SÉRIE ESPECIAL

Conheça o drama dos moradores de Pesqueira que estão sem receber água em casa há 4 anos

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Da Rádio Jornal
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Publicado em 07/04/2015 às 8:22
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Hoje, só é possível retirar água da Barragem Rosa com baldes. Foto: Givanildo Silva/Rádio Jornal Pesqueira


A segunda matéria da série especial "Do Cais ao Sertão: os caminhos da seca em Pernambuco" traz a história de Pesqueira, no Agreste Pernambucano, que fica a 215 km do Recife e sofre com a seca desde 2011. Hoje, a cidade é abastecida apenas pelo reservatório de Pão de Açúcar, já que as barragens de Santana e Rosa secaram e Bituri, que também atende outros locais, está em situação crítica.

Mesmo quem recebe água em casa, sofre com o racionamento. Isso porque a barragem do Bituri tem capacidade para armazenar 34 milhões de m³ de água, mas precisa economizar porque está com 17% deste volume.

O município tem hoje pouco mais de 65 mil habitantes. Uma das localidades que mais sofrem com os efeitos da seca é o bairro de Vila Anápolis, que não é abastecida pela Compesa e não recebe água há 4 anos. Enquanto isso, os demais bairros passam por um sistema de rodízio que não é regular, e depende da necessidade de cada localidade. Quem conta esse drama é o repórter da Rádio Jornal Pesqueira, Givanildo Silva.

Sofre a dona de casa, sofrem os comerciantes. José Geneci tem uma quitanda e compra água em caminhões pipa. O gasto de água mensal depende da variação na temperatura. Cada carro-pipa custa entre R$ 80 e R$ 100, custo que diminui e muito a margem de lucro do comerciante.

Para quem convive com a falta d’água há tanto tempo, presenciar casos de desperdício é ainda mais revoltante. Esse é o sentimento da dona de casa Jaqueline Silva, que faz de tudo para economizar. “A gente junta a água do banho para colocar no banheiro, a gente junta a água da máquina de lavar e do tanquinho para reutilizar. Em outros bairros, o desperdício é muito grande lavando calçadas e carros. Dá vontade de chegar para a pessoa e dizer ‘pare’, por que não tem condições”, desabafa.

A Barragem de Santana é, na verdade, um antigo açude de criação de peixes, por isso, é considerada de pequeno porte. Foto: Givanildo Silva/Rádio Jornal Pesqueira


Já que todos têm que armazenar água em casa, outra preocupação é com o aumento nos casos de dengue. De acordo com a secretária de Saúde de Pesqueira, Elizabete Costa, o número de dengue casos confirmados nos três primeiros meses do ano passou de 4 para 16, em comparação com 2014. “As ações que nós estamos colocando em prática estão atingindo todos os seguimentos da saúde. Os agentes comunitários foram convocados e os agentes de endemia estão passando por capacitações”, afirma.

Para amenizar os efeitos negativos da seca, a Compesa anunciou uma obra estrutural que deve ser feita nos próximos quatro meses. A promessa é colocar água nas torneiras de quem sofre há anos com a falta de abastecimento. De acordo com o gerente Regional da Companhia, Gilvandro Barbosa, a Compesa está fazendo um trabalho para interligar as adutoras de Rosa com a de Pão de Açúcar. São 2.800 metros de escavação que vão permitir que a água seja levada para o outro lado da cidade. “A expectativa é terminar o serviço entre o final de abril e o começo de maio para amenizar o sofrimento da população”, diz.

A barragem de Pão de Açúcar abastece parte da cidade, mas só está com 17% do volume que é capaz de armazenar. Foto: Givanildo Silva/Rádio Jornal Pesqueira


Nesta quarta-feira (8), na série "Do Cais ao Sertão: os caminhos da seca em Pernambuco", você acompanha como o comércio alternativo de água interfere na economia de Limoeiro. A série tem produção de Luiza Falcão, Natália Hermosa e Rafael Souza; coordenação de Carlos Moraes e trabalhos técnicos de Evandro Chaves.

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