RETRATO

Cremepe fiscaliza hospitais do Grande Recife e encontra falta de leitos e insumos nas unidades

O Conselho identificou que todas as emergências da região funcionam sem as condições adequadas

Da Rádio Jornal
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Publicado em 13/01/2016 às 16:00
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Retrato da saúde estadual foi apresentado nesta quarta-feira (13). Foto: Isabela Dias/Rádio Jornal


Descaso, fechamento de leitos, superlotação e falta de insumos nos hospitais públicos da Região Metropolitana do Recife. Este foi o resultado da fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) em sete hospitais do estado, entre eles o Barão de Lucena, Getúlio Vargas, Otávio de Freitas, Dom Hélder Câmara, Pelópidas Silveira, Agamenon Magalhães e Restauração.

O Cremepe identificou que todas as emergências da região funcionam sem as condições adequadas. O conselho também destacou a falta de médicos e de espaço para os pacientes, que acabam ocupando corredores, escadas e o chão dos hospitais.

Representantes do Cremepe se reuniram, nesta quarta-feira (13), no auditório do órgão, com os gestores das unidades de saúde fiscalizadas para apresentar o resultado. Confira os detalhes na reportagem de Isabela Dias:

O diretor do Hospital da Restauração, Miguel Arcanjo, justifica que a superlotação das emergências do HR ocorre em virtude do fechamento de leitos em outras unidades. “Nós já tínhamos um excedente no hospital ao longo do tempo, nós sempre tivemos pacientes no corredor. Normalmente, nós esvaziamos todos os dias e todos os dias há uma demanda maior do que a nossa capacidade e a fiscalização do Conselho não foi nenhuma novidade para nós”, disse.

O presidente do Cremepe, Silvio Rodrigues, destaca as principais constatações observadas na fiscalização. “A gente sabe que fecharam leitos de ortopedia e traumatologia; existem enfermarias fechadas como o Hospital Dom Helder e o Barão de Lucena; existem leitos de UTI fechados como o Hospital de Barão de Lucena; existe serviço de hemodinâmica que foi restrito por questões relacionadas sempre identificando o custo financeiro como sendo a motivação”, falou.

Silvio Rodrigues disse ainda que, diante da situação encontrada na emergência do Otávio de Freitas, não está descartada a possibilidade de interdição ética do local, com objetivo de pressionar o governo do estado. Mas, segundo o presidente do Cremepe, somente no caso das exigências não serem atendidas é aberto o pedido de interdição.

O relatório com as irregularidades vai ser entregue ainda esta semana ao governador do estado para a solicitação de uma audiência para que todos os leitos sejam reativados. Novas fiscalizações vão ocorrer nos hospitais do interior de Pernambuco.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde reconhece a alta demanda nas emergências da Região Metropolitana do Recife. O órgão informa que está sendo discutido um plano de reabertura dos leitos que estão momentaneamente desativados.

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