DEBATE

Em tempos de tanta violência, debate desta segunda aborda a mente dos perversos

Participaram do debate os psiquiatras Edésio Lira e José Carlos Escobar e a delegada Gleide Ângelo

Da Rádio Jornal
Da Rádio Jornal
Publicado em 13/07/2015 às 13:43
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Foto: Rádio Jornal


No debate da Super Manhã da Rádio Jornal desta segunda-feira (13), o comunicador Geraldo Freire conversou com os psiquiatras Edésio Lira e José Carlos Escobar e com a delegada Gleide Ângelo, que foi responsável pela investigação do crime bárbaro praticado contra a jovem Maria Alice Seabra.

O psiquiatra José Carlos Escobar apontou que entende a perversidade como uma potencialidade do ser humano. “Hoje se tem mais notícias, se sabe mais da crueldade. O ódio humano pertence à história, não é moderno“, observou. Ele disse ainda que a grande diferença é que atualmente se fala mais sobre o assunto, mas que a crueldade existe desde os tempos bíblicos. Com relação às penas e punições contra os criminosos, Dr. Escobar entende que o sistema penitenciário pode piorar as pessoas e criar mais ódio. Ele relembrou do caso de Suzane Von Richthofen, que pertencia a uma família estruturada e assassinou os pais.

A delegada Gleide Ângelo disse que costuma observar as pessoas, no ato que é feita a prisão dos suspeitos. Ela conversa muito e nota, como polícia, que as pessoas procuram justificar a ação praticada. A delegada apontou ainda que grande parte dos crimes bárbaros são de proximidade, ou seja, de pessoas que conhecem pessoas. “Não são crimes de um assaltante que vai roubar. É crime de um vizinho que está com raiva de outro vizinho e comete crime, enterra e oculta cadáver. Quase todos confessam e dizem, e o que eles dizem quando presos é que cometeram o crime porque acreditam que a pessoa merecia morrer”, observou. Gleide Ângelo disse ainda que se preocupa que essas pessoas não acreditem que estejam erradas, podendo cometer outros crimes quando saem da cadeia. “Eles saem da cadeia e não se sentem culpados, não acreditam que erraram. Se não acreditam que estão erradas, vão continuar matando”, concluiu.

Com relação ao caso da jovem Maria Alice, que morreu em junho deste ano, o autor do crime e padrasto da vítima disse em depoimento à delegada que passou duas semanas observando o facebook e viu que a enteada estava saindo com rapazes, não admitindo tal comportamento. Ele afirmou que a enteada merecia morrer. “Essas pessoas sempre assumem uma justificativa para o crime, nunca estão erradas. Erradas, para esses criminosos, seriam as vítimas”, concluiu a delegada do caso.

Confira o debate na íntegra:

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