Nascer no Brasil

ONU diz que trabalho das parteiras pode evitar dois terços das mortes de mães e recém-nascidos

Atualmente, morrem no Brasil 69 mulheres a cada 100 mil partos de nascidos vivos, mas pelas metas da Organização das Nações Unidas, esse número deveria ser de no máximo 30 mulheres.

Da Agência Brasil
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Publicado em 06/05/2015 às 6:32
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De acordo com a entidade, as parteiras também são capazes de oferecer 87% de todos os serviços relacionados à saúde sexual e reprodutiva materna e ao desenvolvimento do recém-nascido. Foto: reprodução/internet


No Dia Mundial da Parteira, lembrado nessa terça-feira (5), o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) destacou que o trabalho das parteiras pode evitar cerca de dois terços de todas as mortes maternas e entre recém-nascidos registradas no mundo. A estimativa do fundo é que o serviço dessas profissionais salve 300 mil mulheres e 3 milhões de bebês todos os anos.

De acordo com a entidade, as parteiras também são capazes de oferecer 87% de todos os serviços relacionados à saúde sexual e reprodutiva materna e ao desenvolvimento do recém-nascido. Ainda assim, apenas 42% das pessoas com habilidades para serem parteiras trabalham nos 73 países onde são registradas mais de 90% das mortes maternas e de recém-nascidos.

Desde 2008, o fundo das Nações Unidas trabalha em parceria com governos e formadores de políticas públicas na tentativa de construir uma força-tarefa de parteiras competentes e bem treinadas para atuar em localidades de baixa renda.

Alana Pozelli, de 27 anos, trabalha como parteira no interior de São Paulo desde 2013. Ela faz parte do grupo Parteiras Aurora, formado por quatro enfermeiras obstétricas e uma enfermeira assistente que atendem gestantes em casa. O acompanhamento começa durante a gestação e vai até o pós-parto, com auxílio na amamentação e nos cuidados com o períneo.

"Atendemos sempre em dupla. Desta forma, se acontece alguma complicação com a mãe e com o bebê juntos, estando em duas, fica mais fácil lidar. Além do mais, diante de qualquer situação, uma consegue ajudar a outra e discutir o caso. Dá mais segurança", explicou.

Para a profissional, que prefere ser chamada de parteira urbana, a atuação das parteiras em países como o Brasil é fundamental, uma vez que ajuda a desvincular a ideia do parto centrada no hospital e no médico. A ideia, segundo Alana, é fazer as mulheres entenderem que podem parir e que são protagonistas nesse momento.

"Nós, parteiras, vamos contra o modelo vigente no país, com altas taxas de cesáreas. Mas mudar a mente das pessoas é muito difícil. A gente ainda enfrenta muito preconceito. A informação é um divisor de águas. Hoje, as mulheres têm procurado muito esse tipo de serviço", explicou.

Conheça como é o trabalho de outras profissionais do parto: as doulas

Se atualmente ainda há muito desconhecimento e confusão a respeito do trabalhos das doulas, imagine no final da década de 1970. Doulas não são parteiras. Elas apenas acompanham o trabalho de parto, que deve ser facilitado por enfermeiras obstétricas ou médicos. Mas nem por isso, as doulas - que oferecem apoio emocional e conforto físico - são menos importantes.

Mortalidade materna e qualidade de atendimento

Atualmente, morrem no Brasil 69 mulheres a cada 100 mil partos de nascidos vivos, mas pelas metas da Organização das Nações Unidas (ONU), esse número deveria ser de no máximo 30 mulheres. O consultor nacional da Organização Panamericana da Saúde (Opas), Adriano Tavares, afirmou que o País já avançou muito no acesso das mulheres aos serviços de saúde, agora precisa investir na qualidade desse atendimento. "As mulheres brasileiras tiveram um grande incremento no acesso à saúde em termos de pré-natal, de estrutura para parto, e de planejamento reprodutivo. Nós sabemos que todas essas ações são importantes para que haja redução na mortalidade materna", disse.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o Brasil foi um dos países latino americanos que alcançou avanços significativos na redução de mortes relacionadas à gravidez ou parto de 1990 a 2013. A taxa de redução de mortes maternas foi de 43% da década de 90 até 2014, no entanto a OMS alerta que o país não tem condições de alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de reduzir 75% da taxa de mortalidade.

Nos países desenvolvidos, a taxa de mortalidade materna fica em torno de 10 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos; em comparação, nos países menos desenvolvidos, ela pode alcançar 1 mil mortes maternas ou mais por 100 mil nascidos vivos.

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