CINEMA

Camilo Cavalcante critica distribuição de filmes no Brasil

Primeiro longa-metragem do cineasta, "A História da Eternidade" estreia em apenas sete salas e sofre na disputa com produções estrangeiras

Da Rádio Jornal
Da Rádio Jornal
Publicado em 28/02/2015 às 1:15
Cineasta Camilo Cavalcante aponta desigualdade em distribuição de filmes no Brasil
Foto: Divulgação


Na coluna Sessão de Cinema do programa Movimento desta sexta-feira (27), o comunicador Marcelo Araújo recebeu nos estúdios Houldine Nascimento para uma conversa sobre as novidades da sétima arte. Nos cinemas do Brasil, uma boa indicação é o filme "A História da Eternidade". Este é o primeiro longa-metragem ficcional de Camilo Cavalcante.

O diretor, que realiza filmes desde o início da década de 1990, participou ao vivo do quadro, comentando pontos importantes como a distribuição do filme, limitada na estreia a sete salas, e a concorrência desleal com produções estrangeiras, como a nova animação "Tinker Bell e o monstro da terra do nunca", que chega a 438 salas.

"A questão da distribuição no Brasil é muito séria e que precisa ser reavaliada, revisada. É uma questão que eu diria mafiosa. A gente fica sempre a mercê da programação do cinema americano, hollywoodiano. E para gente sobra o sobejo. Hoje para você estrear um filme no Brasil é uma ocupação. Você não estreia, você ocupa uma sala", dispara.

Ouça a coluna na íntegra:

O realizador foi além ao fazer uma comparação com Tinker Bell, que foi direto para serviço on demand nos EUA. "Você vê que o maior lançamento no Brasil essa semana foi lançado nos EUA apenas em home vídeo. A gente vira depósito do lixo dos outros, o lixo audiovisual. A Ancine tem uma proposta de melhorar, mas ainda está longe do ideal", pontua.

"A História da Eternidade" acompanha a trajetória de amor e perda três mulheres de gerações diferentes no sertão nordestino: Dona Das Dores (Zezita Matos), uma senhora de 70 anos muito apegada à religião, a jovem Alfonsina (Débora Ingrid), que tem de lidar com o autoritarismo do pai, e Querência (Marcélia Cartaxo), já na faixa dos 40 anos, que sofre com a perda do filho ainda bebê.

O filme foi consagrado no 6º Festival de Paulínia, em julho do ano passado, com cinco prêmios. O evento cinematográfico é um dos mais significativos no Brasil. Nesta sexta, o Festival voltou a ser suspenso. Camilo lamentou a decisão da prefeitura de Paulínia. "Isso é de uma irresponsabilidade, de uma inconsequência política. Também havia um polo de cinema e que vai por água abaixo", comenta.

A trilha sonora é composta pelo pernambucano Dominguinhos e pelo polonês Zbigniew Preisner, conhecido pela Trilogia das Cores de Kieslowski. Camilo Cavalcante destacou o trabalho feito pelos dois compositores no filme. Sobre a possibilidade de "A História da Eternidade" disputar o Oscar na categoria de filme estrangeiro no ano que vem, o cineasta respondeu que não nutre tanta expectativa, mas que ficará feliz caso a indicação venha.