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Pesquisadores esperam que resultados de técnica de esterilização do Aedes apareçam em seis meses

A tecnologia vem sendo testada em meio natural, na Ilha de Fernando de Noronha, desde dezembro

Da Rádio Jornal
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Publicado em 15/02/2016 às 15:32
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Se depender de estudiosos da Fiocruz e da UFPE o avanço do Aedes aegypti está com os dias contados. Uma pesquisa iniciada ainda em 2013, que tem por objetivo esterilizar os mosquitos machos tornando-os inférteis, com radiação gama obteve 70% de redução de viabilidade de ovos em laboratório na primeira fase. A tecnologia vem sendo testada em meio natural, na Ilha de Fernando de Noronha, desde dezembro.

A responsável pela pesquisa, Aline Varjal, explica como funciona a técnica de controle do Aedes aegypti. “Essa técnica é espécie específica que parte do pressuposto do acasalamento, de interferir no processo de reprodução desses insetos, uma vez que os machos estéreis vão competir pelas fêmeas selvagens em campo e inviabilizar a produção de novos indivíduos viáveis”, contou.

Fernando de Noronha foi escolhida para receber os testes pelo isolamento geográfico e pela existência de sistema de monitoramento do vetor, por meio de ovitrampas, uma espécie de coletor de larvas, onde são a taxa de fertilidade e fecundidade dos ovos.

Confira os detalhes na reportagem de Rafael Carneiro:

Por semana, três mil machos estéreis produzidos em laboratórios estão sendo liberados em uma vila do arquipélago, numa proporção de 10 para um mosquito selvagem.

O processo de esterilização do causador da dengue, zika e chikungunya é simples e dura cerca de sete dias. Edvânia Gomes, pesquisadora do Departamento de Energia Nuclear da UFPE, detalha o processo. “A radiação quando entra em contrato com a pulpa vai afetar principalmente a região das gônadas desse mosquito, provocando alguns efeitos celulares desse mosquito, fazendo com que seus espermatozoides se tornem inviáveis para a reprodução posterior”, explicou. “Não é que o mosquito vá se tornar radioativo ou que ele vá sofrer uma mutação genética. A parte das suas gônadas que seriam as mais sensíveis é que vão ser afetadas pela radiação”, completou.

Na opinião das pesquisadoras, ainda é cedo para falar da eficiência da técnica em meio natural. A estimativa é de que os primeiros resultados sejam conhecidos em seis meses.

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