DESPEDIDA

Naná Vasconcelos, o olindense que marcou o nome de Pernambuco na história da música

Em seus 71 anos, Naná Vasconcelos foi eleito oito vezes o Melhor Percussionista do Mundo e recebeu oito Grammy

Da Rádio Jornal
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Publicado em 09/03/2016 às 9:48
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Foto: divulgação


Juvenal de Holanda Vasconcelos nasceu em Olinda no dia 2 de agosto de 1944, mas foi o Naná quem conheceu a música desde cedo. Aos 12 anos, o menino negro e sonhador começou a tocar com o seu pai numa banda marcial do Recife.

Naná aprendeu a tocar todos os instrumentos de percussão, mas sua paixão era mesmo o berimbau. Criativo, Naná tornou-se conhecido por tirar sons dos mais diversos tipos de material, o que o consagrou como um dos maiores percussionistas de todo o mundo.

Em 1967 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, junto com Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livre que acompanhou Geraldo Vandré no III Festival Internacional da Canção.

A carreira no exterior foi extensa e intensa. Ainda em 1967, Naná começou a atuar como percussionista ao lado de diversos nomes de peso: JOn Hassel, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Evelyn Glennie e Jan Garbarek. Formou entre os anos de 1978 e 1982, ao lado de Don Cherry e Collin Walcott o grupo de jazz Codona, com o qual lançou 3 álbuns. Em 1981, tocou no Woodstock Jazz Festival, em comemoração ao décimo aniversário do Creative Music Studio. Em 1998, Vasconcelos contribuiu com a música "Luz de Candeeiro" para o álbum "Onda Sonora: Red Hot + Lisbon", compilação beneficente em prol do combate à AIDS, produzida pela Red Hot Organization.

Naná Vasconcelos ganhou, por sete anos consecutivos (1984-1990), o prêmio de Melhor Percussionista do Mundo da conceituada revista Down Beat, totalizando oito prêmios. O batuqueiro foi ganhador de oito prêmios Grammy, um dos prêmios mais importantes no mundo da música.

Desde 2001 abria oficialmente o Carnaval do Recife acompanhado de 11 nações de maracatus e cerca de 700 batuqueiros, tendo sido um dos homenageados da festa em 2013.


Em 2008, surgiria a ideia do projeto LÍNGUA MÃE, que reuniria crianças de Portugal, Brasil e Angola para criar um espetáculo comemorativo aos 50 anos da capital brasileira no ano de 2010, no Teatro Nacional de Brasília. O documentário de mesmo nome é um registro de preparação de espetáculo em três continentes e um olhar sobre os contrastes e os encontros que a música promove.

No dia 9 de dezembro de 2015, Naná Vasconcelos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

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