INVESTIGAÇÃO

Tubarão que atacou turista em Fernando de Noronha é da espécie Tigre, diz engenheiro de pesca

Curador do Museu do Tubarão afirma que essa espécie costuma se alimentar à noite e que o encontro foi uma fatalidade

Da Rádio Jornal
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Publicado em 23/12/2015 às 6:45
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Pesquisadores vistoriaram a área para verificar se existiam anormalidades. Foto: Divulgação/Zaira Matheus


A espécie tigre é habita o ranking das mais perigosas entre os tubarões. Isto por que é errante e costuma morder objetos que não conhece. A identificação do tipo de tubarão que mordeu o turista paranaense na última segunda-feira (21) em Fernando de Noronha está a cargo do curador do Museu do Tubarão, Leonardo Veras.

O homem, que não teve a identidade revelada a pedido da família, fazia o mergulho em apneia e sem a presença de um guia na praia da Baía do Sueste. O turista de 33 anos perdeu parte do antebraço direito. Ele chegou ao Recife na manhã dessa terça-feira (22), passou por cirurgia no Hospital da Restauração e agora está num hospital particular.

Espécie não é comum na Ilha. Foto: reprodução/internet

A ocorrência é investigada pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (CEMIT), O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama).

A mordida do tubarão é o primeiro ataque em Fernando de Noronha e do de número 61 em Pernambuco desde a década de 1990. O presidente do CEMIT, Coronel Clóvis Ramalho, evita polemizar e diz que o importante é analisar todo o contexto:

Submetido a duas cirurgias neste período, o turista paranaense não tem previsão de alta hospitalar. Médico chefe do plantão da unidade de trauma do Hospital da Restauração, Rogério Ehrhardt, fala dos encaminhamentos:

Leonardo Veras é pesquisador e engenheiro de pesca e mora há 25 anos no Arquipélago de Fernando de Noronha. O especialista explica que o Tubarão Tigre não é comum no local pois tem como características migrar longas distâncias. A identificação do animal marinho se dá pelo tamanho e força da mordedura além do relato da vítima.

O pesquisador fez um mergulho ontem na praia da baia do sueste e não encontrou indícios de desequilíbrio ambiental. O engenheiro de pesca explica que não há motivo para pânico e que deve se respeitar o espaço dos tubarões.

Leonardo veras afirma que há uma fundamentação em apontar a espécie tigre como a responsável pela mordida. “Eu entreguei uma tabela que desenvolvemos para ajudar a um leigo a identificar um tubarão e ele claramente sinalizou que era esse animal”, diz.

De acordo com Veras, a espécie tem costume de morder objetos por curiosidade e ir embora. “O [tubarão] Tigre é uma animal investigador, curioso. Ele costuma morder coisas estranhas. Já foi localizado no estômago desses animais placa de automóvel, lata de cerveja, boia, bola de futebol”, relata.

Ainda segundo o pesquisador, o fato de não haver registros de ataques não deve ser visto como regra, mas sim como exceção. Ele explica que o normal é ter ataques ocasionalmente, sejam eles violentos ou não. O Tubarão Tigre é tido como uma espécie errante. “Temos animal marcado aqui em Noronha que já foi encontrado na costa da África; marcado aqui e que já foi bater na Paraíba. Ele tem uma distribuição geográfica muito grande e errante”, conta. Em Noronha, as espécies mais comuns são Limão, Lixa e o Tubarão-cinzento-dos-recifes.

O pesquisador lembra que essa espécie costuma se alimentar à noite e, durante o dia, geralmente se mantém mais afastada da costa. “Como o evento aconteceu no final da tarde, foi uma completa infelicidade”, lamenta. Ouça a entrevista completa:

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