ZONA OESTE

Apesar dos transtornos, população apoia protesto que incendiou dois ônibus na favela do Detran

Parte dos moradores afirma que a polícia vem exercendo o poder de forma truculenta. Protestos aconteceram em retaliação à prisão de suspeitos por tráfico

Da Rádio Jornal
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Publicado em 16/09/2015 às 10:06
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Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem


Depois que dois ônibus coletivos foram incendiados em menos de 24 horas na Estrada do Barbalho, a empresa CRT e o Sindicato dos Rodoviários decidiram que os serviços de ônibus estão suspensos à comunidade do Detran, no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife. Com a medida, os 15 ônibus que circulam pelas duas linhas deixam de atender 11.400 pessoas, aproximadamente. Saiba mais na reportagem de Clairssa Siqueira:

A justificativa do Sindicato dos Rodoviários Urbanos da Região Metropolitana do Recife é que a suspensão das linhas 425-Barbalho (Detran) e 422-Monsenhor Fabrício vai impedir novos atos de vandalismo. Os ônibus foram incendiados após a polícia pender um casal suspeito de tráfico de drogas. Moradores do local afirmam que a ação foi truculenta.

De acordo com a Polícia Civil, os ônibus três suspeitos pelos incêndios são irmãos de Romário Lucas da Silva, de 21 anos, que foi preso com 48 pedras de crack. A namorada dele, uma adolescente de 17 anos, está grávida e foi levada para a Funase.

A moradora Ângela Oliveira diz que a falta de ônibus atrapalha o deslocamento para o trabalho, mas concorda com o protesto que incendiou ou ônibus. "O que estão fazendo aqui dentro da comunidade não existe, estão fazendo abuso de poder. A gente é pobre, a gente mora numa favela, mas não justifica eles chegarem batendo, espancando. Aqui também tem mãe de família, pai de família", diz.

De acordo com o assessor de comunicação do sindicato, Genildo Pereira, a categoria só volta pra rua se o policiamento for reforçado. "O sindicato prontamente apoiou essa ação e estamos aguardando que haja uma reunião com a SDS para que a comunidade e os operadores se sintam seguros de voltar a trafegar pela localidade", completa.

Em nota, a Urbana-PE repudiou os atos e informou que a empresa operadora responsável pelas linhas, CRT, já solicitou apoio policial para restabelecer os serviços e garantir a segurança dos passageiros e operadores.

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