Trio de canibais é condenado por júri popular em Olinda

Da Rádio Jornal
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Publicado em 14/11/2014 às 9:49
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Atualizado às 21h50

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

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O júri popular decidiu pela condenação do trio acusado de canibalismo em Pernambuco, após dois dias de julgamento. Jorge Beltrão, Isabel Pires e Bruna Silva foram condenados por homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio e ocultação de cadáver.

Jorge Beltrão terá de cumprir 21 anos e 6 meses de reclusão, mais 1 ano e 6 meses de detenção. Isabel Cristina e Bruna Silva foram condenadas a 19 anos de reclusão e 1 ano de detenção, cada uma. A sentença foi lida às 20hrs da noite desta sexta-feira (14) pela juíza da 1° Vara do Tribunal do Júri de Olinda, Maria Segunda Gomes de Lima, que presidiu a sessão.

Após o julgamento, a juíza Maria Segunda faz a avaliação da sentença, em entrevista:

A promotora Eliane Gaia  se diz satisfeita com a decisão:

A defensora pública Teresa Joacy, que fez a defesa de Jorge Beltrão, fala sobre a condenação do réu e sobre os recursos cabíveis: O advogado Paulo Sales, defensor de Isabel, comenta que a decisão do júri foi equivocada, mas que a pena aplicada pela juíza foi razoável: O advogado Rômulo Lyra, que fez a defesa de Bruna, fala que irá recorrer à sentença: Durante a tarde desta sexta, antes dos jurados se reuniram na sala reservada para tomar a decisão, imprensa e público acompanharam a tréplica da defensora pública que defende Jorge Beltrão, que confessou o assassinato, tentou descaracterizar o crime, alegando que ele tem problemas mentais.

O segundo dia de julgamento de Jorge Beltrão, Isabel Cristina, e Bruna Cristina, no Fórum de Olinda, foi retomado com a apresentação da acusação. Os jurados estiveram atentos a explanação da promotora do Eliana Gaia. Que por mais de duas horas destacou a crueldade no trio no crime e a frieza na execução. Ela ressaltou ainda que não resta dúvidas da condenação.

Em diversos momentos a promotora chamou a atenção dos jurados e classificou Jorge, como frio e o comparou a uma parede. Em relação a Isabel, desqualificou a dependência emocional do marido. A ré chegou a ser chamada a atenção pelo comportamento e foi ameaçada pela juíza de ser retirada da sessão. Bruna, passou boa parte do tempo em silêncio e sorriu por algumas vezes.

O julgamento foi retomado às 13h20. A parte da tarde foi reservada para a defesa dos três acusados. Os defensores trabalham com o planejamento de que as penas dos réus sejam reduzidas. A repórter Elis Martins traz outros detalhes:

A réplica da acusação durou mais de uma hora. A promotora Eliane Gaia argumentou sobre pontos que teriam sido omitidos pela defesa e foi enfática em dizer que queria pena máxima para todos os crimes cometidos trio: homicídio quadruplamente qualificado, desrespeito ao corpo e ocultação de cadáver.

SAIBA MAIS: 

Eles são acusados de assassinar, esquartejar e ocultar o corpo de Jéssica Camila da Silva Pereira, na época com 17 anos. Pelo menos mais duas mulheres foram vítimas do trio, que agia em Olinda e Garanhuns. Após o assassinato, Bruna Cristina assumiu a identidade da vítima e os três passaram a criar a filha da jovem morta em Rio Doce em 2008.

Nesta sexta-feira (14), a promotora de justiça Eliane Gaya, conversou com o repórter Rafael Carneiro, que acompanha o segundo dia de julgamento. "O que foi dito ontem por tudo que foi dito, pelas testemunhas, como também os interrogatórios dos acusados, as diversas contradições que existe entre eles, foi muito importante para o Ministério Público e só veio a trazer riqueza de detalhes dos fatos como também aprimorar as provas que o Ministério Público tem e será mostrado hoje ao corpo de jurados", avaliou a promotora.

Confira no flash de Rafael Carneiro:

O julgamento dentro do auditório foi acompanhado por um grande público, formado por estudantes de direito e jornalistas. Do lado de fora, curiosos de todas as partes acompanharam a sessão.

Nessa quinta-feira (13), prestaram depoimento na condição de testemunhas o psiquiatra Forense, Lamartine Hollanda, e o delegado, Paulo Berenguer. Eles afirmaram que os três não têm problemas mentais e que cada um desempenhou um papel específico no homicídio.

Jorge Beltrão foi recebido aos gritos de assassino Foto: Twitter @Portal NE10 Jorge Beltrão foi recebido aos gritos de assassino
Foto: Twitter @Portal NE10

Entre os réus, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira foi o primeiro a falar sobre o assassinato de Jéssica Camila da Silva Pereira. Ele confessou que num momento de fraqueza e loucura acabou matando a jovem.

O réu afirmou ter praticado apenas três homicídios, o que deixou parte da plateia indignada. Jorge Beltrão também falou da seita cartel e revelou ter se alimentado do corpo da vítima.

Confira agora um trecho do depoimento dele com as intervenções da juíza Maria Segunda e da promotora Eliane Gaia:

Isabel chegou ao Fórum com o rosto coberto pelas mãos. Foto: Luiz Pessoa/ NE10 Isabel chegou ao Fórum com o rosto coberto pelas mãos. Foto: Luiz Pessoa/ NE10

Em depoimento, Isabel Cristina Pires da Silveira disse que era casada com Jorge há cerca de trinta anos. Alegando dependência emocional, afirmou que aceitava ver o marido com outra mulher, no caso, Bruna Cristina Oliveira da Silva.

Ela aparentava muito nervosismo e por várias vezes entrou em contradição quando questionada com mais ênfase. A mulher revelou que apenas limpou o local do crime praticado por Jorge num ritual de purificação.

No diálogo com a juíza Maria Segunda, Isabel Cristina Pires da Silveira nega a versão das coxinhas recheadas com carne humana:

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A terceira envolvida no assassinato demonstrou ter conhecimento do processo e contradisse ou outros réus. Bruna Cristina Oliveira da Silva fez questão de enfatizar que apenas ajudou a imobilizar Jéssica para que Jorge cometesse o crime.

Bruna também é acusada por falsidade ideológica. Foto: Luiz Pessoa/ NE10 Bruna também é acusada por falsidade ideológica. Foto: Luiz Pessoa/ NE10

A amante do homem disse que não denunciou os homicídios por temer ser a próxima vítima do casal. Ela disse que obedecia as ordens da dupla, mas que se arrepende e muito da tragédia que mudou a vida de todos.

Bruna Cristina Oliveira da Silva afirma que soube por alto da história da venda de lanches preparados com carne humana:

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