ECONOMIA

Geração de empregos e desmobilização industrial unem Zona da Mata Norte ao Litoral Sul

Conheça a situação dos dois principais polos industriais do estado na série “Conexão Suape-Goiana: rotas da indústria em Pernambuco”

Da Rádio Jornal
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Publicado em 21/05/2015 às 8:42
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Navio André Rebouças, que foi inaugurado no início de maio, é um dos cinco que foram construídos em solo pernambucano. Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação PR


O Complexo Portuário e Industrial de Suape está localizado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana, a aproximadamente 40 km ao sul do Recife. Já a cidade de Goiana fica no litoral norte do estado, a 66 km da capital e possui a segunda maior população da Zona da Mata Pernambucana.

O Porto de Suape, criado através de lei estadual em 1978 e inaugurado em 1983, possui 13.500 hectares, distribuídos em zonas portuária, industrial, administrativa e de serviços. Já em Goiana, foi criado em 2006, através de lei federal, o polo farmacoquímico, com a fábrica da Hemobrás. Em 2015, foi inaugurada a primeira fábrica da Jeep no Brasil, expandido o polo industrial da região.

Suape e goiana são exemplos do crescimento econômico de Pernambuco nas últimas décadas. A movimentação de cargas no porto ultrapassou a marca de 11 milhões de toneladas, em um investimento que já soma R$ 40 bilhões. Empreendimentos como o Estaleiro Atlântico Sul e a Refinaria Abreu e Lima mudaram a cara da região. O eletricista Luiz de França, por exemplo, trocou o serviço autônomo pela refinaria. [ouça a reportagem especial]:

Para atender a expectativa de produzir 250 mil carros por ano, a fábrica da Jeep, em Goiana, deve empregar 11 mil pessoas até o fim de 2015, enquanto o polo da cidade pode alcançar a casa dos 40 mil funcionários nos próximos 5 anos. A chegada das novas indústrias promoveu crescimento na cidade e no comércio das redondezas, como diz o comerciante e aposentado, José Galdino. “Aqui tivemos só melhoras. O comércio cresceu, tem muita gente que vem do Recife para negociar aqui”, comemora.

A Fábrica da Jeep entrou em operação no final de abril com expectativa positiva de crescimento. A Inauguração contou com a participação da presidente Dilma, do Governador Paulo Câmara, ambos no carro, e do presidente do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Sergio Machionne. Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação PR


Porém, com a conclusão das obras da primeira parte da Refinaria Abreu e Lima e os bloqueios causados pela operação lava jato, que investiga denúncias de corrupção na Petrobras, o Complexo Petroquímico de Suape vive uma rotina de demissões. O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Petróleo de Pernambuco e da Paraíba (Sindipetro), Marco Aurélio, diz que a maioria absoluta dos desligamentos aconteceu no setor de construção da petrolífera. “No ano passado, tínhamos 45 mil trabalhadores e agora esse número foi reduzido para 4 mil. Muitas das demissões foram feitas de maneira irregular e a Petrobras teve que arcar com os custos. Esperamos que tudo isso termine e que as obras voltem a ser realizadas por que são obras importantes para o Brasil”, completa.

Embora muitas dessas demissões fossem programadas, já que as obras seriam finalizadas e essa mão-de-obra não seria completamente absorvida, o sentimento é que a região perdeu o ritmo. As redes de hotéis e restaurantes de Suape já sentem os impactos das mudanças. Clárisson Ribeiro, gerente de um restaurante no centro de Ipojuca, diz que o clima é de incertezas. “Nosso movimento diário era de 300 pessoas e tínhamos 15 funcionários. Agora atendemos entre 80 e 100 pessoas e reduzimos o quadro para seis funcionários. Com essas demissões, tivemos um prejuízo de R$ 40 mil”, diz.

Em meio a um cenário negativo, o secretário de Desenvolvimento de Pernambuco, Thiago Norões, lembra que o aumento do desemprego no complexo industrial está ligado à crise vivida pela construção civil em âmbito nacional. Mesmo assim, de acordo com o secretário, que também preside Suape, o porto segue em expansão. “O Complexo Industrial e Portuário de Suape vai muito bem. Temos mais de 100 indústrias, com outas 47 em instalação. Para se ter uma ideia, de março de 2014 para março de 2015, tivemos um incremento de 43% na receita do Porto com a entrada em operação da Refinaria, a importação e exportação de automóveis e a escolha do porto como base logística para o Nordeste”, diz.

Comparada com a cidade de Macaé, no Rio de Janeiro, tida como ‘Capital Nacional do Petróleo’, e que vive uma grave crise após os problemas enfrentados pela Petrobras, a situação de Ipojuca é contrastante. Para a especialista em impacto socioambiental, Flávia Reis, o potencial do polo industrial pernambucano segue promissor. “Macaé depende da atividade do petróleo, Suape, não. Suape tem um sem número de atividades desenvolvidas ali, o porto funciona de maneira independente da refinaria. Não vejo, de forma alguma, uma semelhança entre as duas cidades, mesmo com a perspectiva mais pessimista possível”, justifica.

Nesta sexta-feira, na segunda parte da série especial “Conexão Suape-Goiana: rotas da indústria em Pernambuco”, você acompanha as consequências da industrialização no município de Goiana e os desafios para a retomada do crescimento em Suape. A reportagem tem produção de Lélia Perlim, Luiza Falcão e Rafael Souza, coordenação de Carlos Moraes e trabalhos técnicos de Evandro Chaves.

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