, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna foi capaz de traduzir a alma, a tradição e as contradições nordestinas em livros como Auto da Compadecida e Romance dA Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. A obra de Suassuna é essencial para a compreensão do Brasil, disse em nota. >> Defensor da cultura nordestina, torcedor e militante político: o perfil do sempre bem humorado Ariano Suassuna Aos 87 anos, o escritor, poeta e dramaturgo mantinha uma rotina de trabalho com as aulas espetáculo. Na última sexta-feira (18), no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), ele chamou a morte de Caetana e disse que será imortalizado pelos personagens que criou. ariano-AS-580 destaque news Foto: Alexandre Severo / JC Imagem Ariano Suassuna também ficou conhecido pelas frases de efeito quando comentava a cultura e os artistas estrangeiros. Não troco meu oxente pelo ok de ninguém era um clássico dele. Em 2002, o intelectual foi tema da escola de samba do Rio de Janeiro, Império Serrano. Seis anos depois, seria homenageado pela Mancha Verde, de São Paulo. Este ano, a maior agremiação carnavalesca do mundo, o Clube De Máscaras Galo da Madrugada, homenageou o escritor paraibano. Nas alegorias, os destaques eram para as obras A pedra do reino, Cavalgada e o Auto da Compadecida, peça teatral levada para a televisão e para o cinema. Ouça uma trecho de entrevista com ele feita pelo jornalista Rafael Souza e exibida em março. O presidente do Galo da madrugada, Rômulo Menezes, relembra o convívio com essa personalidade nordestina: A trajetória literária de Ariano Suassuna se confunde com o drama pessoal de perder o pai, assassinado por motivos políticos durante a Revolução de 1930. O legado é vasto com as peças teatrais Uma mulher vestida de sol, O casamento suspeitoso e O santo e a porca; os romances história de amor de Fernando e Isaura e A pedra do reino e o príncipe do sangue do vai e volta e muitas outras obras. O escritor Raimundo Carrero afirma que o colega das letras tinha uma visão ampla, sociológica e filosófica de mundo: O escritor Ariano Suassuna também era um dos imortais das academias Pernambucana e Paraibana de Letras. O presidente da Academia Brasileira de Letras, Geraldo Holanda Cavalcanti, fala da importância do Nordestino: No futebol, o escritor não escondia a paixão pelas cores vermelha e preta do Sport Clube do Recife. O dramaturgo era um frequentador assíduo do estádio da Ilha do Retiro, de onde acompanhou os títulos nacionais de 1987 e 2008. O presidente do Sport, João Humberto Martorelli, afirma que Ariano Suassuna faz parte da história do Leão: LEIA MAIS Morre aos 87 anos no Recife, o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna Professora de literatura fala sobre o legado e a saudade deixada pelo mestre paraíbano, Ariano Suassuna

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