"Nem sempre o que as pessoas querem que mude é de atribuição do presidente", lembra especialista

Da Rádio Jornal
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Publicado em 23/10/2014 às 12:04
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debate 23.10

Nesta quinta-feira (23), para fazer uma análise do segundo turno das eleições 2014, Antonio Martins Neto conversou com os cientistas políticos León Victor Queiroz e Juliano Domingues.

Para Juliano, a disputa vai ser bastante acirrada. "Aparentemente, vai ser uma eleição, pelo menos pelo que as pesquisas mais recentes indicam, voto a voto", analisou o cientista. "Pesquisas são retratos daquele momento. Entre a realização da pesquisa e a eleição podem ocorrer mudanças capazes de impactar no resultado final, e isso não necessariamente significa que a pesquisa tenha sido falha", completou. León Victor Queiroz concordou com a análise feita pelo colega. "Concordo com Juliano, o cenário é imprevisível", corroborou o cientista político.

A polarização entre o PSDB e o PT, que ocorre desde 1994, está sendo mais acirrada nesta eleição, segundo León. Ele ainda destacou que os dois candidatos estão utilizando uma campanha para desconstruir a imagem do outro de forma muito intensa.

A população confunde as atribuições dos governos federal, estadual e municipal. "As pessoas, quando votam no presidente, esquecem de dois detalhes: o que o presidente diz ele precisa aprovar no Congresso. Muita coisa precisa passar no legislativo", lembrou León Victor Queiroz. "A outra é que nem sempre o que as pessoas querem que mude é de atribuição do presidente. Transporte público não é do Governo Federal. O Governo Federal provê o recurso, mas a gestão é estadual e municipal", complementou.

No entanto, é preciso que a economia esteja esteja estável para que os serviços sejam complementados. "O que as pessoas sentem no seu dia a dia de serviços públicos é mais em função dos governos estaduais, mas é claro que se a economia vai mal não tem governo consiga", explicou León.

Os cientistas ainda repercutiram o comportamento dos internautas neste período eleitoral. "Nas redes sociais a gente vê uma discussão sobre política muito parecida com a de futebol", analisou Juliano. "Se discute muito mais esse processo de se tentar desconstruir o outro do que um debate assentado de ideias e propostas", completou. Confira o debate completo:

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