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“Crescer pela indústria é sempre a melhor forma de crescer”, diz ministro Armando Monteiro Neto

Na segunda parte da série “Conexão Suape-Goiana: rotas da indústria em Pernambuco”, saiba o que o crescimento desordenado do Litoral Sul ensinou à Mata Norte de Pernambuco

Da Rádio Jornal
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Publicado em 22/05/2015 às 9:31
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A Jeep, em Goiana, está preparada para fabricar 250 mil carros por ano. Entre os funcionários, 78% são de Pernambuco e 82% são nordestinos.


Até 2005, Goiana tinha economia baseada na agricultura açucareira e no comércio varejista. Porém, nos últimos 10 anos, o município histórico da zona da mata pernambucana viu suas atividades econômicas transformadas com a chegada de três grandes indústrias.

Neste mesmo período, o Complexo Industrial de Suape conquistou novo fôlego com a implantação da Refinaria Abreu e Lima; a Energética Suape II, maior termelétrica do País; e o Estaleiro Atlântico Sul, que já entregou cinco navios petroleiros produzidos com exclusividade em solo pernambucano.

O Polo Industrial de Goiana é marcado pelo pioneirismo. Ele abriga a primeira fábrica da Jeep fora dos Estados Unidos; a primeira fábrica de hemoderivados do Brasil, a Hemobrás, além da primeira fábrica de vidros planos do Nordeste.

A escolha das indústrias por Pernambuco, seja na Mata Norte ou no Litoral Sul, acontece tanto pela localização privilegiada quanto pela logística de escoamento de produção, que envolve o porto de Suape. O estado também ganha com a importação de peças e produtos que serão utilizados em diversos polos industriais de Pernambuco e do Nordeste. [Ouça a matéria especial no player abaixo]:

Por outro lado, essa industrialização causa impactos diferenciados de acordo com a forma de planejamento da instalação das fábricas. Para a especialista em Estudos de Impacto Ambiental, Flávia Reis, o resultado foi muito mais positivo em Goiana do que em Suape. “Em Suape tem muita gente de fora que agora está desempregada, ocupando os espaços públicos sem qualidade de vida e sem uma fonte de renda. O grande diferencial para que o desenvolvimento tenha sido menos impactante negativamente em Goiana foi a capacitação de mão de obra local”, diz.

Até os anos 1990, o setor industrial representava 11% do PIB de Pernambuco, percentual que saltou para 28%, impulsionado pelas transformações em Suape. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon), Gustavo Miranda, reconhece que a refinaria foi a maior obra realizada no Nordeste, mas teme pelo futuro da indústria no Litoral Sul do Estado. “Não lembro de uma obra que empregou 51 mil pessoas antes. Nos últimos seis meses, porém, já perdemos 10 mil postos de trabalho. Suape hoje é uma curva descendente e Goiana, se não está tão bem quanto há dois anos, pelo menos tem uma curva estável”, explica.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (FIEPE), Ricardo Essinger, a retomada do crescimento industrial está ligada ao andamento de obras estruturais. “O que precisamos é que o governo federal saia da imobilidade em que se encontra para que obras como a transposição [do Rio São Francisco], a transnordestina, o arco metropolitano, voltem a funcionar. Isso acontecendo, nós passaríamos a ter, de novo, o ciclo virtuoso do crescimento”, diz.

Em plena atividade, a fábrica da Jeep deve gerar um incremento de 6,5% no PIB do estado. O diretor de recursos humanos da empresa no brasil, Adalto Duarte, afirma que a formação adequada facilita a volta da mão de obra ao mercado de trabalho. De acordo com ele, o processo de desmobilização em Goiana, em comparação com Suape, acontece de maneira positiva. “Nossa expectativa é de continuação das admissões. Nós temos 78% de pernambucanos, 82% de nordestino e, nesse conjunto, temos cerca de 2 mil pessoas de Goiana. Nenhum dos funcionários que trabalham na produção direta do veículo tinha trabalhado na produção automotiva antes, nós fizemos esse treinamento”, afirma.

Para o secretário de Desenvolvimento de Pernambuco, Thiago Norões, o estado continua sendo um destino seguro para indústrias nacionais e internacionais, mesmo em um período de crise financeira. “Pernambuco é o estado do Nordeste mais bem localizado geograficamente, é o que tem melhor infraestrutura, que tem o parque industrial mais diversificado, e isso tem sido percebido pelos investidores. A Refinaria, em plena operação, deve atrair outras vias para o seu entorno, da mesma forma que a Jeep”, garante.

Em um ano turbulento para a economia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, garante que o Brasil vai se recuperar. Em entrevista exclusiva para a reportagem, o ministro diz que a indústria é o motor para a retomada do desenvolvimento. “Nós estamos passando por um processo de transição na economia brasileira e quem tem que liderar o processo de crescimento é a indústria. Crescer pela indústria é a melhor forma de crescer. A indústria dissemina o conhecimento, impacta a produtividade da economia positivamente, paga os melhores salários, portanto, é pela indústria que nós vamos garantir que a estratégia de crescimento do país nos conduza ao desenvolvimento econômico”, afirma.

Acesse a primeira parte da série especial “Conexão Suape-Goiana: rotas da indústria em Pernambuco” conheça a situação dos dois principais polos industriais do estado. A reportagem tem produção de Lélia Perlim, Luiza Falcão e Rafael Souza, coordenação de Carlos Moraes e trabalhos técnicos de Evandro Chaves.

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