Pesquisa da Fiocruz detecta que 26% das mães sofrem de depressão entre 6 e 18 meses após o parto

Da Rádio Jornal
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Publicado em 30/10/2014 às 10:30
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Estudo da Fundação Oswaldo Cruz revela que a depressão materna foi detectada em 26% das mães entre 6 e 18 meses após o parto, sendo mais frequente entre as mulheres de baixa condição social e econômica, nas pardas e indígenas, nas mulheres sem companheiro, que não desejavam a gravidez ou que já tinham três ou mais filhos.

Além de afetar a saúde da mulher, o principal problema da falta de diagnóstico e de atendimento às mulheres que sofrem depressão pós-parto, é a consequência que traz para o relacionamento mãe bebê, para o estabelecimento desse vínculo entre a mãe e a criança, destacou pesquisadora da Fiocruz, Marize Theme. "Isso traz consequências muito negativas para o bebê. As mães aderem menos aos esquemas vacinais, então essas crianças têm menor cobertura vacinal, são mais desnutridas, têm mais baixo peso, elas têm um desenvolvimento emocional pior", detalhou a pesquisadora. Ela ainda destacou que as consequências não afetam apenas na infância, interferem também no desenvolvimento emocional na fase da adolescência.

De acordo com Marize, é difícil falar em prevenção, mas o que pode ser feito é detectar precocemente os sintomas assim que eles começam a aparecer. "Se esses sintomas são detectamos precocemente, mais precocemente você intervém e você evita que vá tomando uma proporção maior", alertou.

O diagnóstico da doença não é fácil, segundo a pesquisador. "Se nós tivermos uma equipe treinada e preparada existem testes, e foi isso que fizemos nessa pesquisa, que fazem rastreamento", detalhou. "Ele não faz um diagnóstico de certeza, mas identifica aquelas pessoas que estão em maior risco, que tem maior probabilidade de desenvolver o agravo", completou. De acordo com Marize, "são mulheres que apresentam tristeza, sensação infelicidade, algumas até um percentual alto com ideias de auto agressão".

A expectativa é que, após após o resultado da pesquisa da Fiocruz, os governos se comprometam e se mobilizem para aplicar políticas de acompanhamento às mulheres para que seja diagnosticada a depressão pós-parto com maior rapidez. "Nós temos um serviço de pré-natal que já avançou muito em termos de sua qualidade, sua cobertura, praticamente todas as mulheres fazem pre-natal, então eu acho que nós temos condição de desenvolver uma estrategia ainda no pre natal, de diagnóstico dessas mulheres", disse. "E aquelas que não desenvolvem ainda na gestação mas que podem desenvolver no pós-parto, nós podemos ter estratégia também, por exemplo, no momento que essa mulher frequenta o serviço de saúde para levar o seu bebê para as atividades de crescimento e desenvolvimento", concluiu.

Confira a entrevista completa:

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