REPERCUSSÃO

Estado minimiza declaração de Pedro Eurico de que costuma falar com presos pelo celular

Durante reunião na assembleia legislativa, secretário de Justiça e Direitos Humanos relativizou a utilização do celular pelos detentos. Em nota, governo do estado diz que secretario foi mal-entendido

Da Rádio Jornal
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Publicado em 03/02/2016 às 6:56
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Depois da audiência pública na Assembleia Legislativa, que aconteceu no plenário da casa nessa terça-feira (2), o que mais se falava era na declaração dada pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, que disse falar com detentos pelo celular. O gestor ainda completou a declaração com um “não é nada de excepcional” sobre fato de detentos usarem celulares para se comunicar com ele. "Minha mulher não aguenta mais. Eles ligam até de madrugada", disse. Confira agora o trecho da declaração do gestor público responsável pelos presos e o uso do celular:

A repercussão foi tamanha que Pedro Eurico conversou pessoalmente com o governador Paulo Câmara. Em nota, o Governo do Estado diz que o gestor responsável pelas unidades prisionais foi mal interpretado pelos deputados estaduais. “Ele realmente entregou o número para familiares de presos”, diz o texto.

Confira a nota na íntegra:

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, continua tendo a confiança do governador Paulo Câmara. Pedro conversou no início da noite desta terça-feira (02.02) com o governador e explicou que foi mal compreendido ao afirmar que tinha fornecido o número do seu telefone pessoal para presos. Segundo o secretário, ele realmente entregou o número para familiares de presos. Pedro também recebe, por meio do telefone celular, informações estratégicas de igrejas, integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público, Defensoria Pública e agentes penitenciários. Essa abertura ao diálogo permitiu impedir abusos e extorsões contra os presos, tráfico de drogas, fugas e rebeliões nas unidades prisionais de Pernambuco. Com relação à questão do uso de telefones móveis nas prisões, o que realmente fala mais alto é que, em 2015, a Secretaria Executiva de Ressocialização apreendeu mais de 4,5 mil aparelhos celulares. Além disso, Pedro Eurico tem uma trajetória na militância dos Direitos Humanos desde a época do enfrentamento com a ditadura militar, quando lutou pelos presos políticos. Pedro permanece nessa trincheira.

Na Alepe, o secretário anunciou a contratação de 200 agentes penitenciários através de concurso público em breve. Também revelou que duzentos profissionais serão contratados num processo seletivo simplificado para a área administrativa prisional. Pedro Eurico explicou ainda que serão utilizadas armas letais para impedir a fuga nos presídios e penitenciárias. Já o secretário estadual de defesa social Alessandro Carvalho disse que não haviam informações sobre a ação na Barreto Campelo.

Os integrantes da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Alepe consideraram inaceitáveis as explicações dos secretários. Os deputados vão encaminhar uma representação ao Ministério Público contra os secretários Pedro Eurico e Alessandro Carvalho.

Outras audiências públicas sobre a crise no sistema prisional devem ser realizadas na Assembleia Legislativa. O presidente da comissão, Edilson Silva (PSOL), afirma que a cobrança representa o sentimento da sociedade:

A Comissão de Cidadania sob a presidência do deputado Edilson Silva pediu que os secretários prestassem esclarecimentos sobre os casos dos presídios em Pernambuco. Estiveram reunidos integrantes da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular; o secretário de Justiça do Estado, Pedro Eurico, e o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho.

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