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Bloqueio visa punir Whatsapp, mas prejudica milhões de brasileiros, avalia pesquisadora

Pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, Marília Maciel, critica decisão e fala sobre alternativas para os usuários

Rádio Jornal
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Publicado em 02/05/2016 às 15:02
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Foto: Getty Images


A ordem que foi dada pela Justiça de Sergipe para que as operadoras de telefonia fixa e móvel façam o bloqueio do aplicativo Whatsapp por 72 horas. A determinação entraria em vigor a partir das 14h, desta segunda-feira (2) mas neste horário ainda era possível enviar e receber mensagens, com uma certa dificuldade. Posteriormente, o serviço foi bloqueado.

A pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, Marília Maciel, falou sobre as alternativas para os usuários. “Como alternativas paliativas, ele pode utilizar outras redes semelhantes ao Whatsapp”, disse, apontando ainda que a maioria da população brasileira utiliza a plataforma. “Mas há outras plataformas disponíveis, algumas delas até melhores do ponto de vista da proteção dos dados das comunicações dos usuários”, comentou.

Ele lembrou que na última vez que o aplicativo foi bloqueado, muita gente passou a utilizar o Telegram. “Na verdade, o que eu acho que a gente deveria discutir, é que casos como esse de bloqueio eles trazem uma medida que é extremamente desproporcional àquilo que o juiz está tentando corrigir, no caso, que é a falta de comprimento por uma empresa específica, mas acaba atingido a vida de milhões de brasileiros que não têm nada a ver com esse processo”, criticou a pesquisadora.

Confira a entrevista completa e tire outras dúvidas:

Recentemente, o Facebook, que é dono do Whatsapp tomou a decisão de criptografar as mensagens, que se tornam inacessíveis, nem a própria empresa. “Se por acaso for relacionado [o bloqueio] ao conteúdo e se ele trafegou depois daquela data que houve a criptografia realmente a empresa não teria como entregar”, explicou.

Ela avalia de forma positiva a criptografia das mensagens. “É uma medida bem interessante em relação a proteção de privacidade, porque quando a gente circula conteúdo na internet sem criptografia a gente pode fazer uma analogia com aquele velho cartão postal (...) quando as nossas mensagens não são criptografadas elas circulam completamente abertas”, comparou a pesquisadora.

Marília Maciel ainda comentou a utilização do Marco Civil.

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