ENTREVISTA

Apesar de incluso na "Lista de Janot", Humberto Costa critica presidente da Câmara e defende investigações

Sobre discurso em que Eduardo Cunha afirma que o nome dele foi colocado por escolha política, Humberto Costa disse que “a presidente da República não seria louca de pedir para botar nomes nessa lista".

Da Rádio Jornal
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Publicado em 13/03/2015 às 11:20
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Foto: Luiza Falcão/Rádio Jornal

Nesta sexta-feira (13), uma semana depois de ser incluso na lista de políticos que serão investigados na Operação Lava Jato, o senador Humberto Costa (PT) conversou com o comunicador da Rádio Jornal, Geraldo Freire. Humberto foi enfático ao afirmar sua inocência e ao dizer esperava a presença do senador pelo PSB e ex-ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, entre os investigados.

"O importante é que todas as pessoas citadas possam ter o direito de se defender. É bom deixar bem claro que não há, ao longo desse processo, nenhuma culpa formada", diz. "Eu, da minha parte, estou absolutamente tranquilo. Já estou tomando as providências para apressar essa investigação e, se Deus quiser, eu vou ser inocentado", completou falando sobre o processo. O senador já contratou um advogado, que foi ao Supremo Tribunal Federal e pediu ao ministro Teori Zavaski que apresse os depoimentos de Humberto Costa e de Mário Beltrão, amigo de Humberto que estaria envolvido nas denúncias, à Policia Federal, além de outros trâmites.

Segundo Humberto Costa, as contas da sua campanha a senador em 2010 estaria sendo investigada. Parte da verba teria vindo de propina, através do Mário Brandão. "Na verdade, o Paulo Roberto [Costa] diz que esse meu amigo pediu um recurso para a campanha, ele diz que mandou o Alberto Youssef dar; o Alberto Youssef nega, diz que nunca me viu, não viu esse meu amigo e nem ninguém da minha assessoria", diz. "Quem vai ter o trabalho de mostrar de mostrar alguma coisa que me incrimine ou me vincule a esse escândalo vai ser o Ministério Público e a Polícia federal", completa. "Às vezes a agente escute um cochicho, uma piada, a gente tem que aguentar essas coisas aí. Mas isso é da vida pública. Eu fiz a opção de querer fazer política", lamenta.

Humberto Costa comentou as denúncias contra os também senadores Fernando Collor e Fernando Bezerra Coelho. "Quem financia campanhas eleitorais no Brasil são empresas que querem ter aproximação com os políticos", declarou, defendendo o financiamento público de campanha e dizendo que estão querendo criminalizar doações legais.

Apesar de ter sido incluso, Humberto Costa criticou Eduardo Cunha, que havia dito justificado a inclusão do próprio nome como uma escolha política. “A presidente da República não seria louca de chamar o procurador-Geral da República ou mandar um ministro chamar o procurador-Geral da República e pedir para botar quem quer que seja dentro dessa lista. Se ela tivesse que fazê-lo, era ia tirar os seus", diz.

Sobre a atuação de Rodrigo Janot, Humberto diz que acredita que pode ter havido erros, mas que confia no trabalho e no profissionalismo. "Esse procurador, dos últimos anos, é o melhor que teve. Ele é uma pessoa que eu acho que compre com o seu papel", completa.

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