ENTREVISTA

Filme pernambucano entra em cartaz mostrando o Sertão como território criativo da alma humana

Diretor Camilo Cavalcante fala do prazer de ver em cartaz o seu primeiro longa. Filme estreia nesta quinta-feira e é sucesso de crítica e público

Da Rádio Jornal
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Publicado em 25/02/2015 às 11:08
Irandhir Santos é um dos atores que fortalece o elenco do longa. Foto: divulgação


O filme premiadíssimo "A História da Eternidade", do diretor pernambucano Camilo Cavalcante, estreia nos cinemas de todo o país nesta quinta-feira (26). Mas, para quem não quer esperar, a pré-estreia acontece nesta quarta-feira (25), no Riomar Shopping.

O filme, gravado em Santa Fé, uma pequena cidade Sertão do Estado, conta três histórias de amor e desejo e como elas revolucionam a paisagem afetiva dos moradores de um pequeno vilarejo. As histórias de Alfonsina, de 15 anos, Querência, de aproximadamente 40 anos, e Dona Das Dores, que beira os 70 anos, sustentam a trama.

O cenário foi pensado de forma com que os atores sentissem o clima dos próprios personagens. O diretor do longa, Camilo Cavalcante, conversou com a apresentadora Clarissa Siqueira no Programa Comportamento. "Eu acho que o Sertão, muito mais do que uma zona seca e árida, é onde as pessoas têm que se sacrificar pela subsistência, o Sertão, e seus habitantes, representam um território da alma humana, onde as relações interpessoais acontecem de uma manerira honesta, de uma maneira direta e onde é possível desabrochar histórias de amor sem lapidação", diz.

A obra conta ainda com a presença majestosa de Irandhir Santos, considerado um dos melhores atores do cinema pernambucano de todos os tempos, no papel de João, tio de Alfonsina.O elenco ainda traz nomes de peso como Zezita Matos, que interpreta a Das Dores, e a Marcélia Cartaxo, que interpreta a Querência. Completam o elenco Cláudio Jaborandy, Débora Ingrid, Leonardo França e Maxwell Nascimento, único autor que não é nordestino.

Sobre a escolha estética de usar uma câmera parada, Camilo afirma que a câmara parada dá um espaço para a interpretação das cenas, deixando os movimentos elípiticos para pontos emblemáticos do roteiro. "Os movimentos quando acontecem representam algo libertário dentro da narrativa do filme. São movimentos elípticos que acontecem duas vezes no filme e tem muito a ver com a ideia da eternidade como ouroboros, aquela a cobra que come o próprio rabo, tudo se repete dentro da história da humanidade mesmo", afirma.

O filme recebeu o prêmio de melhor filme no festival de Paulínia, no Festival de Cinema de Vitória, no Festival Internacional de Cine de Ayacucho, no Peru, além de outros prêmios em festivais nacionais e internacionais. A obra entra em cartaz no cinema da Fundação Joaquim Nabuco e do Rio Mar Shopping nesta quinta-feira (26). Ouça a entrevista completa no áudio abaixo: