INTOXICAÇÃO

Nos primeiros dois meses de 2015, oito pessoas morreram envenenadas por "chumbinho"

O número de óbitos é o dobro dos que aconteceram no mesmo período de 2014. A comercialização do produto é proibida

Da Rádio Jornal Com informações de assessoria
Da Rádio Jornal
Com informações de assessoria
Publicado em 03/03/2015 às 9:18
Imagem ilustrativa: reprodução/internet


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suspendeu, no ano de 2012, o comercio do agrotóxico Aldicarb, um dos principais insumos utilizados clandestinamente na fabricação do “chumbinho”. Trata-se de um agrotóxico granulado, classificado como extremamente tóxico, que tinha aprovação para uso exclusivamente agrícola, para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar. Só no ano de 2012, esse produto foi responsável por 60% dos 8 mil casos de intoxicação por chumbinho registrados no Brasil. Os motivos do banimento do Aldicarbe do mercado nacional estão relacionados à alta incidência de intoxicações humanas e de envenenamento de animais.

A coordenadora do Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco (Ceatox), Lucineide Porto, alerta que a população está sendo enganada ao adquirir um produto clandestino, erroneamente indicado para o controle de roedores. “O chumbinho não é eficaz contra as colônias de rato. Esse produto ainda é perigoso para os seres humanos, pois sua ingestão pode causar o óbito em poucas horas”, avisa. Ela ressalta também que o comércio desse agrotóxico como raticida doméstico é enquadrado como uma atividade ilícita e criminosa.

O Ceatox registrou, em 2013, 204 casos de intoxicação por chumbinho, com 19 óbitos. Já em 2014, o número de casos diminuiu para 161, mas as mortes continuaram altas, em 18 registros. Só neste ano, já foram atendidos 23 casos registrados pelo Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco (Ceatox-PE), com 8 mortes - o dobro quando comparado com o mesmo período de 2014. “O chumbinho causa problemas no sistema nervoso, respiratório, cardiovascular, digestivo. Depois da ingestão, a pessoa, pode apresentar diminuição dos batimentos cardíacos, dor abdominal, distúrbios neurológicos, e dificuldade de respirar”, explica a coordenadora do Ceatox, Lucineide Porto. Ela ainda conta que o produto pode contaminar uma pessoa no simples contato com a pele ou respiração. Em caso de ingestão, dependendo da quantidade, pode levar à morte.

Segundo Lucineide, a pessoa intoxicada precisa ser levada imediatamente ao serviço de urgência mais próximo. Alguns cuidados também são necessários, ainda em casa, até a chegada do transporte, deixar o paciente em lugar seguro, manter as vias aéreas livres, cuidado para o paciente não se machucar, devido a convulsões que podem aparecer. “A unidade de saúde pode entrar em contato com o Ceatox para que seja analisado o melhor tratamento”, avisa, lembrando que, por ser um produto ilegal, normalmente, várias substância são utilizadas na fabricação, o que dificulta saber ao certo quais os verdadeiros agentes que estarão atuando no organismo.

“A venda do chumbinho é considerada crime e a responsabilidade de fiscalização e apreensão, nesses casos, é de competência das vigilâncias sanitárias municipais. A população também deve denunciar os órgãos competentes caso saiba de pontos de venda e jamais deve usá-lo como raticida, já que ele não consegue atingir toda a colônia de ratos”, ressalta Lucineide.

DESCENTRALIZAÇÃO – Desde outubro de 2011, o atendimento dos casos de escorpionismo e de intoxicação exógenas foi descentralizado do Ceatox para toda a rede de saúde. Com isso, o Centro passou a ser a referência para tirar as dúvidas da população e das equipes médicas, por meio do 0800.722.6001, indicando como proceder e qual serviço de saúde buscar.

CASOS E MORTES POR CHUMBINHO (MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO)

2013 - 35 casos e 6 óbitos
2014 - 34 casos e 4 óbitos
2015 - 23 casos e 8 óbitos