SÉRIE ESPECIAL

Em meio à seca, comerciantes de Limoeiro "ganham a vida" com o abastecimento alternativo

Nos três primeiros meses deste ano não choveu nem metade da média histórica para o período.

Da Rádio Jornal
Da Rádio Jornal
Publicado em 08/04/2015 às 8:26
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A Barragem de Palmeirina opera com apenas 3,8% do volume que é capaz de armazenar. Foto: Portal Limoeiro


Limoeiro, localizado no Agreste Pernambucano, é uma das 126 cidades que enfrentam problemas por conta da seca. Com pouco mais de 55 mil habitantes, o município registra chuvas abaixo da média desde 2012. Nos três primeiros meses deste ano choveu 118,5 milímetros, quando a média histórica para esse período ultrapassa os 300.

A cidade é abastecida por duas barragens, Palmeirina e Carpina, mas o nível dos dois reservatórios está muito baixo. De acordo com a APAC, a barragem de carpina fica localizada em lagoa do carro e tem capacidade para armazenar 270 milhões de m³, mas atualmente só conta com 16,3% desse volume. Já o reservatório de Palmeirina, que fica em Bom Jardim, tem capacidade para acumular 6 milhões de m³, mas possui apenas 3,8% desse volume, o que coloca a barragem em situação de colapso.

O racionamento em Limoeiro já se arrasta há mais de um ano. Mesmo quem vive na área urbana da cidade tem que economizar. Rafael Rocha mora no bairro Nossa Senhora de Fátima e chega a ficar mais de 30 sem água. Ele explica que os vizinhos ajudam, mas às vezes é preciso comprar água.

Já Vanderley Azevedo não sabe o que é ter água na torneira. Ele mora no loteamento Lagoa Azul e recebe água uma vez por semana da Prefeitura por meio de carro-pipa. Seu Vanderley também tem que comprar água para não passar necessidade.

Com esse cenário, tem gente na cidade aproveitando a situação para investir na venda da água. Quem conta essa história é o repórter da Rádio Jornal Limoeiro, Alfredo Neto.

É comum em Limoeiro a circulação de carros-pipa e caminhões improvisados com caixas plásticas. O negócio foi batizado como “indústria da água”. Por conta disso, o departamento de vigilância sanitária precisou adotar algumas medidas de segurança.

Para comercializar, os donos dos carros precisam apresentar laudo da fonte. Além disso, os carros e caixas d’água passam por fiscalização da Prefeitura. Se a seca gera desconforto para algumas famílias, para outras ela gera renda. É o caso de Fernando Rodrigues, investiu R$ 25 mil em equipamentos e hoje vende 10 mil litros de água por dia, empregando três funcionários.

Já a Barragem de Carpina, armazena hoje apenas 16,3%. Foto: Márcio Wanderley/Cortesia para a Rádio Jornal


O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Limoeiro, Marcelo Mota, afirma que dois carros-pipa da Prefeitura abastecem os prédios públicos, enquanto a Compesa abastece à população. Na Zona Rural, uma parceria com o Exército faz o abastecimento mensal. Já as cisternas do programa Água para Todos, do Governo Federal, garantiu a melhoria da qualidade de vida de quem mora no campo. “Os agricultores que estão com essas cisternas estão sofrendo muito pouco. É uma água tratada e de excelente qualidade”, completa.

Nesta quinta-feira (8), na série “Do Cais ao Sertão: os caminhos da seca em Pernambuco”, você acompanha as consequências da estiagem na bacia leiteira de Pernambuco. A série tem produção de Luiza Falcão, Natália Hermosa e Rafael Souza; coordenação de Carlos Moraes e trabalhos técnicos de Evandro Chaves.

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