POLÊMICA

Durante ato no Recife ministro da Justiça defende desarmamento para reduzir a violência

O Palácio do Campo das Princesas foi palco de um ato contra manobra que flexibiliza o Estatuto do Desarmamento

Da Rádio Jornal
Da Rádio Jornal
Publicado em 23/11/2015 às 15:33
Leitura:
Foto: Divulgação/ Polícia Federal-PE


Pernambuco partiu na frente sobre as discussões da flexibilidade do Estatuto do Desarmamento. Um ato contra esta manobra reuniu Organizações Não Governamentais, políticos de diferentes correntes e especialistas em segurança no Palácio do Campo das Princesas, na Praça da República, na área central do Recife.

A aprovação de mudanças no projeto vai permitir que armas sejam compradas e utilizadas pelos cidadãos. Um retrocesso na regulamentação criada em 2003, como fala o ministro da Justiça Eduardo Cardoso. “Na verdade, o que está em jogo é o valor humano. Você imaginar que você vai desarmar é algo correto para reduzir a violência. Agora você imaginar que vai armar para combater a violência é algo inaceitável”, destacou o ministro. “Todos os estudos mostram que quanto mais armas você tem, maior é a violência”, completou.

“Essa proposta vai na contramão daquilo que nós precisamos para o país. Nós precisamos reduzir a violência. Nós precisamos desarmar e não armar”, frisou Cardoso.

O repórter Rafael Carneiro traz os detalhes:

O discurso do governo se apoio em números colocam o brasil no 11º lugar no ranking mundial por homicídios por armas de fogo. 53 mil mortes por ano ou cinco vítimas deste tipo de crime por hora.

Governador Paulo Câmara e autoridades durante o ato
Foto: Rafael Carneiro/ Rádio Jornal

O ministro falou também sobra a criação de uma política nacional de redução de homicídio. Nela seria ampliada a conversa com os estados, inclusive com uso de ferramentas do Pacto Pela Vida, numa proposta de queda de 5% ao ano.

O presidente do senado, Renan Calheiros, tem acompanhado as discussões sobre o assunto na Câmara Federal e acredita na mobilização da sociedade para a proposta ser barrada. Ele demonstrou interesse em reiniciar a cruzada contra a criminalidade no país e parabenizou Pernambuco pela iniciativa.

Já Paulo Câmara, que enfrenta índices crescentes de violência a frente do governo de Pernambuco, se mostrou muito preocupado com a flexibilização do desarmamento. “O conjunto de ações que nós estamos fazendo para diminuir o número de homicídios parte do pressuposto também de apreender armas”, comentou, dizendo que a lei dificulta essa apreensão.

A discussão sobre o projeto tramita na Câmara dos Deputados Federais e lá a Comissão Especial do Desarmamento aprovou por 19 votos a 8 uma série de mudanças no Estatuto do Desarmamento.

Entre elas: redução de 25 para 21 anos a idade mínima para compra de arma, porte de arma em casa e no trabalho e renovação da licença para uso a cada 10 anos.

Mais Lidas