SÉRIE ESPECIAL

No Agreste Pernambucano, seca afeta o Polo de Confecções e põe em risco 100 mil empregos

A primeira matéria da série especial "Do Cais ao Sertão: os caminhos da seca em Pernambuco" traz a história de 300 lavanderias, que precisam de água para lavar 7 milhões de peças por mês.

Da Rádio Jornal
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Publicado em 06/04/2015 às 6:46
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A Barragem de Jucazinho, só conta com 11% do volume que é capaz de armazenar. Foto: Reprodução/Site Casinhas Agreste


Pernambuco enfrenta uma das secas mais longas dos últimos anos. Por causa da estiagem, 126 das 185 cidades já solicitaram o estado de emergência. Na região Agreste, chove abaixo da média pelo quarto ano consecutivo e o não há expectativa que o tempo melhore em 2015.

Em Caruaru, no Agreste do Ipojuca, a quantidade de chuva permanece abaixo da média histórica desde 2012. De acordo com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em março de 2015, choveu o equivalente a 35 milímetros quando a média esperada era de 90.

Na região, as barragens que abasteciam as cidades de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe estão em colapso. Os municípios passaram a receber água do reservatório de Jucazinho, com sede em Surubim, que também fornece água a outras 14 cidades. O problema é que a barragem tem capacidade para armazenar 327 milhões de metros cúbicos de água, mas opera com apenas 11% do volume total.

O segmento têxtil, que emprega cerca de 100 mil pessoas e é principal atividade a econômica da região, vem sofrendo com a falta d’água. As cidades de Caruaru, Santa Cruz e Toritama tem aproximadamente 300 lavanderias, que juntas fazem a lavagem de mais de 7 milhões de peças por mês. Quem conta essa situação é a repórter da Rádio Jornal Caruaru, Jaciara Fernandes:

Todo o material precisa passar pela etapa de lavagem, processo que requer uma grande quantidade de água. No caso do jeans, após cortado e costurado ele ainda não está pronto para chegar ao consumidor. A peça bruta é dura, parece uma lona e somente a lavagem pode mudar essa textura, tornando o material macio. As cores e até o cheiro também são inseridos durante esse processo, que sem água não funciona.

Para se ter uma ideia, cada peça consome pelo menos 8 mil litros de água para ser finalizada. Um caminhão pipa, por exemplo, só dá para lavar 100 peças. O processo de lavagem utiliza água bruta, sem tratamento. Porém, de acordo com o presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções de Pernambuco e dono de lavanderia, Edilson Tavares, a situação pode ser apontada como a mais crítica da história. Segundo ele, o segmento tem dinheiro mas não tem água para comprar.

Se não chover até outubro, a barragem pode também entrar em colapso. Foto: Reprodução/Site Casinhas Agreste


As peças em jeans criadas no polo de confecção representam quase 18% da produção nacional, mas esse número está ameaçado. Apesar das dificuldades, para o presidente da Associação da Lavanderias, Joanilson Melo, o momento ainda não é de repassar o aumento das despesas para o consumidor.

Nesta terça-feira (7), na série "Do Cais ao Sertão: os caminhos da seca em Pernambuco", você acompanha o drama dos moradores de Pesqueira que estão sem receber água da Compesa há quatro anos. A série tem produção de Luiza Falcão, Natália Hermosa e Rafael Souza; coordenação de Carlos Moraes e trabalhos técnicos de Evandro Chaves.

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