MILITÂNCIA

Coordenador do MST diz que movimento não se alinhou ao governo

Jaime Amorim fala que é o que existe é uma articulação de todos os movimentos sociais contra o impeachment, por conta de uma organização das elites

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Publicado em 25/04/2016 às 17:01
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MST em manifestação
Foto: André Nery/ JC Imagem


Geraldo Freire recebeu, nesta segunda-feira (25), o coordenador do Movimento Sem Terra (MST), Jaime Amorim, o consultor Aécio Gomes e o engenheiro agrônomo, produtor rural e diretor técnico do Sebrae em Pernambuco, Aloísio Ferraz. Em pauta, reforma agrária e movimentos sociais em tempos de militância.

Aécio Gomes comenta a partidarização dos movimentos sociais. “Eu não acho bom. Para mim, a contradição é a base do processo social”, comentou. “Na prática, independentemente de qual seja o governo, eu acho que o movimento social se alinha ao governo ele perde sua autonomia e pode até ter vantagens específicas, mas essa associação destrói um pouco esse vínculo dialético que precisa existir na sociedade”, concluiu.

Jaime Amorim, no entanto, rebate e diz que não há alinhamento com o governo. “Nós não somos governo”, disse. “O que ocorre é que neste período em que as elites se organizaram, se uniram para derrubar o governo e interromper um processo é que nós estamos assumindo essa luta contra o impeachment e não só nós, todo o conjunto dos movimentos sociais”, destacou. “A luta pela reforma agrária não parou durante todo esse processo”, afirmou.

O coordenador do MST falou sobre a política adotada pelo governo que, segundo ele, se baseou muito mais no modelo agroexportador ou na monocultura agroexportadora do que efetivamente num modelo de abastecimento interno de produção de alimento. “No que diz respeito a reforma agrária avançou-se pouco. Muitas famílias ainda acampadas”, comentou Jaime, destacando que são cerca de 120 mil famílias acampadas.

Segundo Jaime, para os pequenos agricultores de áreas que sofriam muito preconceito, como semiárido e o Norte, a pequena agricultura teve um avanço bastante significativo. “É só olhar aqui no semiárido, onde na seca de 97 a 99, quase 1 milhão de famílias deixou o semiárido ou morreu em função da seca”, destacou. “Agora nós tivemos uma seca de quase cinco anos seguidos e não se tem notícia de nenhuma família que deixou o semiárido em consequência disso”, apontou.

Confira os detalhes no debate completo:

Em avaliação dos programas sociais do governo, Aloísio diz. “O melhor programa social é o que estrutura a população mais pobre, para que ele possa primeiro melhorar as suas condições de vida e também continuar avançando no sentido de desenvolver a sua região”, contou.

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