ÚLTIMO ADEUS

"Ele reinventou os instrumentos e a percussão", lembra irmã de Naná Vasconcelos

Corpo do percussionista foi sepultado nesta quinta-feira, no Cemitério de Santo Amaro

Da Rádio Jornal
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Publicado em 10/03/2016 às 15:32
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Corpo de Naná foi levado ao cemitério pelo carro do Corpo de Bombeiros

O homem das nações, como ficou conhecido no mundo pela criatividade musical, vai deixar saudades. Foi sepultado na manhã desta quinta-feira (10) o corpo do percussionista Naná Vasconcelos, que morreu aos 71 anos nessa quarta-feira (9).

Entre os irmãos, o músico logo ganhou notoriedade. Era autodidata e se transformou no bom menino, como explica Senilda Vasconcelos. “Naná, desde criança, recebia com muito carinho do meu pai que o chamava de ‘menino bom’. E como menino bom ele cresceu. Entre tantos outros objetivos que ele tinha na música, ele resgatou a cultura, ele reinventou os instrumentos e a percussão”, comentou a irmã.

Nas mãos de Naná sua paixão: o berimbau
Foto: JC Imagem

Dos primeiros passos acompanhando o pai na escola de samba Batutas de São José à galeria de títulos, incluindo 8 prêmios do Grammy, o mais importante da música latina, lá sempre esteve um incansável Naná, garante o irmão Jurandir Vasconcelos. “Sua maneira de ser, de procurar sempre se aperfeiçoar na sua música e transmitir para ela o melhor ele passou a sua vida toda e chegou onde chegou por mérito dele, porque ele sempre acreditou na coisa que fazia”, destacou.

Ainda no salão da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), onde foi velado desde a quarta-feira, centenas de pessoas homenagearam o pernambucano que tinha no corpo a musicalidade.

Na cerimônia ecumênica, presidida por pai Raminho de Oxóssi e pelo padre Rosendo, cantos e orações.

A chegada do caixão no carro do Corpo de Bombeiros ao Cemitério de Santo Amaro, no Recife, foi recepcionada por uma multidão de admiradores e batuqueiro que formaram um corredor de alfaias, agbês e agogôs. Os tambores estremeceram para a passagem do mestre Naná Vasconcelos, como fala o maestro Spok. “É emocionante ver um músico se despendido e deixando toda uma verdade que ele criou”, acrescentou o maestro.

Maracatus deram som ao último adeus ao mestre Naná Vasconcelos
Foto: TV Jornal

A esposa Patrícia Vasconcelos, que viveu de perto os últimos instantes do percussionista, que lutava contra um câncer no pulmão descoberto ano passado, disse que mesmo com dores distribuiu serenidade.

Ao lado de umas das filhas, Luz Morena, Patrícia agradeceu as diversas homenagens enviadas.

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