O FOLE RONCOU

No Grande Recife, quem quer manter as tradições do São João precisa duelar com a economia

A alta da inflação dos alimentos provoça uma mudança no tamanho da fogueira, no tipo dos fogos e na mesa do pernambucano

Da Rádio Jornal
Da Rádio Jornal
Publicado em 24/06/2015 às 7:25
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Foto: Lélia Perlim/Rádio Jornal


Hoje é dia de São João, nome de destaque da festa mais nordestina do ano. Em junho, áreas urbanas e rurais da Região Metropolitana do Recife comemoram a fartura das colheitas e as tradições religiosas. Quem faz o paralelo entre as tradições e a nossa economia é a repórter da Rádio Jornal Recife, Lélia Perlim:

Mesmo com o tom urbano das cidades que compõem a RMR, a tradição dos festejos juninos é grande entre a população. Bandeirinhas, balões e fogueiras enfeitam casas, ruas e lojas dando o clima de arraial a vários pontos das cidades. A ligação com essas festas é histórica em vários municípios: Recife e Cabo De Santo Agostinho têm Santo Antônio, celebrado no dia 13 de junho, como padroeiro.

Em tempos de ajustes financeiros, comerciantes e clientes travam um verdadeiro duelo com a economia para não deixar de comemorar as festas juninas. A alta da inflação reflete na quantidade de produtos comprados e no tipo de comida que chega à mesa do pernambucano.

Até os fogos de artifício, utilizados segundo a tradição para acordar São João, tiveram queda nas vendas, de acordo com o vendedor ambulante, Edson Belo. Ele diz que investiu R$ 28 mil e relata que ainda não apurou nem metade do valor investido.

De acordo com a Fecomércio, a inflação do Recife em maio foi a maior registrada entre as treze principais capitais do país, com 1,51%. Nos últimos doze meses, o percentual chega a 7,85. O aumento é sentido diretamente pelo consumidor que sacrifica os festejos juninos por causa do pouco dinheiro que sobra. A operadora de caixa Maria Inês Gonçalves vai ficar sem roupa nova para que os filhos pequenos briguem o São João a caráter.

As comidas tradicionais dos terreiros de candomblé e unbanda se confundem com as tradicionais comidas de milho. Foto: Rafael Souza/Rádio Jornal


Entre as tradições que o nordestino não abre mão, mesmo em tempos de crise, estão as fogueiras. Nas áreas onde a influência negra foi maior, o ritual que celebra o nascimento de São João se confunde com a devoção a Xangô, orixá do fogo e da justiça.

A série “O fole rocou: o São João na crise de ponta a ponta do estado” tem produção de Luiza Falcão, Natália Hermosa e Rafael Souza, coordenação de Carlos Morais e trabalhos técnicos de Evandro Chaves e colaboração de Avanildo Cerqueira. Ouça também as reportagens especiais sobre o São João fesitas pelas emissoras da Rádio Jornal de Petrolina, Pesqueira, Garanhuns, Limoeiro, Caruaru e Recife.

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