DEBATE

Está na hora de discutir a convivência com o HIV, a aids e a persistência do preconceito social

Cerca de 37 milhões de pessoas convivem com o vírus em todo o mundo. Em Pernambuco, desde 1983, quase 22 mil pessoas já foram contaminadas

Da Rádio Jornal
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Publicado em 01/12/2015 às 6:14
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Foto: Luiza Falcão/Rádio Jornal


Qual a imagem que você tem de uma pessoa que tem o vírus da imunodeficiência humana, ou HIV, na sigla em inglês? Por mais que as campanhas de conscientização enfativem que não existe "cara" para o vírus ou para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids, também na sigla em inglês), o preconceito que ainda rondam ambas as siglas é enorme. Você sabe, por exemplo, que uma pessoa com o vírus pode nunca desenvolver a doença e até perder a capacidade de transmiti-la?

De acordo com a Organização das Nações Unidas estima que 37 milhões de pessoas no mundo convivam com o HIV. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 734 mil estejam infectadas, mas cerca de 145 mil não sabem que podem ficar doentes.

A aids, por sua vez, é uma doença que afeta o sistema imunológico e abre as portas do organismo para infecções que, geralmente, são consideradas leves. As células mais afetadas pela síndrome são as de defesa, que passam a ser "comandadas" pelo vírus. Doenças como gripe, tuberculose e sífilis são comuns e potencialmente grave nessa população. Existe até um tipo de câncer, sarcoma de kaposi, que afeta apenas pessoas com o vírus. É importante dizer que ninguém morre de aids e sim das doenças oportunistas que afetam o organismo já comprometido pela incapacidade de células de defesa.

Sobre esse assunto, a apresentadora Clarissa Siqueira conversou com a cientista social, mestre em Antropologia e Coordenadora da ONG Gestos, Jô Menezes, médico epidemiologista e o gerente de Prevenção e Controle da Aids e outras DST, François Figueiroa, e o cozinheiro e membro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+Brasil), Roberto Brito. O programa abordou as etapas de diagnóstico e convivência com o vírus, além dos relacionamentos amorosos e sociais que envolvem pessoas a aids.

Ouça o programa Comportamento na íntegra:

Desde 1983, Pernambuco registrou 21.990 casos de aids, sendo 14.249 em homens e 7.741 em mulheres. Os óbitos totalizam 6.919 casos. De acordo com François Figueiroa, a principal forma de transmissão continuam sendo as relações sexuais sem uso correto do preservativo. Jô Menezes, o importante é estar ciente dos seus direitos, das suas limitações e que a vida, apesar de regrada, pode ser longa e prazerosa.

No Estado, assim como em todo o país, as pessoas diagnosticadas com a infecção pelo vírus recebem a medicação antirretroviral gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. O uso correto da medicação pode reduzir drasticamente a quantidade de vírus no organismo e evitar que a pessoa fique doente. A transmissividade também pode ser reduzida a quase zero. Sem a aids, o paciente com o vírus HIV pode levar uma vida extremamente saudável e feliz.

Imagem: reprodução/internet


Novela e vida real - O jornalista Rafael Souza lembrou personagens que lutaram contra a doença e o preconceito, assim como pessoas reais que conviveram com o vírus. Os cantores Cazuza, morto em julho de 1990, e Freddie Mercury, que faleceu em novembro de 1991, assumiram ter a doença em épocas em que ela era uma sentença de morte. Renato Russo, apesar de nunca ter assumido, também tinha a síndrome. O filósofo francês Michel Foucault, falecido em junho de 1984, também faleceu em decorrência do quadro clínico apresentado pela infecção.

Na temportada de 1999 da série Malhação, a atriz Samara Filippo representou o papel de Érica, que descobriu a infecção pelo vírus e teve que aprender a lidar com a síndrome e com o preconceito. Na época, a mistica era tão forte que uma fã desistiu de conhecer a atriz por causa da personagem. Em Amor à vida (2013), Raquel Villar interpretou a enfermeira Inaiá, que descobriu que tem o vírus, está desenvolvendo a aids e tem um câncer raro.

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