BALANÇO

Governo do Estado comemora redução dos números da violência no carnaval em Pernambuco

Sindicato dos Policiais Civis contesta a não inclusão dos números da sexta-feira de carnaval na contagem

Da Rádio Jornal
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Publicado em 12/02/2016 às 6:15
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Foto: Clarissa Siqueira/Rádio Jornal


A estatística leva em conta o período entre a meia-noite do sábado (6) até às 23h59 da quarta-feira de cinzas (10). A Secretaria de Defesa Social diz que foram 57 assassinatos, somente um em polo de folia, precisamente no município de Tamandaré, contra 75 no ano passado. Porém, de acordo com a editoria de polícia da Rádio Jornal, pelo menos 63 assassinatos foram cometidos no carnaval.

Nos chamados crimes violentos contra o patrimônio (CVP) a queda chegou a 11%. Já a redução na quantidade de pessoas detidas durante o Reinado de Momo chegou a 61%. No Passando a Limpo da Quarta-feira de Cinzas, antes da divulgação do balanço de Carnaval, o governador em exercício, Raul Henry, comentou os números e afirmou que "a Polícia fez uma presença mais efetiva".

Ao todo, 140 foliões foram parar na delegacia por ameaças, agressão e lesão corporal. Os números representam uma retração de 32% no comparativo com o cenário de 2015. No carnaval deste ano, os Bombeiros tiveram mais trabalho, pois foram 1.055 ocorrências. Já so número de depredação a ônibus, a redução chegou a 8,9%, totalizando 559 veículos.

O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, analisa a redução de 24% nos homicídios. “O mais relevante foi o planejamento que foi feito com a participação dos blocos, das troças, das prefeituras e de órgãos como o Grande Recife e o Metrorec”, disse.

O comandante da Polícia Militar, Coronel Carlos Dalbuquerque, comenta a confusão da noite da segunda-feira de carnaval no Bairro do Recife. “O fluxo de pessoas foi maior do que o esperado, mas a Polícia Militar estava presente. Inclusive temos relatos de comerciantes que estavam lá e afirmam que a presença da PM minimizou os efeitos daquela situação”, afirmou.

Enquanto o poder público comemora a redução da violência, o efetivo da segurança pública se mostra insatisfeito. Os policiais civis, que quase entraram em greve antes do carnaval, lembram que o governo tem que cumprir o acordo. O presidente do sindicato que representa a categoria, Aureo Cysneiros, questiona a veracidade das informações. "O que a gente está sabendo é que não houve a apuração das mortes na sexta-feira de carnaval, mas ainda é muito alto o número de homicídios no Carnaval. Isso reflete a falta de condições das polícias em geral, pricipalmente da Polícia Civil, que está trabalhando com menos de 40% do efetivo e isso prejudica a investigação dos crimes cometidos no estado", lamentou.

Os policiais militares também não vão ter saudade do carnaval diante das dificuldades vivenciadas pela tropa. Entre as queixas mais frequentes, o valor das diárias, o pequeno intervalo entre os plantões e a falta de condições de trabalho. O presidente da Associação de Cabos e Soldados, Alberison Carlos, diz que não foi fácil encarar o serviço.

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