MEMÓRIA

Naná Vasconcelos: a história de um mito pernambucano da música do Mundo

Naná respirava música, era multicultural, era internacional. O menino negro nasceu pra música e viveu pra ela até o fim

Da Rádio Jornal
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Publicado em 10/03/2016 às 9:43
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Reportagem de Marcelo Barreto

Uma estrela que difundiu o som de Pernambuco para o Brasil e o Mundo. Esse era Juvenal de Holanda Vasconcelos, o Naná Vasconcelos. Ele nos deixou, mas o seu extenso acervo musical estará presente para sempre em nossas memórias.

Pode até parecer ironia, mas o pernambucano, nascido no dia 2 de agosto de 1944, ficou conhecido no estado por ser o percussionista responsável pela abertura do Carnaval do Recife. Naná era muito mais que isso.

O menino negro, filho da Cidade de Olinda, respirava música. No currículo, oito prêmios Grammy, considerado o “Oscar” da música. Por oito vezes também foi eleito o Melhor Percussionista do Mundo pela revista Americana Down Beat.


Desde pequeno, Naná já se identificava com os tambores nos movimentos de maracatu. Percussionista da Banda Municipal do Recife, nos anos 1960, o músico tocou em gravações de discos de frevo com o maestro Nelson Ferreira.

Naná era multicultural. Gostava de frevo, samba, jazz, maracatu... Suas influências musicais vão de Villa Lobos a Jimi Hendrix. Em 1969, foi para o Rio de Janeiro e se tornou o percussionista preferido de vários artistas da Música Popular Brasileira.

Uma de suas particularidades era a criatividade. Para ele o que importava era o som, fosse ele com penicos, panelas ou chaleiras. Ou sem instrumentos.
Nos anos 1970, levou o berimbau e o tambor para palcos da Europa e dos Estados Unidos. Companheiro de palco de grandes personalidades, entre eles o guitarrista de blues B.B. King, Naná percorreu todos os continentes para levar a música brasileira mundo afora.

Sua discografia é tão extensa quanto os projetos em que esteve envolvido. Foram mais de 20 discos.

Naná passou parte de sua vida morando no exterior. Quando radicado em paris, gravou o seu disco Africadeus, um dos grandes sucessos da carreira.
No Brasil participou da elaboração de trilhas sonoras de filmes e trabalhos individuais. É dele a trilha da animação “O menino e o mundo”, filme brasileiro que concorreu ao Oscar este ano.


Em 2013, o percussionista foi o homenageado do Carnaval do Recife. Este ano, fez sua última participação na festa momesca. Como fazia há 15 anos, comandou 500 batuqueiros que se reuniam na Praça do Marco Zero, no Recife Antigo.

Hoje, com o som de batuque, nos despedimos daquele que marcou para sempre a musicalidade do nosso Estado.

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